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Software LivreMódulo 1 – Conceito
Software livre hoje é uma realidade. Ele ocupa espaço significativo no cenáriotecnológico brasileiro e, aos poucos, vem crescendo e se desenvolvendo. Nessemodelo, a fonte de receita provém da prestação de serviços e da necessidade deagregar conhecimento.
Cenário nacional
Um levantamento encomendado em 2006 pela Associação Brasileira das Empresasde Software (ABES) e realizado pela consultoria IDC indica que o mercado nacionalde softwares e serviços é o 12º maior do mundo, movimentando US$ 7,41 bilhõesem 2005.Em primeiro lugar está o mercado norte-americano, com US$ 287,5 bilhões de umsegmento que movimento, no ano passado, US$ 662 bilhões em todo o mundo.Em 2005, apenas as vendas de softwares atingiram US$ 2,72 bilhões , umcrescimento de 15% em relação ao ano anterior, quando o setor movimentou US$2,36 bilhões. Esse montante representa 1,2% do mercado mundial de programas eequivale a cerca de 41% do mercado latino-americano. A expectativa da IDC e daAbes é que o segmento mantenha um crescimento médio de 11% até 2009, indica apesquisa.Porém, o País importa aproximadamente US$ 1 bilhão e exporta US$ 100 milhões,no modelo de software proprietário. A realidade é uma situação de quase monopóliona comercialização de software de escritório e de oligopólio em outras áreas.A adoção do software livre como novo paradigma tecnológico apresenta-se comouma solução para equilibrar essa balança. Os sistemas de escritório oferecem umasolução estável e eficiente. Alguns aplicativos em código aberto já dominamamplamente o mercado mundial, como o servidor de web Apache, utilizado em maisde 70% dos sites, inclusive na Casa Branca e no Deutsch Bank, entre outros.Fruto de trabalho colaborativo mundial, o Brasil não está sozinho ao seguir essatendência. Além de países como Alemanha, França, Espanha e Índia, há um númerocrescente de empresas adotando a nova forma de fazer negócio na área de TI, comoIBM, Novell e HP. Uma das iniciativas é o caso do KDE, uma interface gráfica quepermite o uso amigável do computador. O KDE nasceu em 1996, devido àinsatisfação com os sistemas existentes do programador alemão Mathias Ettrich.
 
 
- 2 –No modelo de software livre, a fonte de receita provém da prestação de serviços e danecessidade de agregar conhecimento permanentemente. Assim, a renda geradacom o desenvolvimento dos softwares é apropriada localmente e a geração deempregos se dá no próprio país. Isso é uma oposição à atual situação, que geradependência externa e o envio de royalties desnecessários.Vale lembrar que, quando o governo incentiva a adoção de soluções em códigoaberto, não se está proibindo que a indústria de software continue a trabalhar comas soluções proprietárias. No entanto, comprovadamente na área de TI, países eempresas que adotaram na vanguarda novos paradigmas conquistaram parcelasignificativa de mercado e passaram a predominar no espaço mundial.A maior diferença entre o software livre e o modelo proprietário não está napossibilidade de ler seus códigos, mas sim na possibilidade de alterar, customizar emelhorar. Isso possibilita independência tecnológica e de fornecedores para o país.Há brasileiros liderando muitos projetos, empresas que começam a se destacarnesse novo modelo e universidades que se transformaram em centros de excelênciaem projetos utilizados pelo mundo. Isso tudo sem haver a necessidade do envio deum único centavo em royalties para o exterior e com compartilhamento doconhecimento. Isso posiciona o Brasil na vanguarda na área de tecnologia dainformação e os resultados logo serão percebidos.
Conceito de Software Livre
Quando alguém se inicia no caminho dos programas gratuitos, a primeira discussãoencontrada é a diferença entre software livre e código aberto. Apesar de seremmuito parecidos, esses dois conceitos se diferenciam muito em seus fundamentos.O conceito de free software, criado pelo pesquisador Richard Stallman, do laboratórioMIT AI Lab, baseia-se na idéia de que um programa e seu código fonte sãoconhecimentos científicos e, assim como os teoremas matemáticos, não podem serguardados. A idéia é que, se eles forem escondidos do público, correremos o risco deter uns poucos controlando o conhecimento – retardando, assim, o avanço daciência.Richard Stallman vem desenvolvendo essa idéia com o projeto GNU (Gnu is NotUnix), criado em 1984, por meio da organização Free Software Foundation (FSF). Oprojeto GNU iniciou a pesquisa e o desenvolvimento de diversos programas que sãodistribuídos gratuitamente, como o processador de texto EMACS. Todos osprogramas são licenciados, seguindo o modelo GPL (GNU General Public License),que define claramente as características necessárias a um programa para que eleseja considerado livre.
 
 
- 3 –Pela determinação da GPL, todo programa que utiliza fragmentos de programaslicenciados pela GPL também deve ganhar o status de GPL, ou seja, livre . Esseconceito de software livre oferece uma barreira enorme às empresas, já que elas têmcomo principal objetivo não o aumento do conhecimento humano, e sim o lucro. Porisso, durante muito tempo, o uso de software livre ficou restrito a universidades ecentros de pesquisa.Em 1997, um grupo formado por membros da comunidade de software livre sereuniu e amenizou o conceito, tornando-o mais atraente para as empresas. Entre osparticipantes, estavam Eric Raymond (autor do livro A Catedral e o Bazar – a bíbliada comunidade free software), Tim O’Reilly (editora O’Reilly, especializada em livrostécnicos) e Larry Augustin (presidente da VA Research, estrela das bolsasamericanas pelo seu IPO fenomenal).O novo conceito, batizado de open source, permitiria que se comercializasse umsoftware de código-fonte aberto ou se usasse parte de um código comercial em umproduto gratuito. Optando por programas free ou open source, paga-se o mesmovalor pelo produto final: zero. Isso é ótimo para os bolsos das empresas, mas ondeestá o apelo para o profissional de TI recomendar e utilizar free software em seusprojetos? A resposta é: custos menores e margens de lucros maiores, que é o desejode qualquer corporação. Como um projeto baseado em software livre ou open sourcenão tem os altos custos de licenciamento de software, essa economia pode (ecostuma) ser utilizada para contratar mais e melhores profissionais de TI.
O que é o software livre
Richard Stallman é sempre enfático em destacar os quatro níveis de liberdade quecaracterizam o software livre. Primeiro, liberdade de usar o software. Segundo,liberdade de alterar o software conforme as necessidades pessoais. Terceiro,liberdade de aperfeiçoar o software e distribuir cópias para a comunidade. Quarto,liberdade de melhorar o software e publicá-lo com essas melhorias.E para que isso aconteça, o software precisa ter o código aberto, única forma de ousuário/programador conseguir modificá-lo para uso próprio ou para compartilharcom outras pessoas. Isso é o que torna o software livre uma alternativa consistentee segura, pois é totalmente transparente para o usuário.Quem garante que no software proprietário, de código-fonte fechado, não existanenhum “backdoor” ou cavalo de tróia, ou algum outro mecanismo secreto quepermita o acesso do fabricante ou de terceiros no computador alheio? No softwarelivre, existe uma comunidade de usuários verificando isso, e se achar algumproblema pode corrigi-lo e acrescentar essa melhoria ao software.
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