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MARAVILHOSA GRAÇAAcreditar nela é uma coisa, vivê-la é outra..
Escola Bíblica Dominical da Igreja Presbiteriana de Vila Mariana – IPVM ( 2008)Profs Eleusis e Wanda Di Creddo
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Objeções à graça
Objeção 1: Graça é bom Demais Para Ser Verdade
Nós respiramos, inconscientes, a atmosfera da falta de graça.Já no pré-primário e no jardim-de-infância somos testados, avaliados e depois colocadosem filas de "adiantados", "normais" ou "lentos".Dali em diante recebemos notas que indicam nossa capacidade na matemática, nasciências, na leitura e também na "convivência" e na "cidadania".Os papéis dos testes voltam com os erros destacados.Tudo isso nos prepara para o mundo real com sua classificação constante.O serviço militar pratica a não-graça na sua forma mais pura. Depois de receber um título,um uniforme, um salário e um código de comportamento, cada soldado sabe exatamenteonde está em relação aos outros: cumprimente e obedeça aos superiores,. dê ordens aosinferiores.As empresas são mais sutis — um pouco. A Ford classifica os empregados segundo umaescala de 1 (escriturários e secretárias) a 27 (presidente da diretoria). Você tem de, pelomenos, atingir o grau 9 para ter direito a uma vaga no estacionamento; o grau 13proporciona benefícios tais como uma janela, plantas , os escritórios do grau 16 sãoequipados com banheiros privativos.Cada instituição, ao que parece, funciona na não-graça e insiste no fato de quemerecemos nossas regalias.Os departamentos de justiça,os programas de clientes das companhias de vôo e as imobiliárias não podem operar pelagraça.O governo mal conhece essa palavra.O time de futebol recompensa aqueles que fazem bons passes e marcam gols; não hálugar para aqueles que fracassam;as revistas especializadas publicam o nome dos mais ricos; ninguém, porém, sabe onome das quinhentas pessoas mais pobres de seu país ou cidade.Nessa atmosfera, Deus nos dá a maior presente e não cobra nada ? Não é bom demaispara mim? SIM, É BOM DEMAIS PARA NÓS MAS CUSTOU MUITO PARA ELE.
A festa de babette
Dinesen situou sua história na Noruega, mas os cineastas dinamarqueses mudaram o local parauma pobre aldeia de pescadores no litoral da Dinamarca, uma localidade de ruas lamacentas ecabanas cobertas de palha. Neste ambiente triste, um ministro de barbas brancas liderava umgrupo de crentes de uma austera seita luterana.Os poucos prazeres mundanos que pudessem tentar um camponês em Norre Vosburg eramcondenados por essa seita. Todos usavam roupas pretas. Sua alimentação consistia em bacalhaucozido e uma papa feita de pão escaldado em água enriquecida com um borrifo de cerveja. Aossábados, o grupo se reunia e cantava hinos a respeito de "Jerusalém, meu lar feliz, nome semprequerido para mim". Eles haviam direcionado suas bússolas para a Nova Jerusalém, e a vida naterra era apenas tolerada como um meio de chegar lá.O velho pastor, um viúvo, tinha duas filhas adolescentes:
 
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Martine, chamada assim por causa de Martinho Lutero, ePhilippa, por causa do discípulo de Lutero, Philip Melanchton.Os habitantes da vila costumavam ir à igreja apenas para deliciar seus olhos olhando para asduas, cuja radiante beleza não podia ser ocultada, apesar dos melhores esforços das duas irmãs.
Martine captou os olhares de um jovem e arrojado oficial da cavalaria. Quando ela,obstinadamente, resistiu às suas investidas — afinal, quem cuidaria de seu velho pai? —ele foi embora para se casar com uma dama
de 
companhia da rainha Sofia.
Além de ser muito bela, Philippa também possuía a voz de um rouxinol. Quando elacantava a respeito de Jerusalém, visões reluzentes da cidade celestial pareciam surgir. Eaconteceu que Philippa conheceu o mais famoso cantor de ópera daquele tempo, ofrancês Achille Papin, que estava passando uns dias no litoral por causa da saúde.Enquanto caminhava pelos poeirentos caminhos de uma cidade atrasada, Papin ouviu,para sua grande admiração, uma voz digna da
Grand Opera 
de Paris."Deixe-me ensiná-laa cantar de maneira certa", ele insistiu com Philippa, "e toda a França vai cair a seus pés.A realeza vai fazer fila para conhecê-la, e você vai andar de carruagem puxada porcavalos para jantar no magnífico Café Anglais ".Lisonjeada, Philippa consentiu em tomaralgumas lições, mas apenas algumas. Cantar a respeito do amor fê-la ficar nervosa, aagitação dentro dela a perturbou mais ainda e, quando uma ária de
Don Giovanni 
acaboucom ela sendo enlaçada pelos braços de Papin, os lábios dele roçando os seus, ela soube,sem a menor sombra de dúvida, que estes novos prazeres tinham de ser abandonados.Seu pai escreveu um bilhete desisitindo de todas as futuras lições, e Achille Papin voltou aParis, tão triste como se tivesse perdido um bilhete de loteria premiado.Passaram-se quinze anos, e muita coisa mudou na vila. As duas irmãs, agora solteironas demeia-idade, tentaram continuar com a missão do falecido pai, mas, sem a sua séria liderança, a
 
seita estilhaçou-se. Um irmão tinha queixas de outro por causa de algum negócio. Espalharam-se
 
boatos de que havia um caso de sexo ilícito há trinta e dois anos envolvendo duas pessoas dacomunidade. Duas velhas senhoras não se falavam há uma década. Embora a seita ainda sereunisse aos domingos
cantasse velhos hinos, apenas um punhado de pessoas se davam aotrabalho de ir, e a música havia perdido o seu entusiasmo. Apesar de todos esses problemas, asduas filhas do ministro continuaram fiéis, organizando os cultos e escaldando pão para os anciãosdesdentados da vila.Uma noite, chuvosa demais para que alguém se aventurasse pelas ruas lamacentas, as irmãsouviram fortes batidas na porta. Quando a abriram, uma mulher caiu desmaiada. Elas areanimaram e descobriram que não falava dinamarquês. Ela lhes entregou uma carta de AchillePapin. Ao ver aquele nome Philippa enrubesceu, e sua mão tremia enquanto ela lia a carta deapresentação. O nome da mulher era Babette. Ela havia perdido o marido e filho durante a guerracivil na França. Com a vida em perigo, tivera de fugir, e Papin lhe arranjara uma passagem em umnavio com esperança de que essa aldeia lhe demonstrasse misericórdia. "Babette sabe cozinhar",dizia a carta.As irmãs não tinham dinheiro para pagar Babette e, antes de mais nada, não sabiam se deviamter uma empregada. Desconfiaram de sua arte — os franceses não comiam cavalos e rãs? Mas,por meio de gestos e rogos, Babette amoleceu o coração delas. Ela poderia fazer alguns serviçosem troca de quarto e comida.Durante os doze anos seguintes Babette trabalhou para as irmãs. A primeira vez que Martine
 
mostrou-lhe como cortar um bacalhau e cozinhar a papa, as sobrancelhas de Babette se elevarame o seu nariz enrugou um pouco, mas nunca questionou suas tarefas. Ela alimentava os pobresna cidade e assumiu todas as tarefas domésticas. Até ajudava nos cultos de domingo. Todostinham de concordar que Babette trouxe nova vida à estagnada comunidade.Uma vez que Babette nunca se referia ao seu passado na França, foi uma grande surpresapara Martine e Philippa quando, um dia, depois de doze anos, ela recebeu a primeira carta.Babette a leu, viu as irmãs de olhos arregalados e anunciou de maneira natural que uma coisamaravilhosa lhe havia acontecido. Todos os anos um amigo em Paris renovava o número deBabette na loteria francesa. Nesse ano, o seu bilhete fora premiado.
Dez mil francos!
 
 
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As irmãs apertaram a mão de Babette, parabenizando-a, mas lá no fundo seus coraçõesdesfaleceram. Sabiam que logo ela iria embora.
 
A sorte grande de Babette na loteria coincidiu com o momento em que as irmãs estavamdiscutindo sobre a celebração de uma festa em homenagem ao centenário do nascimento de seupai. Babette lhes fez um pedido. Disse que em doze anos nunca lhes pedira nada. Elasassentiram. "Agora, porém, tenho um pedido: Gostaria de preparar uma refeição para o culto deaniversário. Quero cozinhar uma verdadeira refeição francesa."Embora as irmãs tivessem sérias dúvidas a respeito desse plano, Babette, sem nenhumasombra de dúvida, estava certa de que nunca havia pedido nenhum favor em doze anos. Queescolha elas tinham a não ser concordar?Quando o dinheiro chegou da França, Babette fez uma rápida viagem para providenciar osarranjos para o jantar. Nas semanas que se seguiram à sua volta, os habitantes de Norre Vosburgforam surpreendidos com a visão de vários barcos ancorados descarregando provisões para acozinha de Babette. Trabalhadores empurravam carrinhos de mão cheios de gaiolas compequenas aves. Caixas de champanhe —
champagne! 
 — e vinho logo se seguiram. A cabeçainteira de uma vaca, vegetais frescos, trufas, faisões, presunto, estranhas criaturas que viviam nomar, uma imensa tartaruga ainda viva mexendo a cabeça como a de uma cobra de um lado para ooutro — tudo isso acabava na cozinha das irmãs agora firmemente dirigida por Babette.Martine e Philippa, alarmadas com os preparativos que mais pareciam de bruxa, explicavam a
 
embaraçosa situação aos membros da seita, agora apenas onze pessoas, velhas e grisalhas.Todas manifestavam simpatia com elas. Depois de alguma discussão concordaram em comer arefeição francesa, refreando os comentários para que Babette não entendesse mal. Línguashaviam sido feitas para louvor e ação de graças, e não para satisfazer gostos exóticos.Nevava no dia 15 de dezembro, o dia do jantar, iluminando a aldeia obscura com um brilhobranco. As irmãs ficaram satisfeitas ao saber que um hóspede inesperado se juntaria a elas: asenhora Loewenhielm, de noventa anos de idade, estaria acompanhada de seu sobrinho, o oficialde cavalaria que havia cortejado Martine tempos atrás, e agora era general no palácio real.Babette havia conseguido emprestadas louças e cristais suficientes, e havia enfeitado o recintocom velas e coníferas. A mesa estava linda. Quando a refeição começou todos os habitantes daaldeia se lembraram de seu pacto e ficaram mudos, como tartarugas ao redor de um lago. Apenaso general comentou a comida e a bebida. "Amontillado!", ele exclamou quando levantou o primeirocopo. "É o mais fino Amontillado que já provei." Quando experimentou a primeira colherada desopa, o general poderia jurar que era sopa de tartaruga, mas como se acharia tal coisa no litoralda Jutlândia?"Incrível!", disse o general quando experimentou o próximo prato. "É Blinis Demidoff!" Todos osoutros convivas, as faces franzidas por profundas rugas, estavam comendo as mesmasdelicadezas raras sem nenhuma expressão ou comentários. Quando o general entusiasmadoelogiou o champanhe, um
Veuve Cliquot 
1860, Babette ordenou ao seu ajudante de cozinha quemantivesse o copo do general cheio o tempo todo. Apenas ele parecia apreciar o que estavadiante dele.Embora ninguém mais falasse a respeito da comida ou da bebida, gradualmente o banquete
 
operou um efeito mágico sobre os habitantes da aldeia. O seu sangue esquentou. Suas línguas se
 
soltaram. Eles falaram dos velhos dias quando o pastor estava vivo e do Natal em que a baía
 
congelou. O irmão que havia enganado o outro nos negócios finalmente confessou, e as duas
 
mulheres que tinham uma rixa acabaram conversando. Uma mulher arrotou, e o irmão ao seu
 
lado disse sem pensar: "Aleluia!".
 
O general, entretanto, não conseguia falar de nada além da comida. Quando o ajudante dacozinha trouxe o
coup de grâce,
codornizes preparadas em
Sarcophage,
o general exclamou quevira tal prato apenas em um lugar na Europa, no famoso Café Anglais em Paris, o restaurante que já fora célebre por ter uma mulher como chefe-de-cozinha.Cheio de vinho, o apetite satisfeito, incapaz de se conter, o general levantou-se para fazer umdiscurso. "A misericórdia e a verdade, meus amigos, se encontraram", ele começou. "A justiça e abem-aventurança se beijaram." E, então, o general fez uma pausa, "pois — conforme comentaIsak Dinesen — ele tinha o hábito de fazer os seus discursos com cuidado, consciente do seu

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