Florianópolis, dezembro de 2010
DA REDAÇÃO
Quatro
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U
ma piadinha infameem sala de aula qua-se mudou o nomedeste jornal. Para seadequar ao espíritodesta edição, por pouco este jornal-laboratório não virou o “De Qua-tro”. Isso porque o que moveu nos-sos repórteres e editores nas últimassemanas foi o assunto mais antigodo mundo, aquele que é considera-do um dos motores da humanidade.Sim, é isso mesmo o que você estápensando. Ainda há quem queira fa-lar “daquilo”.Como sempre, uma palavra-cha-ve motivou a equipe a elaborar pau-tas e a perseguir histórias. Por ser umtema de grande apelo, que despertamuita curiosidade e fortes sensa-ções, nossos repórteres precisavamadotar uma postura levemente dis-tanciada, desviando-se da vergonha,do pudor, de ideias preconcebidas.Mas também precisavam se divertircom tudo aquilo, ter prazer.Nas páginas a seguir, a equipedo
Quatro
não quis esgotar o as-sunto, mas sim explorá-lo das maisvariadas formas. Apelamos sim.Mas apelamos para a criatividade,recorremos a abordagens distintasdas convencionais, tentando lançar
olhares diferentes. Anal, pode-se
falar da “coisa” sem mencionar seunome mais comum...“Aquilo” pode ser tratado pura esimplesmente como coito, fornica-ção, acasalamento, união. Pode sersujo, sagrado, profano; consensual,pago, casual, proibido. Pode aindaser insinuante, simulado, espontâ-
neo ou ngido. Levar à procriação,à reprodução da espécie, ao deleite
mais mesquinho. Acontece sozinho,mas também na companhia de al-
guém e, às vezes, em grupo! A ele
está associada uma estranha família
de palavras: pornograa, pedolia,zoolia, necrolia, erotismo, poliga
-mia e monogamia. Mas também estáestreitamente ligado a palavrões...Nos tribunais, assume a forma deconjunção carnal; nos confessioná-rios, pecado; nos consultórios mé-dicos, fecundação; nas campanhasgovernamentais, prevenção; e nassalas de jantar mais familiares, qua-se nunca dele se fala.A biologia ensina que é uma dasfunções mais primárias dos seres vi-vos, e pode ser traduzido como o atode fazer cópia de si mesmo. Mobili-za então os instintos mais básicos, epreenche as piadas mais saborosas.Pode ser homo, hetero e até pan;ter carinho, amor e palmadas; gri-tos, sussurros e urros. Sua mecânicaenvolve uma complexa rede de sen-sações, movimentos e arranjos. De-sejo, repulsa, repetição, contenção,interrupção, alívio; trauma, memó-
ria e esquecimento; uídos, fricção,
satisfação e insatisfação. Encaixe-desencaixe. Em cima, embaixo, deladinho. Gozo, frustração, saúde,vida e o que os franceses chamamde “a pequena morte”.Os homens mais prevenidos tiramtoda a roupa, mas vestem sua partemais saliente. As mulheres mais ar-dentes abrem-se para agarrar seusamores mais tórridos. A operação ébasicamente a mesma, repetida hámilhares de anos, mas suas varian-tes continuam a surpreender pelanovidade e por ingredientes inson-dáveis. Aparenta-se a uma fórmulamatemática, onde deve prevalecer asoma em detrimento da divisão ouda subtração. Tem saliva e tem suor;
às vezes, tem sangue ou sêmen. E é
muito bom quando tem sorrisos no
nal. Pode reservar ores no dia
seguinte ou uma pílula do dia se-
guinte. O nal pode ser o começo de
uma história.Porque este assunto interessa ain-da a tanta gente, resolvemos insistirnele. Trocamos seu nome, mudamosde posição, suamos pra valer. Norodapé da última página, chegamosaté a perguntar ao leitor: E aí, foibom pra você?
Ainda se fala disso
EDITORIAL
Ano III – Nº 6 – Dezembro/2010Jornal-laboratório da disciplina Redação IVCurso de JornalismoUniversidade Federal de Santa CatarinaCampus Universitário – TrindadeFlorianópolis – SCCEP: 88040-900Telefone: (48) 3721-9215
Blog:
http://blogdo4.wordpress.com
E-mail:
jornalquatro@gmail.com
Expediente
Professor responsável:
Rogério Christofoletti, Mtb 25041 (SP)
Monitora:
Fernanda Martinazzi
Editores:
Daniel Giovanaz, Daniela Nakamura, Letícia Teston,Marilia Goldschmidt Labes, Maíla Diamante e Thiago Moreno.
Repórteres:
Daniel Giovanaz, Daniela Nakamura, GianKojikovski, Guilherme A. Teixeira, Ingrid Fagundez, Jéssica
Butzge, Juliana Ferreira, Leonardo Lima, Letícia Teston, LuisaPinheiro, Marilia Goldschmidt Labes, Marina Empinotti, MaílaDiamante, Milena Lumini, Monique Nunes, Nathale Ethel
Fragnani, Paulo Junior, Stephanie Pereira, Thayza Melzer, ThiagoMoreno e Willian Reis.
Revisão:
Gian Kojikovski, Ingrid Fagundez, Jéssica Butzge e
Milena Lumini.
Diagramação:
Guilherme A. Teixeira, Juliana Ferreira, Luisa
Pinheiro e Monique Nunes.
Fotograa, Infográcos e Ilustrações:
Leonardo Lima, Marina
Empinotti, Nathale Ethel Fragnani e Stephanie Pereira.
Circulação:
Paulo Junior, Thayza Melzer e Willian Reis.
Fotolito e impressão:
Diário Catarinense
Tiragem:
1500 exemplares
Quatro
Rogério Christofoletti
Como fizemos esta edição
Produzir um jornal-laboratóriocom o tema sexo já é um lugar-comum nos cursos de Jornalismo.
Os alunos saem às ruas para apurar
suas informações, enfrentam re-ceios e uma dose extra de vergonhae abordam entrevistados exóticos ecuriosos. Certo? Sim, quase sempreé assim.Neste número do
Quatro
, repór-teres e editores estavam conscientesdo perigo de uma abordagem co-mum e desgastada. Mesmo assim,
aceitaram o desao e puseram-se a
conceber e a produzir uma ediçãosobre um tema exaustivamente tra-tado pelos meios de comunicação.Havia um consenso entre a equi-pe: precisamos fugir do convencio-nal, fazer um jornal diferente.O resultado está nestas páginas.Penso que os futuros jornalistasconseguiram atingir esse objetivo.Eles empenharam ousadia, entu-siasmo e energia, ingredientes in-dispensáveis para se fazer inclusivea matéria-prima desta edição.
Todas as etapas do processo jornalístico foram assumidas por alunos
Elaborar pautas, distribuir funções, apurar informações. Entrevistar, checar dados, organizar ideias. Produzir fotos e infográcos. Estruturar textos, escrever, editar, diagramar, revisar...
Uma equipe de 21 futuros jornalistas se dedicou durante um mês a concepção e produção deste jornal
F o t o s : F e r n a n d a M a r t i n a z z i
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