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Capítulo 04

Capítulo 04

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CAPÍTULO 4
O
QUE
 
É
 
O
 
SÍMBOLOLucia Santaella
No campo das mais diferenciadas ciências e artes, a palavra sím-bolo foi e continua sendo empregada com tal generosidade que seusentido se envolveu em brumas. A definição peirceana, ao contrá-rio, é técnica e precisa. Para chegar a ela, devemos começar peloentendimento do legi-signo, pois é nele que o símbolo encontra seusuporte.Legi-signo é uma lei que é um signo. Antes de tudo, é precisoconsiderar que a noção peirceana de lei é muito original (ver Santaella1999a,b). Lei não se confunde com necessidade, nem estritamentecom norma, pois esta é apenas uma tradução convencional da lei.Para Peirce, a lei é uma força viva, uma 'força condicional perma-nente' (CP 3.435), quer dizer, é uma 'regularidade no futuro inde-finido' (CP 2.293). Sem o governo da lei, fatos e ações são brutose cegos. Conformando-se, até certo ponto, à força viva da lei, osfatos se acomodam dentro de uma regularidade, de certo modo,previsível. A lei funciona, portanto, como uma força que será atua-lizada, dadas certas condições. Por isso mesmo, a lei não tem a
 
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rigidez de uma necessidade, podendo ela própria evoluir, transfor-mando-se. Contudo, em si mesma, a lei é uma abstração. Ela nãotem existência concreta a não ser através dos casos que governa,casos que nunca poderão exaurir todo o potencial de uma lei comoforça viva. Quer dizer, a lei que governa os fatos é geral, enquantoos fatos são particulares, mas ao mesmo tempo, a lei lhes empres-ta uma certa generalidade que se expressa através da regularida-de.Tendo isso em vista, 'o legi-signo é um signo considerado no quediz respeito a um poder que lhe é próprio de agir semioticamente,isto é, de gerar signos interpretantes' (Ransdell 1983: 54). A lei derepresentação já está contida no próprio signo, de modo que eleestá fadado a produzir um signo interpretante ou uma série designos interpretantes tão gerais quanto ele próprio, através dosquais seu caráter de signo se realiza. É a lei que fará o signo serinterpretado como sendo um signo, pois o legi-signo funciona comouma regra que irá determinar seu interpretante, uma regra quedeterminará que ele seja interpretado como se referindo a umdado objeto.A linguagem verbal é o exemplo mais evidente de legi-signo ousistema de legi-signos. Por pertencerem ao sistema de uma língua,as palavras são interpretadas como representando aquilo que re-presentam por força das leis desse sistema. Como quaisquer outrosexemplares de legi-signo, no seu estatuto de leis, as palavras sótomam parte na experiência ou têm existência concreta por meiode suas manifestações. Peirce chama de 'réplicas' essas instânciasde manifestação. Tratam-se de sin-signos de tipo especial. São sin-signos porque são existentes individuais que ocorrem em um tempoe espaço determinado, mas são réplicas porque atualizam,corporificam legi-signos. 'O legi-signo é uma classe das réplicas dapalavra, mas nenhuma coleção finita de réplicas poderá exaurir aclasse. Mesmo assim, a existência do legi-signo está nos enunciadose inscrições individuais de suas réplicas' (Savan 1976: 29), confor-me a passagem abaixo pode melhor esclarecer.
Falamos de escrever ou pronunciar a palavra 'homem' , masisso é apenas uma réplica ou materialização da palavra que épronunciada ou escrita. A palavra, em si mesma, não tem exis-tência, embora tenha ser real, consistindo em que os exis-tentes deverão se conformar a ela. É um tipo geral de suces-são de sons, ou
representamens
de sons, que só se torna umsigno pela circunstância de que um hábito ou lei adquirida

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