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Meditação

Meditação

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12/08/2010

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COMEÇAR DE NOVO
 – Temos de lutar contra os nossos defeitos e paixões até o último dos nossos dias. A vidacristã não é compatível com o aburguesamento. – Contar com as derrotas. Recomeçar muitas vezes. – O Senhor deseja que comecemos de novo depois de cada fracasso: este é o fundamento danossa esperança.
I. NESTES DIAS DO ADVENTO, é-nos apresentada a figura de João Batistacomo modelo de muitas virtudes e como figura escolhida por Deus parapreparar a chegada do Messias. Com ele se encerra o Antigo Testamento e seavizinha o Novo.O Senhor diz-nos no Evangelho da Missa de hoje que
desde os dias de João até agora, o Reino dos céus padece violência, e aqueles que se esforçam o arrebatam 
1
. Padece violência a Igreja por parte dos poderes do mal, comotambém padece violência a alma de cada homem, inclinada ao mal emconsequência do pecado original. Será necessário lutar até o último dos nossosdias para podermos seguir o Senhor nesta vida e contemplá-lo eternamente noCéu.A vida do cristão não é compatível com o aburguesamento, o comodismo e atibieza. “Há pessoas que não são capazes nem sequer de trocar de lugar porDeus. Quereriam sentir gostos e consolos de Deus sem fazer nenhum esforçoa não ser engolir o que Ele lhes põe na boca, e desfrutar do que Ele lhes põeno coração sem se mortificarem em nada, sem abandonarem os seus gostos eveleidades. Mas esperam em vão. Porque, enquanto não saírem em busca deDeus, por muito que chamem por Ele, não o encontrarão”
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.Estamos num momento especialmente propício para ver como lutamoscontra as nossas paixões, contra os defeitos, o pecado, o mau génio... Estaluta “é fortaleza para combater as fraquezas e misérias próprias, valentia paranão mascarar as infidelidades pessoais, audácia para confessar a fé, mesmoquando o ambiente é adverso. Hoje, como ontem, do criso espera-seheroísmo. Heroísmo em grandes contendas, se for preciso. Heroísmo – e seráo normal – nas pequenas pendências de cada dia”
3
.Esta luta que o Senhor nos pede ao longo de toda a vida, masespecialmente nestes tempos litúrgicos em que Ele se nos manifesta de modomais próximo na sua Santíssima Humanidade – concretizar-se-á muitas vezesem firmeza à hora de cumprirmos delicadamente os nossos actos de piedade:sem substit-los por qualquer outra coisa que se apresente, sem nosdeixarmos levar pelo estado de ânimo do dia ou do momento. Concretizar-se-áainda no modo de vivermos a caridade, corrigindo as formas duras do nossocarácter (do nosso mau carácter); em realizar bem o trabalho, que saberemosoferecer a Deus; em empenhar-nos numa acção apostólica eficaz à nossa
 
volta; em valer-nos dos meios oportunos para que a nossa formação espiritualnão estacione numa via morta...Ordinariamente, será uma luta em pequenas coisas. “Ouçamos o Senhor,que nos diz:
Quem é fiel no pouco, também o é no muito, e quem é injusto no pouco, também o é no muito 
(
Lc 
16, 10). É como se Ele nos lembrasse: luta acada instante nos detalhes aparentemente pequenos, mas grandes aos meusolhos; cumpre com pontualidade o dever; sorri a quem precisa, ainda quetenhas a alma dorida; dedica sem regateios o tempo necessário à oração;acode em auxílio dos que te procuram; pratica a justiça, ampliando-a com agraça da caridade”
4
.O nosso amor a Deus consistirá em retomarmos muitas vezes o esforçodiário por não nos deixarmos vencer pelo comodismo e pela preguiça, queestão sempre à nossa espreita. “O diabo não dorme, e a carne também aindanão morreu; por isso não cesses de preparar-te para a batalha. À direita e àesquerda estão os inimigos que nunca descansam”
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. Não descansemostambém nós, numa luta alegre e com metas concretas. O Senhor está donosso lado e deu-nos um Anjo da Guarda que nos prestaajudasinestimáveis, se recorrermos a ele.II. NO NOSSO CAMINHAR para Deus, nem sempre venceremos. Muitas dasnossas derrotas seo de pouco relevo; outras, pelo contrio, teoimportância, mas o desagravo e a contrição nos levarão de volta a Deus. Ecomeçaremos de novo, com a ajuda do Senhor, sem denimos nempessimismos, que são fruto da soberba, mas com a necessária paciência ehumildade, ainda que não vejamos fruto nenhum. Em inúmeras ocasiõesouviremos o Espírito Santo dizer-nos: Torna a começar..., sê constante, não tepreocupes com esse fracasso, não te preocupes com todas as experiênciasnegativas anteriores juntas..., torna a começar com mais humildade, pedindomais ajuda ao teu Senhor.No campo das realizações humanas, a genialidade é normalmente fruto deuma paciência prolongada, de um esfoo incessantemente repetido emelhorado. “O sábio repete os seus cálculos e renova as suas experiências,modificando-as até acertar com o objecto das suas pesquisas. O escritor retocavinte vezes a sua obra. O escultor quebra um após outro todos os moldes atéconseguir expressar a sua criação interior... Todas as criações humanas sãofruto de um perpétuo voltar a começar”
6
. No âmbito da vida espiritual, o nossoamor ao Senhor não se mede tanto pelos êxitos que julgamos ter alcançadoquanto pela capacidade de começar de novo, de renovar a luta interior. Adesistência ou o desleixo no cumprimento dos propósitos e metas de vidainterior são sinal evidente de mediocridade espiritual e de tibieza. No caminhoque nos conduz a Deus, “dormir é morrer”
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.Com frequência, o progresso na vida interior vem depois de uma sucessãode fracassos, talvez inesperados, perante os quais reagimos com humildade edesejos mais firmes de seguir a Deus. se disse com rao que a
 
perseverança não consiste em não cair nunca, mas em levantar-se sempre.“Quando um soldado em combate recebe uma ferida ou tem que retroceder umpouco, ninguém é tão exigente ou tão ignorante das coisas da guerra quepense que isso é um crime. Os únicos que não recebem ferimentos são os quenão combatem; já os que se lançam com mais ardor contra o inimigo são osque mais golpes recebem”
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.Peçamos à Virgem Maria a graça de não abandonarmos nunca a nossa lutainterior, por mais triste e catastrófica que seja a nossa experiência anterior, e agraça e a humildade de recomeçar sempre.Peçamos-lhe também que nos ajude a ser constantes na nossa ãoapostólica, ainda que aparentemente não vejamos resultado algum. Um dia,talvez quando estivermos já na sua presença, o Senhor nos fará contemplar osfrutos de um esforço que por vezes nos terá parecido estéril, e que foi sempreeficaz. A semente que se semeia sempre dá o seu fruto:
uma, cem; outra,sessenta; outra, trinta...
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Muito fruto para uma só semente.III.
LEVANTAI-VOS, erguei a cabeça. Aproxima-se a vossa libertação 
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.Narram os Actos dos Apóstolos que um dia Pedro e João subiram aoTemplo para orar e passaram por um coxo de nascença que pedia esmola.Então Pedro disse-lhe:
Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda 
11
.
Em nome de Jesus Cristo 
... É assim que temos de recomeçar a nossaactividade apostólica e a nossa luta contra tudo o que tente separar-nos deDeus. Essa é a nossa força. Não começamos de novo por uma questão de briopessoal, como se quiséssemos afirmar que nós sozinhos podemos levar para afrente as coisas. s o podemos nada. É precisamente
quando nos sentimos fracos que a força de Cristo habita em nós 
12
. E é uma força poderosa!Temos de fazer como São Pedro que, depois de uma noite inteira em quenão havia pescado nada, lança de novo as redes ao mar só porque o Senhorlhe manda:
Mestre 
, diz-lhe,
estivemos trabalhando a noite inteira e pescamos nada; mas porque Tu o dizes, lançarei a rede 
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. Apesar do cansaço,apesar de não ser hora de pescar, aqueles homens voltam a lançar ao mar asredes que já estavam lavando para o dia seguinte. As considerações humanasque tornavam desaconselhável a pesca ficaram para trás. O motivo que os levaa reiniciar a tarefa é a confiança de Pedro no seu Senhor. Pedro obedece semmais raciocínios.O fundamento da nossa esperança está em que o Senhor deseja querecomecemos sempre que tivermos um fracasso, talvez aparente, na nossavida interior ou na nossa actividade apostólica: “Porque Tu assim me dizes,Senhor, começarei de novo”. Se vivermos deste modo, eliminaremos parasempre da nossa vida o fantasma do desalento, que tem afogado tantas almas

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