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Uma proposta de Língua Materna Instrumental para o ensino fundamental. - Tânia Maris de AZEVEDO; Vania Morales ROWELL

Uma proposta de Língua Materna Instrumental para o ensino fundamental. - Tânia Maris de AZEVEDO; Vania Morales ROWELL

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Autoras: Tânia Maris de AZEVEDO (Universidade de Caxias do Sul); Vania Morales ROWELL (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

Fonte: ABRAHÃO, Maria Helena Vieira; GIL, Gloria; RAUBER, Andreia Schurt (Orgs.). Anais do I Congresso Latino-Americano sobre Formação de Professores de Línguas. Florianópolis, UFSC, 2007.
http://www.cce.ufsc.br/~clafpl/12_Tania_Vania.pdf
(Acesso em 16/12/2010)
Autoras: Tânia Maris de AZEVEDO (Universidade de Caxias do Sul); Vania Morales ROWELL (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

Fonte: ABRAHÃO, Maria Helena Vieira; GIL, Gloria; RAUBER, Andreia Schurt (Orgs.). Anais do I Congresso Latino-Americano sobre Formação de Professores de Línguas. Florianópolis, UFSC, 2007.
http://www.cce.ufsc.br/~clafpl/12_Tania_Vania.pdf
(Acesso em 16/12/2010)

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UMA PROPOSTA DE LÍNGUA MATERNA INSTRUMENTAL PARA OENSINO FUNDAMENTAL
Tânia Maris de AZEVEDOUniversidade de Caxias do SulVania Morales ROWELLPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Resumo:
É inquestionável a relação existente entre a linguagem e a estruturação dopensamento. É inquestionável, também, que a linguagem, principalmente a verbal, é,senão o principal, um dos principais veículos de aquisição de conhecimento em todas asáreas. Diante disso, faz-se necessário repensar o ensino de língua materna no EnsinoFundamental, uma vez que o enfoque dado até hoje à disciplina de Língua Portuguesanão tem contribuído para facilitar a aprendizagem nas demais disciplinas que compõemo currículo desse nível de ensino. Assim, o que se propõe é redimensionar oplanejamento da disciplina de Língua Portuguesa, conferindo-lhe um caráterinstrumental na direção do desenvolvimento das competências lingüísticas atinentes àcompreensão e produção oral e escrita dos textos que servem de base para a aquisiçãode conhecimentos nas outras disciplinas curriculares do Ensino Fundamental, de 5ª a 8ªsérie. Conseqüência natural desse processo é a capacitação dos professores de línguamaterna – quer nas licenciaturas, quer em termos de formação continuada –, para quepossam atuar com eficácia no sentido da instrumentalização lingüística dos educandos,concebidos como sujeitos conhecedores que efetivamente são.
Palavras-chave: aquisição de conhecimento; ensino instrumental de língua materna; formação de professores.
Introdução
 O ensino de língua materna, hoje, parece estar um tanto desfocado em relação aoseu objetivo, principalmente no que se refere ao Ensino Fundamental: à metalinguagemé conferido o status de protagonista, quando deveria, no máximo, ser coadjuvante.O estudo da língua tem se reduzido à memorização de regras gramaticaisaplicadas a uma única modalidade, a língua escrita, em uma única variante, a padrão-culta. A língua é tratada como uma dobra sobre si mesma no sentido de que o estudo daestrutura e da forma é visto como suficiente e até mesmo essencial para que, comoconseqüência natural e necessária, o sujeito aprenda a produzir e compreendereficientemente textos/discursos reais, aqueles inseridos em situações cotidianas decomunicação, quer escolares, quer não. Obviamente, e a experiência é testemunha disto, essa conseqüência não é assimtão natural e, menos ainda, necessária. Muito pelo contrário, a “aprendizagem” dametalinguagem parece até distanciar o aprendiz das tarefas de compreensão leitora e deprodução de textos/discursos. O estudo da gramática normativa acaba por inibir elimitar a atividade de produção do aluno, pois este tem sempre a impressão de não saberescrever, como se a língua escrita fosse uma modalidade a que somente os grandes
 
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literatos têm acesso, longe, portanto, do uso corrente advindo de necessidadescotidianas. Tanto é assim que é comum ouvir, nos mais diversos meios e nas maisdiferentes profissões – inclusive na de professor –, profissionais afirmandocategoricamente não saber “colocar suas idéias no papel” e ter dificuldade para ler umtexto mais especializado e mais complexo.É preciso lembrar que a criança chega à escola como usuário da língua e comuma competência comunicativa de base já bastante desenvolvida em nível oral, além decontar com uma imaginação prodigiosa e extremamente fértil em termos depossibilidade de criação e potencialidade de aquisição de recursos lingüísticos paraaprimorar sua expressão verbal.A escola, na contramão desse processo, introduz a criança no mundo do códigoescrito, desprezando o que ela já domina lingüisticamente e impondo a ela um registrodesvinculado do seu contexto de uso. Unidades desprovidas de sentido – como letras,sílabas, palavras e mesmo orações – são trabalhadas num universo totalmente artificial,impondo ao sujeito aprendiz a condição do “não saber”, da plena ignorância, como se ofalante já não dominasse estruturalmente mecanismos básicos de uso da língua. Alíngua escrita é colocada ao aluno como uma ilustre desconhecida, sem qualquervínculo com a língua que ele já usa, e usa proficientemente em várias situaçõesenunciativas.Por outro lado, as demais disciplinas curriculares tratam a aquisição doconhecimento em suas áreas, cada uma no seu nicho, como retenção de conteúdostemáticos, de informações específicas, sem que haja consciência de que a
linguagem
é oprincipal veículo de interação, por meio da qual se dá a construção do conhecimento, e a
língua
a ferramenta maior de acesso às informações e de processamento/sistematizaçãodelas rumo à construção dos saberes.Essa falta de consciência faz com que os professores que atuam com as outrasdisciplinas que compõem o currículo do Ensino Fundamental não se percebam comotambém professores de língua materna, como se o processo de apreensão e apropriaçãodo conhecimento não fosse mediado pela língua.É nesse contexto que se circunscreve o presente trabalho cujo objetivo é o depropor uma abordagem instrumental para o ensino de Língua Portuguesa no EnsinoFundamental (mais especificamente, de 5ª a 8ª série), ou seja, uma abordagem queconceba a língua como “ferramenta” para a aquisição de conhecimentos em todas asáreas, desde o acesso à informação até a estruturação do pensamento e dos diferentesraciocínios que cada área impõe ao sujeito conhecedor.São diferentes textos, diferentes estruturas, diversos campos semânticos a seremdominados e mobilizados para que o sujeito possa transitar pelas várias áreas e pelosmúltiplos tipos de conhecimento. São requeridas do aprendiz diferentes habilidadeslingüísticas para a construção dos diversos saberes atinentes a cada forma de conhecer ecabe à escola, a cada professor e, mais especificamente, ao professor de língua maternaa instrumentalização lingüística do aluno para a construção do conhecimento.O que defenderemos aqui são algumas concepções acerca do ensino e do ensinode língua materna, algumas formas de conceber a
língua
como instrumento de interaçãohumana e mediadora da aquisição de conhecimentos. Portanto, não filiaremos estetrabalho a nenhuma teoria lingüística em especial, mas a determinadas posturas que,transpostas ao ensino, possam dar conta da real função da língua na construção doconhecimento. Se houver necessidade de explicitar alguns pressupostos teóricos,certamente, estes estarão vinculados às chamadas teorias enunciativas, pois cremos que
 
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o uso da língua e sua função na interlocução devam ser a tônica do processo educativoem se tratando do ensino da língua materna.Como já foi dito, o Ensino Fundamental não é lugar de discussõesmetalingüísticas e muito menos de prescrições gramaticais, mas, se o objetivo éproporcionar ao aluno situações que o levem a construir conhecimentos e formarconceitos, nesse nível de ensino, a língua portuguesa deve ser tratada desde os seusdiversos usos, quer em termos de leitura, quer de produção, e o aporte teórico que podealicerçar essa concepção de ensino só poderá ser aquele inscrito na perspectivaenunciativa da lingüística.Dados os limites desse estudo, não se tem a pretensão de propor soluçõesdefinitivas para o problema detectado, mas apenas elencar algumas reflexões quepoderão contribuir para que o ensino de língua materna assuma sua principal função noEnsino Fundamental: a de municiar o aprendiz com os mecanismos lingüísticosnecessários à compreensão e produção dos diversos gêneros discursivos presentes nocotidiano de qualquer cidadão e daqueles gêneros de que se valem as demais disciplinascurriculares para tratar o conhecimento.
1. Alguns conceitos de base
 No momento em que se concebe a
linguagem
como responsável pelaestruturação do pensamento, e a
língua
como veículo dessa estruturação e, portanto,como instrumento fundamental à aquisição de conhecimento, faz-se mister discutir,mesmo que breve e superficialmente – dadas as limitações impostas pela configuraçãodeste trabalho –, alguns conceitos que se põem na base de uma proposta de ensinoinstrumental da língua materna.Não há como pensar o ensino de língua sem pensar antes no ensino comoeducação formal. E falar sobre a educação formal requer uma breve reflexão sobre oconceito de
homem
em suas relações com os conceitos de
natureza
,
cultura
,
sociedade
.O homem só difere dos outros animais por ser capaz de, pela interação com seussemelhantes, agir sobre a natureza no sentido de transformá-la de acordo com suasnecessidades de sobrevivência e, também, por ser o único a preservar o fruto dessasconstantes transformações – a cultura – ao longo da história, para que as geraçõesfuturas possam se valer delas sem ter que refazer o caminho já trilhado.
O ser humano distingue-se dos outros animais e assume a condição de sujeito,principalmente, por ser o ÚNICO:
dotado de racionalidade, o que lhe possibilita abstrair, distanciar-se da “realidade” aponto de, por meio da percepção, compreensão, interpretação, representar-se erepresentar o mundo;
capaz de, por sua alteridade constitutiva, constituir-se na intersubjetividade e auto-referir-se, por meio da linguagem;
a manter sua identidade, independentemente das alterações físico-químicas, afetivas, depersonalidade, de caráter que ocorrem com ele ao longo da vida;
a poder refletir sobre si mesmo, pois é dotado de consciência – consciência esta que lhepermite inclusive ter consciência da existência de seu próprio inconsciente, de suaexperiência pessoal intransferível;

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