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Rodolfo Coutinho, o marxista que falava alemão (1903-1955)

Rodolfo Coutinho, o marxista que falava alemão (1903-1955)

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Apontamentos de uma pesquisa biográfica de um dos primeiros intelectuais a aderir ao PCB.
Apontamentos de uma pesquisa biográfica de um dos primeiros intelectuais a aderir ao PCB.

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Categories:Types, Research, History
Published by: Ricardo Figueiredo de Castro on Dec 22, 2010
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01/07/2013

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 Rodolfo Coutinho, o marxista que falava alemão (1901-1955): apontamentos biográficosRicardo Figueiredo de Castro
 RESUMONeste trabalho apresenta alguns apontamentos biográficos sobre o intelectualpernambucano Rodolfo de Morais Coutinho. Filho de uma rica e tradicional família deNazaré da Mata, bacharel em Direito pela tradicional Faculdade de Direito do Recife eum dos primeiros intelectuais marxistas a aderir ao Partido Comunista brasileiroparticipou do mais qualificado grupo de intelectuais comunistas que nos primeiros anosda década de 30 ainda militava no PCB, ou nele pretendia militar, mesmo depois doprocesso de expulsão ou submissão dos intelectuais, chamado de “proletarização”.Rodolfo Coutinho foi do céu ao inferno em menos de uma década na memória oficial doPCB: de membro destacado do grupo dirigente dos anos 20 a um dos responsáveis pela“cisão de 1928” e pelo surgimento do “trotskismo” no Brasil.ABSTRACTThis paper presents some biographical notes on the intellectual Rodolfo de MoraisCoutinho. Son of a wealthy and traditional family from Nazareth da Mata (Pernambuco),graduated in law from the traditional Law School of Recife and an early Marxistintellectual to join the Communist Party of Brazil (PCB) participated in the mostqualified group of Communist intellectuals in the early years of the 30s. RodolfoCoutinho, as it is known, was from heaven to hell in less than a decade in the officialmemory of PCB: from a prominent member of the ruling group of the '20s and the oneresponsible for winning the recognition of the party by the Comintern, to the oneresponsible for the "Division of 1928" and the emergence of "Trotskyism" in Brazil.PALAVRAS-CHAVEIntelectuais – marxismo - Rodolfo CoutinhoIntellectuals – marxism – Rodolfo Coutinho
Professor de História Contemporânea no Departamento de História da UniversidadeFederal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutor em História Social pela Universidade FederalFluminense (UFF).
 
 2Neste trabalho, apresento alguns apontamentos da pesquisa que empreendo no momentosobre um dos mais qualificados intelectuais brasileiros da geração nascida na primeiradécada do século XX: Rodolpho de Morais Coutinho, mais conhecido como RodolfoCoutinho.Esta pesquisa insere-se na perspectiva da história política, da história dos intelectuais e daesquerda brasileira. O estudo da trajetória de Rodolfo Coutinho contribui para enriquecero quadro mais amplo do processo de construção do espaço político dos intelectuais deesquerda.No início dos anos 90 quando elaborei minha dissertação de mestrado sobre as origens domovimento trotskista no Brasil fiquei impressionado com o grupo de jovens intelectuaisque dele participou. Diferentemente dos outros principais líderes, Mário Pedrosa e LívioXavier, não existiam disponíveis maiores informações biográficas sobre Rodolfo e elasnão existiam para além dos primeiros anos da década de 30. Era como se Rodolfo tivessedesaparecido.Fiquei ainda mais curioso quando no final dos anos 90, durante minhas pesquisas dedoutorado, descobri seu prontuário no Fundo das Polícias Políticas do Arquivo Públicodo Estado do Rio de Janeiro. Nele não havia muitas informações. Mas existiam doisbilhetes que ele havia escrito a seus “carcereiros-chefe” durante a sua prisão arbitrária noperíodo imediatamente posterior ao Levante Comunista de 1935. Estes bilhetesdemonstram a sua contida revolta com a prisão injustificada e sua preocupação com osustento de sua família, que dependia dos seus parcos rendimentos de professor.Essas poucas fontes me chamaram a atenção para as condições nas quais vivia etrabalhava um intelectual marxista brasileiro em meados do século XX, que viveu numconturbado período da história política brasileira no qual os intelectuais foram um atorpolítico relevante na sociedade brasileira.Esse pernambucano participou do mais qualificado grupo de intelectuais comunistas quenos primeiros anos da década de 30 ainda militava no PCB, ou nele pretendia atuar,mesmo depois do processo de expulsão ou submissão dos intelectuais, chamado de
 
 3“proletarização”. Rodolfo Coutinho foi do céu ao inferno em menos de uma década na“memória oficial” do PCB: de membro destacado do grupo dirigente dos anos 20 e umdos responsáveis pela conquista do reconhecimento do PCB pelo Comintern, a um dosresponsáveis pela “cisão de 1928” e pelo surgimento do “trotskismo” no Brasil. Suaimportância história só foi parcialmente resgatada pela historiografia acadêmica daesquerda brasileira, especialmente pelos primeiros trabalhos sobre as origens domovimento trotskista brasileiro.A vida de Rodolfo Coutinho é, assim, exemplo dos meandros da construção da memória,tanto a individual quanto a coletiva. Tão importante quanto o que e quem é lembrado,também é relevante aquilo e aqueles que são esquecidos. Igualmente fundamental naconstrução da memória é quem realiza o processo de recordar, quem cria os nexosfactuais e afetivos que ligam uma pessoa a um evento e estes a um processo históricoqualquer. A memória do movimento comunista no Brasil é precária e fragmentada.Muitos eventos e militantes praticamente desapareceram da memória política brasileira.Parte importante da memória individual dos antigos militantes não chegou a setransformar em memória coletiva. Muito dessa memória se perdeu e muito restapreservada apenas nos livros de memórias, nos depoimentos, nas biografias e nahistoriografia.A conturbada história política brasileira é certamente uma das responsáveis por esseprocesso de destruição de parte da memória das esquerdas, dos seus atores, sejam elesorganizações políticas, líderes sindicais, dirigentes partidários, intelectuais etc. Ailegalidade do PCB, ao longo da maior parte de sua história, impedia sua atuação livre elegal e, assim, diminuía sua visibilidade como organização no espaço público. Alémdisso, a repressão política que confiscava documentos do partido, empastelava seus jornais, prendia e condenava seus militantes e confiscava seus escritos, livros etc. tornavapraticamente impossível a manutenção dos arquivos partidários, tanto nacionais, quantolocais. Finalmente, mas não menos importante, o anticomunismo que existia desde osanos 20, amplifica-se depois do fracassado Levante Comunista de 1935, transforma-seem verdadeira histeria coletiva das elites dirigentes durante a Guerra Fria, legitimando a

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