A autoexpressão na internet é o entretenimento da nova era, dizArianna Huffington, cofundadora e chefe de redação do sitenorte-americano "The Huffington Post", referência no jornalismodigital, em debate realizado ontem na
Folha
.Isso explica, diz ela, o fato de que as pessoas atualizam verbetesna Wikipedia, publicam fotos e vídeos e comentam notícias deforma voluntária."Quando as pessoas ficavam sete horas no sofá assistindo a péssimos programas na TV, ninguém se perguntava por que elasfaziam isso sem ganhar nada", diz. "Expressar-se é um grandeentretenimento, uma forma de participar da vida, de se ver como parte da história do nosso tempo. É fantástico."
JORNALISTA CIDADÃO
Huffington contou que nas eleições presidenciais de 2008, 13 mil jornalistas cidadãos contribuíram com histórias. "Uma dashistórias, fruto de trabalho árduo e sorte, foi parar na capa donosso site", disse. O "HP" recebe em média contribuições de 4milhões de pessoas por mês, entre comentários, imagens ehistórias com informações.
CURADORIA EDITORIAL
O papel do editor na era do jornalismo cidadão, segundoHuffington, é servir como um curador do material geradoespontaneamente. "Mais do que nunca precisamos de editores para analisar todo esse conteúdo e selecionar o que pode entrar ou não." Na cobertura da crise do programa nuclear do Irã, o "HuffingtonPost" também atuou de forma diferenciada, publicando relatos de pessoas comuns via Facebook, Twitter, e fotos tiradas no celular."Nosso editor de internacional virou noites. Seu trabalho eracurar esses relatos. Nós nunca apresentamos a informação crua."Para Huffington, todo mundo pode ser jornalista nos temposatuais. Porém, diz, "nem todos serão bons jornalistas". Para ela, a busca pela verdade, a checagem de fatos, o senso de justiça e a precisão são valores do jornalismo, independentemente da plataforma.
JORNALISMO OBSESSIVO
O jornalismo on-line, diz Huffington, está mudando a forma deapresentar as grandes notícias. A mídia tradicional, segundo ela,introduz uma notícia e depois a abandona.Para gerar impacto na web, porém, ela acredita que o jornalismo precisa "manter os assuntos vivos de forma obsessiva",adicionando novos desdobramentos, estimulando leitores a
23/12/2010Folha de S.Paulo - Entrevista - Ariann……uol.com.br/fsp/…/me2312201019.htm2/4