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O que é o ordenamento jurídico?

O que é o ordenamento jurídico?

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Breves considerações sobre o ordenamento jurídico, à luz, sobretudo, do magistério de Tercio Sampaio Ferraz Jr.
Breves considerações sobre o ordenamento jurídico, à luz, sobretudo, do magistério de Tercio Sampaio Ferraz Jr.

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original

 
 1
O que é o ordenamento jurídico?
(Hidemberg Alves da Frota)
O que é o ordenamento jurídico?
1
 
 Hidemberg Alves da Frota
 http://tematicasjuridicas.wordpress.com O que significa ordenamento jurídico?Grosso modo, consiste em determinado plexo de normas
2
.Em termos mais elaborados, consubstancia sistema dinâmico, aberto
3
,coeso, heterogêneo e circular, composto de elementos normativos e nãonormativos, associados a regras estruturais, norteado pelas ideologias (de origeminterna ou externa) em voga naquele corpo coletivo
4
.O ordenamento jurídico se caracteriza como
sistema
, conjunto de contornos
identificáveis
(sabe-se o que está dentro e o que está fora), formado por
repertório
 (feixe de elementos normativos e não normativos interligados) e
estrutura
 (somatório de regras estruturais
5
e das relações por elas estabelecidas)
6
.
 Elementos normativos
são as normas jurídicas, parcela majoritária doordenamento jurídico e a única com poder coercitivo
7
.
1
Versão original deste artigo: FROTA, Hidemberg Alves da. O que é ordenamento jurídico?
Síntese Jornal
, SãoPaulo, v. 9, n. 102, p. 16-18, ago. 2005;
 Juris Plenum
, Caxias do Sul, v. 1, n. 99, p. 186.267-186.268, mar. 2008. 2CD-ROM. (Parte integrante da
 Revista Jurídica Juris Plenum
 
 — 
ISSN 1807-6017.) Parte deste texto integrou esteartigo: Id. Ordenamento jurídico e princípio da juridicidade no Direito Público.
 Revista Unicsul
, São Paulo, v. 11, n.13, p. 171-183, jun. 2006. Revisado em 25 de dezembro de 2010.
2
FERRAZ JR., Tercio Sampaio.
 Introdução ao estudo do direito:
técnica, decisão, dominação. 3. ed. São Paulo:Atlas, 2001, p. 171.
3
GRAU, Eros Roberto.
O direito posto e o direito pressuposto.
4. ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 22.
4
FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Op. cit., p. 171-193.
5
Ibid., p. 172.
6
Ibid., p. 172-173.
7
Ibid., p. 174.
 
 2
O que é o ordenamento jurídico?
(Hidemberg Alves da Frota)
 Elementos não normativos
se distinguem das definições normativas(imposições
compulsórias
), por constituírem orientações legais
 facultativas
,passíveis de excesso de estreiteza ou abrangência
8
. Exemplos
9
: orientação sobre oque é doação (art. 538, do CCB/02
10
); preâmbulos e exposições oficiais de motivos;ordem em que aparecem os enunciados do art. 4º, da LICC/42
11
; classificação legaldas coisas (art. 79
et seq.
do CCB/02)
12
.
 Regras estruturais
13
(as também denominadas
regras de
 
relacionamento
14
,
calibração
15
,
regulagem
16
ou
ajustamento
17
) plasmam critérios de classificaçãoorganizadores da matéria e apontam
relações de integração
, mas, tais quais oselementos não normativos,
não vinculam
18
. Exprimem os valores do
dever-ser 
e do
ser 
do sistema
19
e regulam as
relações de validade
mantidas entre suas normas
20
.Exemplos
21
: “critério hierárquico (
lex superior derogat inferiori
), critériocronológico (
lex posterior derogat priori
) e critério da especialidade (
lex specialisderogat generali
)”
22
.
8
Ibid., p. 171-172.
9
Ibid., loc. cit.
10
 
Art. 538. Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bensou vantagens para o de outra.
Cf. BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil.Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 7 jul. 2004.
11
 
Art. 4º Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípiosgerais de direito.
Cf. BRASIL. Decreto-Lei n. 4.657, de 4 de setembro de 1942. Decreta a Lei de Introdução aoCódigo Civil brasileiro. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 7 jul. 2004.
12
FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Op. cit., p. 171.
13
Ibid., p. 187.
14
TURA, Marco Antônio Ribeiro. O lugar dos princípios em uma concepção do direito como sistema.
 Revista deinformação legislativa,
Brasília, DF, v. 41, n. 163, jul.-set. 2004, p. 220. Disponível em:<http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/990/4/R163-15.pdf>. Acesso em: 25 dez. 2010.
15
FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Op. cit., loc. cit.
16
Ibid., loc. cit.
17
Ibid., loc. cit.
18
Ibid., p. 171.
19
Ibid., p. 188.
20
Ibid., loc. cit.
21
Ibid., p. 172-173.
22
GARCIA, Emerson; ALVES, Rogério Pacheco.
 Improbidade administrativa.
Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2002,p. 13.
 
 3
O que é o ordenamento jurídico?
(Hidemberg Alves da Frota)
Din
âmico (“tudo está em movimento”
23
) e aberto (“incompleto, evolui e semodifica”
24
), o ordenamento jurídico retrata a constante mudança de valores e dascircunstâncias fáticas a influírem sobre a vigência, eficácia e vigor
25
das normas jurídicas
26
.
O ordenamento jurídico, “estrutura circular de competências referidasmutuamente”
27
, não se reduz a uma única unidade hierárquica
28
. Em outras
 palavras, inexiste “norma a conferir 
-
lhe unidade”
29
, porquanto se escora em “sériesnormativas plurais”
30
. Enxerga-s
e na hierarquia legal “
uma
das estruturas
 possíveis
31
32
 
desse sistema dinâmico, capaz de “assumir outros padrões”
33
(
e
.
g
.,
“padrão
-efetividade, padrão-
legitimidade, padrão dos regimes de exceção”
34
).Nesse compasso, exemplifica Ferraz Jr.:
[...] o Supremo Tribunal Federal recebe do
 poder constituinte originário
 sua competência para determinar em última instância o sentido normativodas normas constitucionais. Desse modo, seus acórdãos ou norma cujavalidade decorre de uma norma constitucional de competência,configurando uma subordinação do STF ao
 poder constituinte originário
.No entanto, como o STF pode determinar o sentido de validade da próprianorma que lhe dá aquela competência, de certo modo, a validade danorma constitucional de competência do STF também depende de seus
23
FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Op. cit., p. 192.
24
GRAU, Eros Roberto.
O direito posto e o direito pressuposto.
4. ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 22.
25
Resumindo-se (do ângulo dogmático)
: “
[...] 2.
vigência
é uma qualidade da norma que diz respeito ao tempo devalidade, ao período que vai do momento em que ela entra em vigor (passa a ter força vinculante) até o momento emque é revogada, ou em que se esgota o prazo prescrito para sua duração; 3.
eficácia
é uma qualidade da norma que serefere à possibilidade de produção concreta de efeitos, porque estão presentes as condições fáticas exigíveis para suaobservância, espontânea ou imposta, ou para a satisfação dos objetivos visados (efetividade ou eficácia social), ouporque estão presentes as condições técnico-normativas exigíveis para sua aplicação (eficácia técnica); 4.
vigor 
éuma qualidade da norma que diz respeito a sua força vinculante, isto é, à impossibilidade de os sujeitos subtraírem-sea seu império, independentemente da verificação de sua vigência ou de sua efi
cácia.” (grifos do autor)
Cf. FERRAZJR., Tercio Sampaio. Op. cit., p. 199.
 
26
Ibid., p. 174.
27
Ibid., p. 185.
28
Ibid., loc. cit.
29
Ibid., p. 192.
30
Ibid., loc. cit.
31
Grifos do autor.
32
Ibid., loc. cit.
33
Ibid., loc. cit.
34
Ibid., loc. cit.

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