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[Transcrição] O Absurdo da Vida Sem Deus - William Lane Craig

[Transcrição] O Absurdo da Vida Sem Deus - William Lane Craig

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"O homem - escreve Loren Eisley - é o órfão cósmico." Ele é a única criatura no universoque
pergunta: “Por quê?"
Os outros animais têm instintos para guiá-los, mas o ser humanoaprendeu a fazer perguntas.
“Quem sou eu?”
- ele pergunta.
“Por que estou aqui? Paraonde estou indo?”
 Desde o iluminismo, quando o homem moderno se desvencilhou das amarras da religião,ele tentou responder a essas perguntas sem fazer referência a Deus. Mas as respostas quevieram não foram alegres, mas escuras e terríveis:
“Você é o subproduto acidental da
natureza, um resultado de matéria + tempo + acaso. Não há razão para a sua existência.
Tudo o que você tem pela frente é a morte.”
 O homem moderno pensou que, se livrando de Deus, ele havia se libertado de tudo que osufocava e reprimia. Em vez disso, descobriu que, ao matar Deus, ele apenas haviaconseguido se orfanar. Isso porque, se não há Deus, a vida humana é absurda. É semsignificado fundamental, sem valor fundamental e sem propósito fundamental. Eu gostariaque olhássemos cada um desses pontos nessa noite.
Primeiro, a vida é sem significado fundamental.
Se cada pessoa deixa de existir quandomorre, que sentido fundamental pode ser dado à sua vida? Realmente faz diferença se elaexistiu ou não? Pode ser dito que sua vida foi importante porque influenciou outros ouafetou o curso da história. Mas isso mostra apenas um significado relativo da sua vida, nãoum sentido fundamental. Se todos os acontecimentos são, no final, sem sentido, que sentidohá em influenciar qualquer um deles? A humanidade está destinada apenas a perecer naeventual morte incandescente do Universo. E, assim, as contribuições da ciência para osavanços do conhecimento humano, os esforços dos médicos para aliviar dor e sofrimento,os esforços dos diplomatas para manter a paz no mundo, os sacrifícios de pessoas boas nomundo todo para melhorar a sorte da raça humana, no final, tudo isso resulta em nada, nãofaz nenhuma diferença, nem um pouquinho. Por isso, a vida de cada pessoa não temsentido fundamental.E, se nossas vidas não têm sentido, as atividades com que as preenchemos também não têmsentido. As longas horas gastas em estudo na universidade, nossas amizades, nossosinteresses, nossos empregos, nossos relacionamentos - tudo isso é, em última análise,totalmente sem sentido. Esse é o horror do homem moderno: Por que ele acaba em nada,ele é nada.O homem do século vinte veio a compreender isso. Leia, por exemplo, a peça "À espera deGodot", de Samuel Beckett. Durante toda essa peça, dois homens ficam ocupados numaconversa trivial e tediosa, enquanto esperam chegar um terceiro, que nunca aparece! Enossas vidas são assim, Beckett está dizendo: Nós simplesmente matamos o tempo
 
esperando o quê? Não sabemos. Num trágico retrato do ser humano, Beckett escreveuoutra peça, em que a cortina se abre revelando um palco cheio de lixo. E, por trinta longossegundos, a platéia olha, em silêncio, para aquele lixo. Então a cortina se fecha. Isso é tudo.Os existencialistas franceses Jean-Paul Sartre e Albert Camus também compreenderam isso.Sartre retratou a vida em sua peça "Sem saída" como o inferno. A última linha da peça sãoas palavras de
resignação: “Bem, continuemos com isso”.
Por isso, Sartre escreve em outrotexto
sobre a “náusea da existência."
O homem, ele diz, está perdido em um barco semleme, num infinito mar. Camus também via a vida como absurda. A vida, ele disse, é comoum homem condenado pela eternidade a rolar uma rocha colina acima, só para vê-la rolarcolina abaixo de novo. De novo, de novo, de novo e de novo... No fim do seu curto romance"O Estranho", o herói de Camus descobre num lampejo de compreensão que a vida não temsentido e que não existe um Deus que lhe dê sentido. O bioquímico francês Jacques Monodpareceu ecoar esses sentimentos quando escreveu em sua obra "Acaso e necessidade":
“O
ser humano finalmente sabe que está
sozinho na indiferente imensidão do universo.”
 Portanto, se Deus não existe, a própria vida se torna sem sentido fundamental. O serhumano e o universo não têm sentido fundamental.
Segundo, a vida é sem valor fundamental.
Se a vida termina no túmulo, não faz diferençase você viveu como um Stalin ou como um santo. Como o escritor russo FiodorDostoievsky disse:
“Se não há imortalidade, todas as coisas são permitidas”.
Com basenisso, um escritor como Ayn Rand está totalmente correto em louvar as virtudes doegoísmo: Viva totalmente para si mesmo! Você não deve satisfações a ninguém! Naverdade, seria tolice viver de qualquer outra forma, porque a vida é curta demais paradesperdiçá-la agindo por algo que não seja interesse próprio. Sacrificar-se por outra pessoaseria burrice.Mas o problema torna-se ainda pior. Porque, mesmo que houvesse imortalidade, se não háDeus, não há um padrão absoluto de certo e errado. Tudo o que temos, nas palavras de Jean-Paul Sartre, é "o fato nu e sem valor da existência." Os valores morais são subprodutossocioculturais do processo evolutivo ou meras expressões de gosto pessoal. Num mundosem Deus, quem dirá quais valores são corretos e quais são errados? Quem julgará que osvalores de um Adolf Hitler são inferiores aos de uma Madre Teresa? O conceito demoralidade objetiva perde todo o sentido num universo sem Deus. Não pode haver certonem errado! Mas, isso significa que é impossível condenar guerra, opressão, brutalidade oucrime como maus. Pelo mesmo motivo, também não podemos louvar fraternidade,igualdade, amor e altruísmo como bons. Porque, em um universo sem Deus, bem e mal nãoexistem. Existe apenas "o fato nu e sem valor da existência," e não há ninguém para dizerque você está certo e eu errado.
E, terceiro, a vida é sem propósito fundamental.
Se a morte nos espera de braços abertosno fim do curso da nossa vida, para que fim ela foi vivida? Tudo foi a troco de nada? Nãohá razão para a vida? Não há propósito algum para a raça humana? Será que elasimplesmente desaparecerá algum dia perdida no esquecimento de um universoindiferente?O escritor inglês H. G. Wells anteviu essa perspectiva. Em seu romance "A máquina dotempo", o viajante no tempo de Wells avança para o futuro, para descobrir o destino do serhumano. Tudo o que ele encontra é uma Terra morta, com a exceção de alguns liquens e
 
musgos, orbitando um gigantesco sol vermelho. Os únicos sons são o sopro do vento e ogentil marulhar das ondas do oceano.
Com exceção desses sons sem vida, escreve Wells, o mundo estava em silêncio. Silêncio? Seriadifícil descrever como tudo estava quieto. Todos os sons do homem, o balido das ovelhas, ocanto dos pássaros, o zumbir dos insetos, a agitação que forma o pano de fundo das nossasvidas - tudo havia passado.
E assim o viajante no tempo de Wells voltou. Mas para o quê? Meramente, para um pontoanterior na mesma corrida sem propósito em direção ao esquecimento.Quando eu, ainda não cristão, li o livro de Wells,
pensei: “Não! Não! Não pode terminarassim!”
Mas essa é a realidade em um Universo sem Deus. Se não há Deus, o fim será esse,gostemos ou não: não há esperança, não há propósito.Isso me recorda dos versos assustadores de T.S. Eliot:
É assim que o mundo termina.É assim que o mundo termina.É assim que o mundo termina:Não com uma explosão, mas com um gemido.
 Se não há Deus, nossa vida não é qualitativamente diferente da de um cão. Sei que isso éduro, mas é verdade. Como disse o antigo escritor do livro de Eclesiastes:
O destino dos filhos dos homens e o destino das bestas é o mesmo. Como morre um, assimmorre o outro. Todos têm o mesmo fôlego de vida e nenhuma vantagem tem o homem sobreas bestas, porque tudo é vazio. Todos vão para o mesmo lugar. Todos procedem do pó e ao pótornarão.
Nesse livro, que se parece mais com uma peça da literatura moderna existencialista do quecom um livro da Bíblia, o autor mostra a futilidade de prazer, riqueza, educação, famapolítica e honra em uma vida destinada a terminar na morte. Qual é seu veredicto?
“Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade!”
 Se a vida termina no túmulo, não temos um propósito fundamental para viver.Espero que você comece a entender a gravidade das alternativas à nossa frente. Porque, seDeus não existe, tudo o que nos resta é o desespero. A vida não teria nem sentido, nemvalor, nem propósito. E é por isso que a pergunta da existência de Deus é tão vital para ahumanidade.
Infelizmente, a maioria das pessoas não parece perceber esse fato.
Por isso, elascontinuam cegamente em seu caminho como se nada tivesse mudado. Recordo-me dahistória contada por Friedrich Nietzsche, o grande ateu do século XIX que proclamou amorte de Deus. Nietzsche conta a história do louco que, nas primeiras horas da manhã,entra no mercado com um lampião na mão,
exclamando: “Procuro Deus! Procuro Deus!”
E,como muitos à sua volta não creem em Deus, ele provoca muitos risos. "Talvez Deus tenhasaído em uma viagem ou emigrado!", eles riem. Então, eles os provocam e zombam dele.Então, escreve Nietzsche, o louco para no meio deles e crava-lhes o olhar:
“Onde estáDeus?”, ele grita.
 
“Eu lhes di
rei. Nós o matamos, vocês e eu. Todos nós somos seusassassinos. Mas, como fizemos isso? Como pudemos beber o mar? Quem nos deu a esponja

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