musgos, orbitando um gigantesco sol vermelho. Os únicos sons são o sopro do vento e ogentil marulhar das ondas do oceano.
Com exceção desses sons sem vida, escreve Wells, o mundo estava em silêncio. Silêncio? Seriadifícil descrever como tudo estava quieto. Todos os sons do homem, o balido das ovelhas, ocanto dos pássaros, o zumbir dos insetos, a agitação que forma o pano de fundo das nossasvidas - tudo havia passado.
E assim o viajante no tempo de Wells voltou. Mas para o quê? Meramente, para um pontoanterior na mesma corrida sem propósito em direção ao esquecimento.Quando eu, ainda não cristão, li o livro de Wells,
pensei: “Não! Não! Não pode terminarassim!”
Mas essa é a realidade em um Universo sem Deus. Se não há Deus, o fim será esse,gostemos ou não: não há esperança, não há propósito.Isso me recorda dos versos assustadores de T.S. Eliot:
É assim que o mundo termina.É assim que o mundo termina.É assim que o mundo termina:Não com uma explosão, mas com um gemido.
Se não há Deus, nossa vida não é qualitativamente diferente da de um cão. Sei que isso éduro, mas é verdade. Como disse o antigo escritor do livro de Eclesiastes:
O destino dos filhos dos homens e o destino das bestas é o mesmo. Como morre um, assimmorre o outro. Todos têm o mesmo fôlego de vida e nenhuma vantagem tem o homem sobreas bestas, porque tudo é vazio. Todos vão para o mesmo lugar. Todos procedem do pó e ao pótornarão.
Nesse livro, que se parece mais com uma peça da literatura moderna existencialista do quecom um livro da Bíblia, o autor mostra a futilidade de prazer, riqueza, educação, famapolítica e honra em uma vida destinada a terminar na morte. Qual é seu veredicto?
“Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade!”
Se a vida termina no túmulo, não temos um propósito fundamental para viver.Espero que você comece a entender a gravidade das alternativas à nossa frente. Porque, seDeus não existe, tudo o que nos resta é o desespero. A vida não teria nem sentido, nemvalor, nem propósito. E é por isso que a pergunta da existência de Deus é tão vital para ahumanidade.
Infelizmente, a maioria das pessoas não parece perceber esse fato.
Por isso, elascontinuam cegamente em seu caminho como se nada tivesse mudado. Recordo-me dahistória contada por Friedrich Nietzsche, o grande ateu do século XIX que proclamou amorte de Deus. Nietzsche conta a história do louco que, nas primeiras horas da manhã,entra no mercado com um lampião na mão,
exclamando: “Procuro Deus! Procuro Deus!”
E,como muitos à sua volta não creem em Deus, ele provoca muitos risos. "Talvez Deus tenhasaído em uma viagem ou emigrado!", eles riem. Então, eles os provocam e zombam dele.Então, escreve Nietzsche, o louco para no meio deles e crava-lhes o olhar:
“Onde estáDeus?”, ele grita.
“Eu lhes di
rei. Nós o matamos, vocês e eu. Todos nós somos seusassassinos. Mas, como fizemos isso? Como pudemos beber o mar? Quem nos deu a esponja
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