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fernando pessoa

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Fernando Pessoa
Cancioneiro
Ciberfil Literatura Digital
 
1
 
 
 Versão para Adobe Acrobat Reader por Rodolfo S. CassacaMarço de 2002Permitida a distribuiçãoVisite nosso site:www.ciberfil.hpg.ig.com.br  ou mande-nos um e-mail: ciberfil@yahoo.com
2
 
 
 
Cancioneiro:
 
Nota Preliminar
 1.
 Em todo o momento de atividade mental acontece em nós um duplo fenômeno de percepção: ao mesmo tempo que tempos consciência dum estado de alma, temosdiante de nós, impressionando-nos os sentidos que estão virados para o exterior,uma paisagem qualquer, entendendo por paisagem, para conveniência de frases,tudo o que forma o mundo exterior num determinado momento da nossa percepção.
2.
Todo o estado de alma é uma passagem. Isto é, todo o estado de alma é não sórepresentável por uma paisagem, mas verdadeiramente uma paisagem. Há emnós um espaço interior onde a matéria da nossa vida física se agita. Assim umatristeza é um lago morto dentro de nós, uma alegria um dia de sol no nossoespírito. E — mesmo que se não queira admitir que todo o estado de alma é uma paisagem — pode ao menos admitir-se que todo o estado de alma se poderepresentar por uma paisagem. Se eu disser “Há sol nos meus pensamentos”,ninguém compreenderá que os meus pensamentos são tristes.
 
3.
 Assim, tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior e do nosso espírito, e sendo o nosso espírito uma paisagem, tempos ao mesmo tempo consciência deduas paisagens. Ora, essas paisagens fundem-se, interpenetram-se, de modo queo nosso estado de alma, seja ele qual for, sofre um pouco da paisagem queestamos vendo — num dia de sol uma alma triste não pode estar tão triste comonum dia de chuva — e, também, a paisagem exterior sofre do nosso estado dealma — é de todos os tempos dizer-se, sobretudo em verso, coisas como que “naausência da amada o sol não brilha”, e outras coisas assim. De maneira que aarte que queira representar bem a realidade terá de a dar através dumarepresentação simultânea da paisagem interior e da paisagem exterior. Resultaque terá de tentar dar uma intersecção de duas paisagens. Tem de ser duas paisagens, mas pode ser — não se querendo admitir que um estado de alma éuma paisagem — que se queira simplesmente interseccionar um estado de alma(puro e simples sentimento) com a paisagem exterior. [...]
 
3
 

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