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Ernst Mayr - 10. Que Perguntas Faz e Ecologia

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QUE PERGUNTAS FAZ A ECOLOGIA?
Ernst Mayr 
Pág 278
10. Que perguntas faz a ecologia?
Dentre todas as disciplinas biológicas, a ecologia é a maisheteronea e também a mais completa. Quase todo mundoconcordaria que ela lida com as interações entre os organismos eseu ambiente vivo e não-vivo, mas essa definição é ampla demais.Qual é, então, o objeto da ecologia?
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O termo “ecologia” foi cunhado por Haeckel em 1866, para definir “a casa da natureza”. Em 1869, ele propôs uma definição maiselaborada:
Por ecologia queremos dizer o corpo de cinhecimento que dizrespeito à economia da natureza – a investigação das relaçõestotais do animal, tanto com seu ambiente orgânico quanto como inorgânico, incluindo, acima de tudo, suas relações amigáveisou não com os animais e plantas com os quais ele travacontato, direta ou indiretamente – em uma palavra, a ecologia éo estudo de todas as complexas inter-relações às quais Darwinse referiu como as condições para a luta pela sobrevivência.
Pág 279Apesar desse batismo por Haeckel, a ecologia só veio a se tornar um campo verdadeiramente ativo de investigação por volta de 1920;a fundação de sociedades ecológicas e de periódicos profissionaisdedicados à ecologia é ainda mais recente. Mas, olhando a ecologiade outro ponto de vista, ela nada mais é que uma “história naturalautoconsciente”, como um ecólogo a chamou uma vez, e ointeresse na história natural recua até o homem primitivo.
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Qualquer coisa de que se ocupe o naturalista história de vida,comportamento reprodutivo, parasitismo, combate a inimigos eassim por diante – é automaticamente de interesse do ecólogo.UMA BREVE HISTÓRIA DA ECOLOGIADesde Aristóteles até Lineu e Buffon, a história natural foi emgrande parte descritiva, mas o inteiramente. Além de suas
 
observões, os naturalistas também fizeram comparões esugeriram teorias explicativas que geralmente refletiam o
Zeitgeist.
A grande era da história natural foi o período que compreendeu oséculo XVIII e a primeira metade do XIX, e a ideologia dominanteera a teologia natural.De acordo com essa visão de mundo, tudo na natureza está emharmonia, porque Deus não permitiria que fosse diferente. A lutapela sobrevivência era benigna, programada para manter oequilíbrio da natureza. Mesmo que cada casal de pais produzisseum número excessivo de filhotes, eles eram reduzidos ao númeronecessário para sustentar uma população em equilíbriodemográfico. Os fatores responveis por essa redução nosmeros em cada geração consistiam em causas climáticas,predação, doenças, falha em se reproduzir com sucesso e assimpor diante. A natureza, para o teólogo natural, operava como umaquina bem programada. Em última análise, tudo podia seatribuído à benevolênciaPág 280do Criador. Essa visão de mundo é refletida nos escritos de Lineu,William Paley e William Kirby.Gilbert White, vigário de Selborne, é talvez o naturalista maisconhecido do mundo de língua inglesa do século XVIII, mas ahistória natural também prosperou no resto da Europa.
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No entanto,com a derrocada da teologia natural em meados do século XIX e,de forma mais generalizada, com o cientificismo cada vez maisforte, uma história natural descritiva já não era mais adequada. Ahistória natural precisava se tornar explanatória. Ela continuou afazer o que fizera sempre – observar e descrever –, mas, ao aplicar outros todos às observões (comparação, experimento,conjecturas, teste de teorias explicativas), acabou por setransformar na
ecologia
.Houve duas grandes influências no desenvolvimento subseqüentedessa disciplina: o
fisicalismo
e a
evolução
. O alto prestígio da físicacomo ciência explicativa conduziu a esfoos para reduzir osfenômenos ecológicos a fatores puramente físicos. Isso começoucom a geografia vegetal ecológica de Alexander von Humboldt(1805), na qual a importância fundamental da temperatura eraapontada como um fator que controlava a composição davegetação tanto em termos de latitude quanto de altitude (ver abaixo). Seu trabalho pioneiro foi expandido por C. Hart Merriam(1894) em seu esforço para explicar as zonas de vegetação nomonte San Francisco, no norte do Arizona, como sendo resultantes
 
da temperatura. Os geógrafos de plantas europeus enfatizaram damesma forma a importância dos fatores físicos, em especial atemperatura e a umidade.A segunda maior influência sobre a ecologia foi a publicação de
 AOrigem das espécies.
Darwin refutou completamente a teologianatural e explicou os fenômenos da natureza por meio de conceitoscomo competão, exclusão de nicho, predação, fecundidade,adaptação, coevolução e assim por diante. Ele simultaneamentePág 281rejeitou a teleologia, reconhecendo a aleatoriedade do destino depopulações e espécies. A natureza, na visão de Darwin e dosecólogos modernos, é algo inteiramente diferente do mundocontrolado por um Deus dos teólogos naturais.Depois de Darwin, todas as adaptões fisiológicas ecomportamentais dos organismos – para seus modos especiali-zados de vida ou para os ambientes especializados nos quais elesvivem – passaram a ser corretamente considerados de interesse daecologia. Algumas das perguntas sicas que os ecólogoscomeçaram a fazer foram: Por que existem tantas espécies? Comoessas espécies dividem entre si os recursos do ambiente? Por quea maioria dos ambientes é relativamente estável a maior parte dotempo? O bem-estar e a densidade populacional de uma espéciesão controlados mais por fatores físicos ou por fatores bióticos – asoutras escies com as quais ele convive? Que propriedadesfisiológicas, comportamentais e morfológicas permitem a umaespécie lidar com o seu ambiente?
Ecologia hoje
A ecologia moderna e suas controvérsias podem ser subdivididasem três categorias: a ecologia do indivíduo, a ecologia da espécie(autecologia e biologia de populações) e a ecologia dascomunidades (sinecologia e ecologia de ecossistemas).Tradicionalmente, os zoólogos se concentraram em problemasautecológicos e os botânicos, em problemas sinecológicos. Harper (1977) foi um dos primeiros botânicos, se não o primeiro, a estudar nas plantas os mesmos problemas autecológicos de que se haviamocupado os zoólogos. Mas mesmo hoje a ecologia das plantasainda é, no geral, um campo bastante diferente da ecologia animal.E uma ecologia de fungos e procariontes praticamente não existe,ao menos não sob essa designação.
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