Há pouco, biólogos brasileiros e britânicos observaram que namaior parte dos rios da América do Sul tem sido frequente encontrargrupos de pequenos cascudos – os chamados “limpa fundo” – que, àprimeira vista, parecem iguais, mas, apesar de muito parecidos, nãopertencem à mesma espécie.Esses peixes são como os partidos no Brasil: quando não sãoexatamente a mesma coisa, dão um jeito de ir aos palanques dooportunismo trajando as mesmas cores simbólicas boladas pelosmarqueteiros eleitorais.Segundo a pesquisa sobre os cascudos, ainda que eles tenhampadrões e cores praticamente idênticas, pertencem a até três ou maissiglas, digo, espécies diferentes. Teriam eles copiado os descaradospartidos políticos brasileiros?Os cascudos sofrem, nesse caso, o mimetismo Mülleriano, peloqual os exemplares são tanto modelos como imitadores. Adotampadrões e cores semelhantes para se defender dos predadores.A convivência entre as espécies é notável, segundo os cientistas:sequer competem por alimentos, tamanha se torna sua identidade,embora as “siglas”, ou seja, as linhagens genéticas, permaneçam asmesmas.
Sua agenda é idêntica: é o tal “desenvolvimentismo”.Com ela, seus programas e princípios são soterrados por financiamentos de campanha, aliançasespúrias e uma enorme capacidade para conciliar, bajular e negociar apoio porempreguinhos na máquina oficial.
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