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 Partidos no Brasil são cascudos miméticos
Alceu A. Sperança
É estranho como não deram uma coroa de rei ao Cabral.Para haver uma coligação, na presunção de que ela inspire umgoverno de coalizão, seria preciso haver alguma identidade entre osparticipantes. No mínimo, que cada qual ceda algo em favor dosdemais integrantes do arranjo.Seria oportuno que algum lente, profeta, nume tutelar ou serdotado de divina sapiência esclarecesse o que, afinal de contas, podehaver de identidade, a mais remota que seja, entre PP e PCdoB edestes com os demais 14 partidos com os quais celebraram essaesquisitíssima “osmose” fluminense.A resposta é óbvia: nenhuma identidade a não ser um descaradooportunismo eleitoral. É coisa vergonhosa, mas fazem isso cantandoo Hino Nacional e gritando palavras de ordem... Os pepistas epetebistas não se atrevem a entoar “A Internacional”, mas há“comunistas e “socialistas” que se derramam em fartos elogios aosneoliberais sustentados pelas “ideias” do FMI e do Banco Mundial.Para duas dezenas de partidos se coligar numa chapa comcandidato a governador e vice do mesmo partido (PMDB), só aóbvia resposta do oportunismo eleitoral não basta. Há algo mais: amesmice entre esses partidos.
Quando se reelegeu para o governo do Rio de Janeiro, em 2010, SérgioCabral foi apoiado por uma imensa coligação, formada por nada menosque 16 partidos: PMDB / PT / PP /  PDT / PTB / PSL / PTN / PSC / PSDC  / PRTB / PHS / PMN / PTC / PSB /  PRP / PC do B... ufa!
 
 
 Há pouco, biólogos brasileiros e britânicos observaram que namaior parte dos rios da América do Sul tem sido frequente encontrargrupos de pequenos cascudos – os chamados “limpa fundo” – que, àprimeira vista, parecem iguais, mas, apesar de muito parecidos, nãopertencem à mesma espécie.Esses peixes são como os partidos no Brasil: quando não sãoexatamente a mesma coisa, dão um jeito de ir aos palanques dooportunismo trajando as mesmas cores simbólicas boladas pelosmarqueteiros eleitorais.Segundo a pesquisa sobre os cascudos, ainda que eles tenhampadrões e cores praticamente idênticas, pertencem a até três ou maissiglas, digo, espécies diferentes. Teriam eles copiado os descaradospartidos políticos brasileiros?Os cascudos sofrem, nesse caso, o mimetismo Mülleriano, peloqual os exemplares são tanto modelos como imitadores. Adotampadrões e cores semelhantes para se defender dos predadores.A convivência entre as espécies é notável, segundo os cientistas:sequer competem por alimentos, tamanha se torna sua identidade,embora as “siglas”, ou seja, as linhagens genéticas, permaneçam asmesmas.
Sua agenda é idêntica: é o tal “desenvolvimentismo”.Com ela, seus programas e princípios são soterrados por financiamentos de campanha, aliançasespúrias e uma enorme capacidade para conciliar, bajular e negociar apoio porempreguinhos na máquina oficial.

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