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Resenha do filme “O que é isso, companheiro?"

Resenha do filme “O que é isso, companheiro?"

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Published by Arthur Jacob
Para a disciplina Comunicação, Espetáculo e Cultura, do professor Paulo Oneto. ECO-UFRJ, dezembro de 2010.
Para a disciplina Comunicação, Espetáculo e Cultura, do professor Paulo Oneto. ECO-UFRJ, dezembro de 2010.

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06/27/2013

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIROESCOLA DE COMUNICAÇÃODisciplina: Comunicação, Espetáculo e Cultura – Prof. Paulo OnetoAluno: Arthur Arruda Collis Jacob – DRE 108021247 ____________ 
O QUE É ISSO, BRUNO BARRETO?
Um filme de ação, com cenas de seqüestro e perseguição, chamado “Four Daysin September” e cujo pôster é uma mira telescópica apontada para a cabeça de um ator americano. Nenhum problema.... se esse filme são fosse “O que é isso, companheiro?”. Na linguagem dos trailers de cinema, diria-se que o filme de Bruno Barreto é
baseado
na obra homônima de Fernando Gabeira. Mas o mais correto talvez seja dizer apenas que o filme e o livro tratam do mesmo evento, sem estabelecer uma relação deinspiração, já que é essa relação que esvazia todo o conteúdo que eventualmente pudesse ser extraído do filme.“O que é isso, companheiro?” (1997) usa um episódio político – o seqüestro doembaixador americano Charles Elbrick, em setembro de 1969, no Rio de Janeiro – como pano de fundo para um filme que pode ter várias características, menos a de umfilme potico. Ora Barreto parece pender para o lado ditico, com diálogosexplicativos que na realidade não fariam sentido nenhum, ora parece pender para umcinema de exportação, a começar pela escalação de atores americanos e pelos estúdiosestrangeiros envolvidos na produção.E não haveria qualquer problema se “O que é isso, companheiro?fosseassumidamente didático ou de exportação. O filme pode ser um bom complemento paraas aulas de história dos colégios e, para o público estrangeiro que desconhece a históriado Brasil, é só mais um filme de ação qualquer. Mas o filme se vender sob o mesmotítulo do livro de memórias de Fernando Gabeira é praticamente como a Nestlé vender um achocolatado de Alpino que “não contém chocolate Alpino”. Como uma “referênciade sabor” ou, na linguagem popular,
 propaganda enganosa
.É difícil compreender o que se passou na cabeça do companheiro Bruno Barretodurante a produção do filme. É difícil acreditar que o resultado final era exatamente oque Barreto pensava desde o início, porque a impressão que se tem é que nem ele sabiao que desejava. A falta de rumo certamente contribuiu para que o conteúdo do filmefosse se esvaziando a cada fase do projeto. Partindo da inspiração inicial – o livro – eseguindo pelo roteiro, pela escalação dos atores, pelas escolhas estéticas e pela
 
montagem final, toda a substância da obra se perdeu, como se fosse a chuva levandoabaixo uma montanha desmatada.Analogias à parte, o que faltou em “O que é isso, companheiro?” foi o cultivo deuma linha ideológica. Apesar do longo tempo entre a idéia inicial – surgida com olançamento do livro – e a realização do filme, Barreto parece ter se afobado na escolhade um conceito, de um foco, tendo expandido a abrangência do filme durante a pré- produção ou mesmo na fase de produção, e depois se vendo obrigado a podar essesgalhos, eventualmente até por temer a reação dos parceiros estrangeiros a um filme queassumisse, ainda que levemente, uma corrente política (em outras palavras, um filmeque se posicionasse claramente, mas não radicalmente, à esquerda).O resultado desse processo de “deixar crescer e depois cortar tudo por igual” éum filme gerico, alienado, que, o fossem as características diticas e deexportação tratadas anteriormente, seria um grande nada, sem qualquer utilidade. Umfilme que fala, fala e fala pra não dizer nada. Se era pra ser assim, que pelo menosescolhesse outro nome. Se as referências não fossem tão óbvias – o título e a (estranha)exibição isolada do nome de Gabeira em uma cena –, talvez fosse mais “confortável”acreditar que o filme e o livro têm o mesmo tema apenas por coincidência.Um dos “galhos” que ficaram pela metade é a sub-trama do torturador que, nomeio de uma sessão de tortura, liga para a esposa para avisar que vai “chegar maistarde” e tem medo de revelar a ela o seu trabalho. A forma superficial como essahistória é apresentada no filme, desprovida de qualquer relação com uma rede maiscomplexa e macabra e sem grande relevância para o resto do enredo, acaba por desnecessariamente humanizar a figura do torturador. Não é algo essencial e, pior doque não ajudar, acaba atrapalhando.Esse e outros exemplos acabam por expor como a ditadura e a tortura ainda sãotabus na história do Brasil. Barreto certamente não faria um filme tão ambíguo sobre...vejamos, o nazismo. “Ei, vamos com calma, talvez um torturador nazista preciseinventar uma desculpa pra dizer pra esposa que vai chegar em casa tarde, porque temvergonha de dizer o que realmente faz. Um detalhe tão humano como esse é o toquesentimental que precisamos dar a um filme com um contexto tão sinistro, é uma parteimportante para compreender a história.” Essas aspas certamente nunca vioacompanhadas de um autor, porque frases assim nunca serão ditas. Mas, quando se tratada ditadura militar brasileira, parece não haver problema.
“Não foi nada demais,
 podemos ceder o espaço para outras questões,” é a impressão que se passa.

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