7Rev. FAE, Curitiba, v.4, n.3, p.7-12, set./dez. 2001
De acordo com
DOSI
(1988), embora oseconomistas que estudam o crescimento econômicoconcordem que, no longo prazo, a ampliação daprodutividade está associada à introdução e difusão deinovações técnicas e organizacionais, apenas Marx eSchumpeter têm a inovação no núcleo de suas teorias.Marx aponta no
Manifesto Comunista
a necessidadeda existência constante de novos processos e produtospara a manutenção do sistema capitalista. Para ele, aburguesia não conseguiria existir sem uma constantetransformação do processo produtivo. Schumpeter,assim como Marx, argumenta que a continuidade doprocesso de inovação é vital para o amadurecimentodas economias capitalistas. A diferença crucial na visãodesses autores está na formação e obtenção do lucro.Para Schumpeter, o lucro não vem da exploração, damais valia, tampouco da ação do poder político e socialda classe capitalista, como afirma Marx, mas sim dacapacidade de inovação, do espírito empreendedor doempresário capitalista.A habilidade e a iniciativa do empreendedor sãocapazes de moldar um ambiente, de propiciar novasdescobertas dos cientistas e inventores, pois criamnovas oportunidades para o investimento, para ocrescimento. (
FREEMAN
, 1994).Hoje os economistas que seguem o pensamentode Schumpeter tentam estruturar com requinte, oumelhor, com modelos matemáticos e econométricos, suaconcepção a respeito da importância da inovação e datecnologia para o crescimento econômico
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. Na grandemaioria, rejeitam e criticam o modelo de crescimentosimplista de Solow, que tem a inovação tecnológica comoum fator residual
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. Numa tentativa de suprimir essa falha,os novos teóricos do crescimento tentam explicar aelevação do produto desmembrando o resíduo, dandoênfase a variáveis como: economia de escala, gastosem
P&D
, formação de capital humano e investimentopara difusão, promoção e incentivo à inovaçãotecnológica. (
FREEMAN
, 1994;
DOSI
et al., 1988).O pensamento schumpeteriano defende oemprego da inovação na evolução e configuração dasestruturas industriais. Tanto na
Teoria do Desenvolvimento Econômico
, de 1911, quanto na obra
Capitalismo, Socialismo e Democracia
, de 1942,Schumpeter trata a introdução e difusão de inovaçõescomo um processo que resulta no crescimentodiferenciado por parte das firmas. A dinâmica domercado ocorre mediante um processo de seleçãonatural, ou seja, os produtores que não conseguemacompanhar a velocidade e a direção do progressotécnico são expulsos ou incorporados pelosconcorrentes.No modelo neo-schumpeteriano, o comportamentodas firmas é explicado pela rotina, busca e seleção. Éum processo não estático, contrariamente ao que pregaa teoria microeconômica clássica. Para os pesquisadoresdessa corrente, os desenvolvimentos técnicos a partirde uma descoberta revolucinária não são previsíveis,são eventos aleatórios que dependem, também, daestratégia de competição das firmas. Algumas firmasutilizam-se de uma combinação de fatores, como aestrutura da indústria na qual está inserida e as políticasde P&D do governo, para ter acesso às novastecnologias e continuarem “vivas” no mercado em queatuam. Nesta linha de raciocínio, têm-se as teorias sobre
demand-pull
e
technology push
, que apesar da forteinfluência do
mainstream
consideram a inovaçãotecnológica como fator preponderante. (DOSI et al.,1988;
NELSON
e
WINTER
, 1982).A teoria sobre
demand-pull
classifica as forçasde mercado como principais determinantes doprogresso técnico e estabelece o reconhecimento dasnecessidades das unidades produtivas do mercado emfunção de supri-las por meio de suas atividadestecnológicas. Já a teoria do
technology push
define atecnologia como fator autônomo, sem sofrer influênciado mercado. Assim, assume que o progresso técnico ea inovação são basicamente um mecanismo reativo eos fatores do lado da oferta apresentam independênciano curto prazo às mudanças de mercado. (DOSI, 1984).A influência de Schumpeter também pode sernotada nos modelos de crescimento endógeno, que têmcomo característica principal a noção de equilíbrio edestaca o papel da mudança tecnológica e seus efeitosna evolução da estrutura econômica. Tais modelosdefinem a inovação tecnológica e seus efeitos comoum processo endógeno e procuram explicar asustentação do crescimento por meio de fatoresexternos e retornos ligados à tecnologia e investimentosem P&D, a partir modelos de concorrência imperfeita.(
ROMER
, 1994).Para os adeptos do paradigma cepalino, da teoriada dependência, o atraso econômico dos países daperiferia está relacionado à questão tecnológica,denotando a insipiência do setor de bens de capital,pois nos países centrais a inovação tecnológica ocorreprimordialmente neste setor. (
CARDOSO
e
FALETO
,1970;
GOLDENSTEIN
, 1994).
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