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Rev. FAE, Curitiba, v.4, n.3, p.5-12, set./dez. 20015
ResumoResumoResumoResumoResumo
Este artigo visa discutir o papel da inovação tecnológica no crescimentoeconômico das nações, assim como a importância dos Sistemas Nacionaisde Inovação diante de uma economia globalizada. Procura-se, ademais,vislumbrar a situação da América Latina no tocante à política de incentivoe capacitação tecnológica frente aos arranjos institucionais e políticosdesenvolvidos nos países centrais.
Palavras-chave
: inovação tecnológica; crescimento econômico; sistemanacional de inovação.
AbstractAbstractAbstractAbstractAbstract
This paper aims at to argue the role of technological innovation in thenations economic growth, as well as the importance of the NationalSystems of Innovation facing a globalized economy. It mainly emphasizesthe situation in Latin America regarding the incentive politicy andtechnological qualification front to the institutional and political arrangementsdeveloped in the central countries.
Key words
: technological innovation; economic growth; national systemof innovation.
Gilson Batista de Oliveira*
*Economista, Mestre em Desen-volvimento Econômico pela UniversidadeFederal do Paraná (UFPR). Professor da
FAE
Business School.E-mail: gilbat@ig.com.br
Algumas ConsiderAlgumas ConsiderAlgumas ConsiderAlgumas ConsiderAlgumas Considerações sobrações sobrações sobrações sobrações sobre Inoe Inoe Inoe Inoe Inovvvvvação Tação Tação Tação Tação Tecnológica,ecnológica,ecnológica,ecnológica,ecnológica,Crescimento Econômico e Sistemas Nacionais de InovaçãoCrescimento Econômico e Sistemas Nacionais de InovaçãoCrescimento Econômico e Sistemas Nacionais de InovaçãoCrescimento Econômico e Sistemas Nacionais de InovaçãoCrescimento Econômico e Sistemas Nacionais de InovaçãoAlgumas ConsiderAlgumas ConsiderAlgumas ConsiderAlgumas ConsiderAlgumas Considerações sobrações sobrações sobrações sobrações sobre Inoe Inoe Inoe Inoe Inovvvvvação Tação Tação Tação Tação Tecnológica,ecnológica,ecnológica,ecnológica,ecnológica,Crescimento Econômico e Sistemas Nacionais de InovaçãoCrescimento Econômico e Sistemas Nacionais de InovaçãoCrescimento Econômico e Sistemas Nacionais de InovaçãoCrescimento Econômico e Sistemas Nacionais de InovaçãoCrescimento Econômico e Sistemas Nacionais de Inovação
 
6
IntrIntrIntrIntrIntroduçãooduçãooduçãooduçãoodução
No cenário de crescente interdependênciafinanceira e produtiva, de globalização, as teorias sobrecrescimento econômico têm sido altamente debatidas.Contudo, o ponto mais controverso deste debate estácentrado na questão tecnológica. É consenso nasCiências Econômicas que a inovação tecnológica éessencial para a manutenção do crescimento. Porém,o ambiente ideal para o desenvolvimento dacapacitação, difusão e inovação tecnológica, não é,ainda, consenso entre os economistas. Muitosdefendem um sistema globalizado em detrimento dossistemas nacionais de inovação.No intuito de elucidar essa questão, procura-sediscutir aqui a contribuição da capacitação técnica eda inovação para o crescimento das nações, bem comoo papel dos Sistemas Nacionais de Inovação nesteprocesso. Ademais, é feito um breve estudo sobre asituação da América Latina.
InovaInovaInovaInovaInovação tecnológica como fatorção tecnológica como fatorção tecnológica como fatorção tecnológica como fatorção tecnológica como fatorde crescimento econômico: umade crescimento econômico: umade crescimento econômico: umade crescimento econômico: umade crescimento econômico: umabreve revisãobreve revisãobreve revisãobreve revisãobreve revisão
A conceituação mais usual de tecnologia estáassociada a materiais, ferramentas, técnicas e processos.Porém, em termos econômicos, a tecnologia deve serencarada como o conhecimento humano aplicado paraampliar a produção
1
. Para aplicar o conhecimento àprodução, a nação ou região deve possuir mão-de-obracapacitada, ou seja, deve propiciar um ambiente capazde criar e manter a capacitação tecnológica.Capacitação tecnológica é um conjunto que englobadesde habilidade individual até capacidade de integraçãoe sinergia das firmas, envolvendo perícia, especialidadetécnica, gerencial e institucional. Portanto, depende,dentre outras coisas, de educação e treinamento. É porintermédio da capacitação que uma nação ou regiãopoderá assimilar os novos conhecimentos e aplicá-los àprodução, assim como poderá criar um ambientefavorável à inovação tecnológica.A influência do fator econômico está vinculadadiretamente à tecnologia, pois, na existência deoportunidades tecnológicas, os agentes econômicostendem a reagir ou antecipar as mudanças nos preçosrelativos e nas condições de demanda, procurandonovos produtos e processos dentro dos limitestecnológicos. (
DOSI
et al., 1988).O fator tecnológico é imprescindível para avitalidade da economia. A inovação tecnológica éresponsável pelo rompimento e/ou aperfeiçoamento dastécnicas e processos de produção. Pode, desta forma,trazer ganhos em termos de competitividade.A forte influência das inovações tecnológicas nocrescimento econômico não é direta, mas pela parcelanão explicada pelo capital e pelo trabalho. É representadapela melhoria da qualidade das máquinas e equipamentosutilizados, elevando a produtividade da mão-de-obraempregada e o crescimento do produto e do emprego,por meio do retorno do investimento, assegurando oslucros, que estimulam a ação empresarial, a produção ea adoção de novas tecnologias.Neste contexto têm-se a inovação radical e ainovação incremental
2
. A inovação radical rompe ouencerra um paradigma para dar início a outro. Já ainovação incremental acresce novos pontos ao padrãoanterior, sendo capaz de diferenciar e melhorar umparadigma existente. Esta pode ser melhor vislumbrada,por exemplo, na indústria aeronáutica. Desde a invençãodo avião, até os nossos dias, nada ocorreu de radical. Oprincípio da máquina ainda é o mesmo, sendo que asinovações que ocorreram serviram para melhorar eaperfeiçoar o aparelho.A busca pela inovação é uma variável constantepara as firmas continuarem crescendo e permaneceremcompetitivas.
WINTER
(1984) descreve três fases queenvolvem esse processo de busca: imitação, padrõesextramuros e padrões intramuros Na primeira fase, afirma tem a sua mudança de rotina baseada no modelode uma concorrente engajada no mesmo tipo deatividade. Esse procedimento implica um acesso fácilàs novas tecnologias de processo e de produto oumesmo à nova estrutura organizacional. Na segundafase (padrões extramuros), a firma inova com basenos conhecimentos adquiridos fora da indústria à qualpertence. A firma adquire conhecimento por intermédiodas pessoas que contrata, cabendo a si própria utilizá-lo de forma eficiente e alcançar os ajustes desejáveis.Há, também, o caso da firma cuja única tarefa é fazerpequenas adaptações para utilizar um procedimentoinovador que foi desenvolvido por outras empresas.Na terceira fase (padrões intramuros), a firmadesenvolve internamente as idéias necessárias paraaperfeiçoar seu funcionamento. No caso de grandesfirmas, a inovação é desencadeada nos laboratóriosde Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) existentes.Nesta fase, a mudança de técnicas e processos dependediretamente do montante dos gastos em P&D.
 
7Rev. FAE, Curitiba, v.4, n.3, p.7-12, set./dez. 2001
De acordo com
DOSI
(1988), embora oseconomistas que estudam o crescimento econômicoconcordem que, no longo prazo, a ampliação daprodutividade está associada à introdução e difusão deinovações técnicas e organizacionais, apenas Marx eSchumpeter têm a inovação no núcleo de suas teorias.Marx aponta no
 Manifesto Comunista
a necessidadeda existência constante de novos processos e produtospara a manutenção do sistema capitalista. Para ele, aburguesia não conseguiria existir sem uma constantetransformação do processo produtivo. Schumpeter,assim como Marx, argumenta que a continuidade doprocesso de inovação é vital para o amadurecimentodas economias capitalistas. A diferença crucial na visãodesses autores está na formação e obtenção do lucro.Para Schumpeter, o lucro não vem da exploração, damais valia, tampouco da ação do poder político e socialda classe capitalista, como afirma Marx, mas sim dacapacidade de inovação, do espírito empreendedor doempresário capitalista.A habilidade e a iniciativa do empreendedor sãocapazes de moldar um ambiente, de propiciar novasdescobertas dos cientistas e inventores, pois criamnovas oportunidades para o investimento, para ocrescimento. (
FREEMAN
, 1994).Hoje os economistas que seguem o pensamentode Schumpeter tentam estruturar com requinte, oumelhor, com modelos matemáticos e econométricos, suaconcepção a respeito da importância da inovação e datecnologia para o crescimento econômico
3
. Na grandemaioria, rejeitam e criticam o modelo de crescimentosimplista de Solow, que tem a inovação tecnológica comoum fator residual
4
. Numa tentativa de suprimir essa falha,os novos teóricos do crescimento tentam explicar aelevação do produto desmembrando o resíduo, dandoênfase a variáveis como: economia de escala, gastosem
P&D
, formação de capital humano e investimentopara difusão, promoção e incentivo à inovaçãotecnológica. (
FREEMAN
, 1994;
DOSI
et al., 1988).O pensamento schumpeteriano defende oemprego da inovação na evolução e configuração dasestruturas industriais. Tanto na
Teoria do Desenvolvimento Econômico
, de 1911, quanto na obra
Capitalismo, Socialismo e Democracia
, de 1942,Schumpeter trata a introdução e difusão de inovaçõescomo um processo que resulta no crescimentodiferenciado por parte das firmas. A dinâmica domercado ocorre mediante um processo de seleçãonatural, ou seja, os produtores que não conseguemacompanhar a velocidade e a direção do progressotécnico são expulsos ou incorporados pelosconcorrentes.No modelo neo-schumpeteriano, o comportamentodas firmas é explicado pela rotina, busca e seleção. Éum processo não estático, contrariamente ao que pregaa teoria microeconômica clássica. Para os pesquisadoresdessa corrente, os desenvolvimentos técnicos a partirde uma descoberta revolucinária não são previsíveis,são eventos aleatórios que dependem, também, daestratégia de competição das firmas. Algumas firmasutilizam-se de uma combinação de fatores, como aestrutura da indústria na qual está inserida e as políticasde P&D do governo, para ter acesso às novastecnologias e continuarem “vivas” no mercado em queatuam. Nesta linha de raciocínio, têm-se as teorias sobre
demand-pull
e
technology push
, que apesar da forteinfluência do
mainstream
consideram a inovaçãotecnológica como fator preponderante. (DOSI et al.,1988;
NELSON
e
WINTER
, 1982).A teoria sobre
demand-pull
classifica as forçasde mercado como principais determinantes doprogresso técnico e estabelece o reconhecimento dasnecessidades das unidades produtivas do mercado emfunção de supri-las por meio de suas atividadestecnológicas. Já a teoria do
technology push
define atecnologia como fator autônomo, sem sofrer influênciado mercado. Assim, assume que o progresso técnico ea inovação são basicamente um mecanismo reativo eos fatores do lado da oferta apresentam independênciano curto prazo às mudanças de mercado. (DOSI, 1984).A influência de Schumpeter também pode sernotada nos modelos de crescimento endógeno, que têmcomo característica principal a noção de equilíbrio edestaca o papel da mudança tecnológica e seus efeitosna evolução da estrutura econômica. Tais modelosdefinem a inovação tecnológica e seus efeitos comoum processo endógeno e procuram explicar asustentação do crescimento por meio de fatoresexternos e retornos ligados à tecnologia e investimentosem P&D, a partir modelos de concorrência imperfeita.(
ROMER
, 1994).Para os adeptos do paradigma cepalino, da teoriada dependência, o atraso econômico dos países daperiferia está relacionado à questão tecnológica,denotando a insipiência do setor de bens de capital,pois nos países centrais a inovação tecnológica ocorreprimordialmente neste setor. (
CARDOSO
e
FALETO
,1970;
GOLDENSTEIN
, 1994).

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