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Bancke, Leandro M. Resumo do Ensaio sobre a Dádiva de Marcel Mauss

Bancke, Leandro M. Resumo do Ensaio sobre a Dádiva de Marcel Mauss

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Resumo do texto para estudo. (Leandro Moreira Bancke)
Resumo do texto para estudo. (Leandro Moreira Bancke)

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Ensaio sobre a Dádiva de Marcel Mauss
Resumo para estudo
Ao examinar as formas de circulação dos bens em diferentes sociedades, Mausssededicou em compreender o caráter livre e gratuito, mas ao mesmo tempo obrigatório einteressado, dos atos de dar, receber e retribuir. Para Mauss a antítese do dom não é oMercado: as interações sociais são movidas por razões que ultrapassam os interessesestritamente materiais.O fio condutor dessa ótica é a noção de aliança que a dádiva produz, tanto asmatrimoniais quanto as políticas (trocas de chefes ou diferentes camadas sociais), religiosas(como nos sacrifícios, entendidos como um relacionamento com os deuses), econômicas, jurídicas e diplomáticas (incluindo-se aqui as relações pessoais de etiqueta e hospitalidade).A Dádiva não inclui só presentes como também visitas, festas, comunhões, esmolas,heranças, um sem número de prestações que podem ser totais ou  agonísticas. Nesteensaio postula-se um entendimento da constituição da vida social por um constante dar-e-receber, universalmente estas são obrigatórias, mas organizadas de modo particular em cadacaso (as variadas formas vão desde a retribuição pessoal à redistribuição de tributos).Algumas trocas são, para Mauss, prerrogativas de chefias, receber tributo, porexemplo, podendo ser socialmente construídas de modo diferente, como privilégios eobrigações, etc. Sendo que, da chefia, freqüentemente, emanam valores que se estendem àsociedade como um todo generalizando-se. A dádiva da palavra ou objetos é frequentementeum dever da chefia, em um sentido ontológico: mais que condição necessária da suaexistência, são manifestações particulares da chefia que se criaram por diferentes formas detroca.Já na epígrafe do Ensaio exprime a dialética inerente à dádiva: A mesma troca que mefaz anfitrião faz-me também um hóspede em potencial. Isto ocorre porque dar e receberimplica não só uma troca material, mas também uma troca espiritual. É ainda neste sentidoontológico que toda troca pressupõe, em maior ou menor gral, certa alienabilidade. Ao dar,dou sempre algo de mim mesmo. Ao aceitar, o receber aceita ao do doador: a dádivaaproxima-os, torna-os semelhantes.O estudo de Mauss, debruça-se sobre tragédias distributivas fazendo uma crítica aoparadigma utilitarista, no entanto, recusa alguns fundamentos como a noção de escassez. Éfundamental a sua contribuição, de que a vida social não é só circulação de bens, mas tambémde pessoas (mulheres concebidas como dádivas em praticamente todos os sistemas deparentesco conhecidos), nomes, palavras, visitas, títulos, festas, etc.A noção de contrato seria universal, mas, ao contrário dos contratualistas anglo-saxões, concebe os contratos como não individuais. Não se trata assim de acordos entreindivíduos racionais, mas de regras da organização social primitiva. Mauss generaliza a noçãode contrato ao mesmo tempo em que a reformula. (Ele não utiliza o sentido de contrato entre
 
indivíduos, como faziam os filósofos dos séculos XVII e XVIII, e é exatamente esse contratomaussiano que Lévi-Strauss substituirá pelo princípio de reciprocidade.)Mauss também generaliza a noção de mercado. Ele supõe queo mercado sempreexistiu, recaindo sua atenção na diversidade das formas de troca. (É claro que o autor temconsciência da importância de se pensar na especificidade do mercado ocidental.)Entre suas maiores contribuições talvez estejam:a)
 
Mostrar os fatos que revelam que trocar é mesclar almas, permitindo acomunicação entre os homens, a inter-subjetividade, a sociabilidade.b)
 
Regras estas que manifestam simultaneamente na moral, na literatura, no direito,na religião, na economia, na política, na organização do parentesco e na estética.Sendo assim a troca um fato social total.c)
 
As trocas são simultaneamente voluntárias e obrigatórias, interessadas edesinteressadas, como eu dizia, mas também simultaneamente úteis e simbólicas.Neste ínterim, como vimos, as trocas incluem bens mais ou menos alienáveis, assimcomo bens economicamente úteis ou não. Podendo incluir serviços militares, danças, festas,gentilezas, banquetes, mulheres em resumo, qualquer circulação de riquezas(incluindo-seaqui as mulheres) é apenas um momento de um contrato mais geral e muito maispermanente (MAUSS, 1974, p. 65).Mauss chama esses diversos tipos de dádivas de totais. Uma forma, para ele,evoluída e agonística de prestação total, seria o
 potlatch
dos índios da costa noroeste daAmérica do Norte.A troca também pode ai assumir a forma de destruição de riquezas, os escudosbrasonados de cobre jogados ao mar. No
Potlatch,
a troca de certo modo, substitui a guerra,mas guardando um sentido de rivalidade: vence quem dá ou destrói mais, a luta dos nobresé a luta dos grupos. Maus (1974, p. 47) reserva ao
Potlatch
a denominação: prestação total detipo agonístico, isto é, implica um desenvolvimento da rivalidade, uma maiorinstitucionalização da competição.A OBRIGAÇÃO DE RETRIBUIRMaus inicia seu estudo sobre a obrigação de retribuir na Polinésia, nesta interessaespecialmente ao autor a noção de
mana
. (noção também importante em partes daMelanésia, tendo noções semelhantes, também, no
Potlatch
da costa noroeste americana,implicando honra, prestígio e autoridade: não retribuir implica perda do
mana
).Em Samoa (Polinésia) salienta-se a presença de uma classificação de bens e pessoasem:
 
i)
 
onga:
feminino (são as esteiras de casamento herdadas pelas filhas, etambém, os tesouros, talismãs, brasões, tradições, cultos, rituais). Estespoucos circulam. Proibições os impedem de serem repassados à qualquer um.São bens de prestígios, carregados de
mana.
Estendemos aqui como os bensmóveis.ii)
 
O
loa:
masculino. Entendemos estes aqui como os bens imóveis.iii)
 
I
nalienável:
alienáveliv)
 
 Au
tóctone:
extrangeirov)
 
H
a
u
:
o espírito das coisasvi)
 
U
u
:
o pagamento.Analisando as noções nativas de
mana e ha
u
Mauss conclui que:  o que, no presenterecebido e trocado, cria uma obrigação, é o fato que a coisa recebida não é inerte. Nestesistema,  o doador tem uma ascendência sobre o beneficiário (MAUSS, 1974, p. 54). Atransmissão cria um vínculo jurídico, moral, político, econômico, religioso e espiritual.Maus observa também, que o sistema de
Potlatch
teria a finalidade de fixar porinstantes uma hierarquia. Sendo que em monarquias estáveis (como na maioria dassociedades polinésias) não necessitam de instituições como o
Potlatch
. Assim os índios dacosta noroeste evoluíram da prestação total simples à prestação total agonística, os daPolinésia teriam evoluído desta última à monarquia. Não sendo este raciocínio puramenteevolucionista, pois concede que uma sociedade pode se desenvolver em diferentes sentidos,institucionalizando ora a dádiva, ora a centralização política.Mauss ambiciona mostrar a generalidade da lógica da dádiva, por ele esboçadaanteriormente. Comenta que comparar civilizações não implica desvendar as conexões entreelas.No que trata-se a moeda, Mauss observa apenas a sua função de meio-de-troca (meiode pagamento), mas não vê sua função de padrão
geral 
de valor (medida de uso), isto é, nãoparece estar ciente da especificidade da moeda capitalista como um valor que generaliza demodo não hierárquico, concepção criticada por Malinowski (MAUSS, 1974, p. 75). Talvez sejaporque nas sociedades não-capitalistas, os valores só se generalizam de modo hierárquico (nosentido de Dumont). Isto é, o valor de certos objeto pode não ser no sentido de suageneralização quantitativa, como padrão ou medida de troca. Por exemplo, seu valor podeestar em uma capacidade regenerativa milagrosa ou em uma capacidade emblemática pararepresentar todo um clã ou linhagem.O que distingue a moeda capitalista das moedas hierárquicas é que estas são menosalienáveis. (Talvez possamos dizer assim: possuem menos liquidez). No capitalismo a moedadestrói as esferas de troca, acabando com a possibilidade de uma dessas esferas vir a serhierarquicamente superior. A divisão fundamental passa a ser entre o que é ou não émercadoria, isto é, passível de compra e venda, ser trocado por dinheiro; no mercado, amoeda passa a ser uma medida geral. No capitalismo, a própria alienabilidade passa a ser umvalor; todos desejam a moeda por esta ser aquilo que pode, potencialmente, tudo alienar.

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