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Meta 5 - Criminal - Termo de Audiência - Instrução e Julgamento - ok [002.10.400216-8_000]

Meta 5 - Criminal - Termo de Audiência - Instrução e Julgamento - ok [002.10.400216-8_000]

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Sentença - furto tentado insignificância furto minorado reincidência atenuante aquém do mínimo legal
Sentença - furto tentado insignificância furto minorado reincidência atenuante aquém do mínimo legal

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2ª Vara Criminal - Zona Norte
fl. _____ 
 PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTEJUÍZO DE DIREITO DA 2ª VARA CRIMINAL - ZONA NORTE DA COMARCA DE NATAL
TERMO DE AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO
Processo nº 002.10.400216-8Acusado: IOLANDA (APAGADO)Data e hora: 13/01/2011 às 08:30h
PRINCIPAIS INFORMAÇÕES E OCORRÊNCIAS[s = sim | n = não] - Presenças
: Ministério Público, Dr(ª). Drª Sivoneide Tomaz do Nascimento - s; acusado(a)(s)
IOLANDA (APAGADO)
: - s; defensor, Defensor Público,Dr. Manuel Sabino Pontes - s.
Oitiva(s)
: vítima: - s; testemunha(s): - s. Nome(s) da(s)testemunha(s) e declarantes ouvido(a)(s):
ADRIANO RICARDO GOMES DA SILVA
,
EDUARDO ELIAS DE SOUZA
e
ALEXSANDRO BATISTA CARNEIRO
; Acusado(a)(s): - s.
Caminho e nome do arquivo multimídia
: D:\Gravação deAudiências\2011\janeiro\002.10.400216-8.
Alegações finais orais
- (s).
Ocorrências dignasde nota
: esteve presente o advogado da empresa, o Dr. André Ricardo de Almeida Nóbrega – OAB nº 498-A. A gerente geral da loja é Silvanise Dutra Fagundes, tel. 8833-5550. disse oMM Juiz: "Antes de proceder ao interrogatório da acusada, entendeu o magistrado que oEstado Democrático de Direito repercute no âmbito do Processo Penal através do PrincípioAcusatório. Apregoa ele que as funções de acusar, defender e julgar são atribuídas a órgãosdiversos, bem como que a produção das provas compete às partes e não ao magistrado.Outrossim, quando o magistrado produz as provas ele perde sua imparcialidade, notadamenteem favor da acusação, pois a tese é o primeiro elemento que lhe chega às mãos. Na verdade,inconscientemente (e às vezes conscientemente também), termina o magistrado por buscar nas provas apenas, e tão somente, a confirmação do pré-juízo anterior condenatório que já possuía, culminando por despir-se da toga e a dividir a vestimenta da beca de quem acusa,seja o Ministério Público, seja o querelante. Por isso o interrogatório será procedido pelas partes e, ao final, complementarei com alguma dúvida que tiver, sendo a última pergunta se a parte ré tem algo mais a dizer em sua defesa, cumprindo o princípio da ampla defesa".
Deliberações finais
: segue sentença.
SENTENÇARELATÓRIO
Trata-se de ação penal pública em que figura
IOLANDA (APAGADO)
, parte já qualificadanos autos, como acusada pela prática dos fatos violadores das regras penais previstas no(s)
artigos(s) 155,
caput 
, na forma do artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal
. Quanto às provas documentais e periciais, há o seguinte: o termo de exibição e apreensão de fl. 13 e otermo de entrega de fl. 14. A denúncia foi recebida no dia 31/08/2010 (fl. 55). A citação sedeu à fl. 61. A resposta à acusação se encontra às fls. 83-86. O interrogatório ocorreu emaudiência. As testemunhas foram ouvidas em audiência. Nas suas alegações finais a acusaçãodisse, em suma, o seguinte: a materialidade e a autoria estão comprovadas pelas provas juntadas aos autos, devendo ser condenado nos termos da inicial. No que pertine àmaterialidade, há autos de exibição e de apreensão de objetos no valor de cento e cinquenta enove reais. A acusada confessou o delito e que estava passando por dificuldades. Ascircunstâncias de vida da acusada são reconhecidamente difíceis. No entanto, mesmo em se
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Av. Guadalupe 2145 Conj. Santa Catarina, 2º Andar, Potengi - CEP 59.112-560, Fone: 84 3615-4663, Natal-RN- E-mail: zn2cri@tjrn.jus.br As informações processuais poderão ser acompanhadas através do sítio "www.tjrn.jus.br".
 
2ª Vara Criminal - Zona Norte
fl. _____ 
 tratando de pessoas hipossuficientes, pois a acusada é contumaz. Não se trata de um atoisolado. Ela tem uma lista de processos extensa. A Justiça não pode colaborar com essacontumácia. Ocorreu o furto privilegiado porque o valor total dos bens é de cento e cinquentareais. Nas suas alegações finais a defesa disse, em suma, que reiterou os fundamentos daresposta à acusação. O primeiro foi o reconhecimento do princípio da insignifincia.Outrossim, os seguranças disseram que todos os bens estavam na bolsa. Não havia comoestarem na bolsa. Dificilmente caberiam na bolsa. Em relação à tipicidade da conduta quandohá reiteração das condutas, a simples análise da folha corrida da acusada não é suficiente paracaracterização de caso de não insignificância. A acusada disse que estava trabalhando e há 4meses sem receber nada. Os bens foram de higiene e vestuário, de baixo valor. A situação desaúde da acusada justifica. A acusada não tinha condições de comprar uma pomada de novereais. Pediu a aplicação da atenuante da confissão, as minorantes do pequeno valor da coisa eda tentativa, co-culpabilidade social em razão do pouco estudo e das dificuldades pessoais daacusada. Em relação à insignificância, a defesa pediu a condenação sem pena em razão das peculiaridades da vida da acusada. A acusada vive em extrema penúria e dificuldade. Éconstrangedor ver a acusada furtando em razão da necessidade de adquirir uma pomada denove reais.
FUNDAMENTAÇÃO
Obedecendo ao comando esculpido no art. 93, IX, da Constituição Federal, e dando início àformação motivada do meu convencimento acerca dos fatos narrados na inicial e imputados à parte ré, verifico, a materialidade e a autoria. No tocante à prova documental ou pericial,consta o termo de exibição e apreensão de cinco frascos de sabonete líquido, de marca
 Dove
,com 150ml; um frasco de sabonete líquido, da marca
 Dove
, de 250ml; dois frascos desabonete líquido, da marca Palmolive, de 250ml; um frasco de sabonete líquido, da marca
 Lifebuoy
, de 250ml; um frasco de loção hidratante, da marcha
 Johnson's
, de 200ml; um cremedental; dez calcinhas e uma blusa. Há também o termo de entrega dos referidos bens. Atestemunha
ADRIANO RICARDO GOMES DA SILVA
, durante oitiva judicial, afirmouque foram acionados pelo CIOSPE para irem às Americanas. chegando, uma dastestemunahs, que trabalha no estabelecimento, informou que haviam detido uma senhora quetinha tentado sair levando produtos da loja. A princípio a acusada disse que nem todo materialtinha sido pego com ela e que alguns pertences estariam com uma amiga dela. A acusadaconfessou em parte.
EDUARDO ELIAS DE SOUZA
, testemunha ouvida judicialmente,relatou que estava no monitoramento das câmeras. Alexsandro disse que desse uma verificadana acusada, pois tinha posto objetos na bolsa. Do tempo em que desceram para o térreo atéchegarem na saída a acusada tinha saida. Havia objetos de higiene pessoal e alguns devestuário. Não conhecia a acusada. Alexsando já a conhecia de outras lojas e desconfiavadela. No início a acusada não quis acompanhá-los. A acusada abriu a bolsa e jogou os produtos no chão. A acusada estava acompanhada. Não lembra se havia material de limpeza.A testemunha
ALEXSANDRO BATISTA CARNEIRO
, ouvida em juízo, disse que estavana loja e o outro segurança no sistema de monitoramento. O outro segurança passou um rádioinformando que a acusada estava colocando pertences na bolsa. A encontraram na calçada daloja. Quando subiu, pediu para que monitorasse a acusada, pois já a conhecia da época em quetrabalhou nas Americanas do centro da cidade. Na calçada a acusada abriu a bolsa e jogoutudo no chão. A acusada andava muito na loja do centro e por isso pediu que a copiasse. Aacusda pegava um produto e olhava para ver se tinha alguém olhando. Ela subtraiu mais produtos higiênicos, xampus. Durante interrogatório judicial, a parte acusada,
IOLANDA(APAGADO)
, disse que é verdadeira a acusação. Estava trabalhando no PROCON e háquatro meses não recebia dinheiro e estava sem um tostão. Tentou, realmente, e não tevesorte. Estava empregada, mas sem receber dinheiro. Tinha vergonha de pedir dinheiro para
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2ª Vara Criminal - Zona Norte
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 compra medicamentos para a perna doente. Tem uma úlcera. Mora na rua Miramar, na Praiado Meio. Já foi condenada e cumpriu pena. Estava desacompanhada. Quando os funcionários pegaram a depoente, pegaram uma fita cassete. Tirou sabonetes, loção, creme dental e ma blusa. Nunca foi das Americanas da Cidade Alta. Tem quatro execuções. No trabalho nuncasubtraiu, mas quando foi presa, foi demitida. Está arrependida. Foi criada pelos pais até os 14nas, época em que seu pai morreu. Já foi condenada antes por furto. Sabe ler e escrever pouco.Estudou até a quinta série. Não tem nada mais a dizer em sua defesa. Em síntese à tese daacusação e a antítese da defesa, concluo que a acusada cometeu furto tentado minorado. Emrelação às teses da defesa, o reconhecimento do princípio da insignificância não é cabível aocaso, pois os bens subtraídos estavam num patamar que geralmente considero crime. É bemverdade que já reconheci insignificância em se tratando de bens com valor um pouco menor que o atualmente em questão. Ocorre que no presente caso a acusada cometeu a subtração de bens no valor de cento e cinquenta e nove reais e fixei como teto hermenêutico parareconhecimento da insignificância o valor de cento e cinquenta reais. Passou pouco. Mas éverdade também que o primeiro critério de justiça é, exatamente, a existência de critérios. Enão quero fugir dele, nem para mais e nem para menos. Outrossim, alegou a defesa que osseguranças disseram que todos os bens estavam na bolsa, mas não havia como estarem.Dificilmente caberiam na bolsa, disse a defesa. Contudo, tão somente com base numa presunção não posso rejeitar a prova da acusação. A defesa não provou que a bolsa era pequena a ponto de não conseguir recolher os bens subtraídos. Em relação à tipicidade daconduta quando há reiteração das condutas, concordo com a defesa que a simples análise dafolha corrida da acusada não é suficiente para caracterização de caso de não insignificância,mas esta ocorreu objetivamente, como dito acima. A acusada disse que estava trabalhando ehá 4 meses sem receber nada. Os bens foram de higiene e vestuário, de baixo valor. Asituação de saúde da acusada contribuiu, é verdade, e isso será levado em consideração nomomento da aplicação da pena. Cabe, portanto, como pedido pela defesa, a aplicação dasatenuantes da confissão e da co-culpabilidade social em razão do pouco estudo e dasdificuldades pessoais da acusada, bem como as minorantes do pequeno valor da coisa e datentativa. E concluo a fundamentação nos seguintes termos: DA REINCIDÊNCIA E SUA NÃO ADEQUAÇÃO CONSTITUCIONAL - Em relação à reincidência, preciso fazer um juízo mais racional e menos emocional. É bem verdade que a tese que ora esboço éamplamente rejeitada pelo conservadorismo formalista, que mais se preocupa na manutenção"do-que-está-aí" e menos com a real diminuição dos nosso graves problemas sociais. Aacusada é pobre, tem o perfil perfeito para o "etiquetamento". Depois lavaria eu as mãos,imputando a ele um caráter fraco, distorcido, quando na verdade as pesquisas mostram que areincidência, antes de ser uma degeneração da pessoa da acusada, é uma prova gritante dasdisparidades do nosso sistema social, que nunca aplicou o mais importante princípioconstitucional, o da isonomia. Assim, no tocante à reincincia, entendo que o foirecepcionada pela Carta de 1988 por várias razões. Vou a primeira.
Uma pessoa deve serpunida pelo que fez e não pelo fato de que responde a outro processo ou a uma execuçãopenal. Isso é ferir o princípio do
non bis in idem
. Outra. O discurso do sistema penal é o deque a prisão se justifica para ressocializar o condenado. Quando ele volta a delinquir se tratade uma falha da pessoa ou do sistema?
A certeza de que tenho é que em nossoordenamento jurídico a ressocialização é praticamente nula.
O índice de reincidência étão alto que não consegue esconder isso.
O apoio ao egresso é uma piada de mal gosto,peço desculpas mas não posso deixar de manifestar minha indignação com expressõesmais fortes
. Mas
punir o reincidente é novamente ferir o princípio da dignidade dapessoa humana, pois a ele não foram dadas as condições mínimas de ressocialização.
Pelo contrário.
Passar pelo sistema penal é afundar num poço profundo, escuro, onde jogamos entulhos e não colocamos escadas para dele sair. Depois ficamos nós do alto
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