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Luís Roberto Salinas Forte - O Bom Selvagem

Luís Roberto Salinas Forte - O Bom Selvagem

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ÍndiceO autorCapítulo 1 — Polêmicas e paradoxosCapítulo 2 — A caminhada de um solitárioCapítulo 3 — Sociedade versus naturezaCapítulo 4 — As peripécias da desigualdadeCapítulo 5 — Liberdade e igualdadeCapítulo 6 — RepercussõesO autor
 A reportagem que transcrevemos abaixo foi publicada pelo jornal
Folha de S. Paulo
do dia5 de agosto de 1987, com o título "Morre aos 50 anos o fisofo Salinas Fortes". Nela pode-se sentir a corrente de energia que Salinas captava e transmitia, e que está presente nas páginas deste livro.
Morreu ontem aos 50 anos, pouco depois da zero hora, o professor Luiz Roberto Salinas Fortes,do Departamento de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Salinas, como era conhecidona universidade, onde lecionava Ética e História da Filosofia desde 1965, sofreu um enfartodo miocárdio. O corpo foi velado das 12 às 16h no salão nobre do prédio da Administraçãoda Faculdade de Filosofia, de onde foi conduzido para Araraquara (273 km a noroeste deSão Paulo), sua cidade natal. O enterro está previsto para as 9h de hoje. "A grande descoberta doSalinas foi desmontar uma interpretação sobre Rousseau que durava três séculos", diziaMarilena Chauí, 45, professora de Filosofia da USP, visivelmente emocionada no velório."Ele mostrou que tanto o Rousseau político quanto o literato são uma única pessoa",explicava, referindo-se à tese de livre-docência de Salinas, batizada de "Paradoxo do
 
 
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Espetáculo (Política e Poética em Rousseau)", defendida em 1983. Nos últimos meses, Salinas,que também trabalhou como jornalista, estava reescrevendo a tese para publicá-la em formade livro. Teatro e filosofiaAntes de derrubar um mito que perdurou por três séculos, na análise de Chaui, Salinasviveu alguns momentos importantes dos anos 60 e 70 — o existencialismo, o teatro Oficinae a experiência da repressão política (ver abaixo trecho da autobiografia "Retrato Calado"escrita no período 75/77 em Paris). Estudante da Faculdade de Direito da USP, onde sediplomou em 1960, Salinas foi ator da primeira montagem do Oficina, "A Ponte", de CarlosQueiroz Telles, em 1958. Longe do palco, acabou se tornando uma espécie de ideólogo doOficina, fermentando entre os atores discussões filosóficas que não costumavam freqüentaro meio teatral. "O Oficina, antes de ser um grupo de teatro, era um grupo de discussãofilosófica", lembra o jornalista e analista econômico Marco Antonio Rocha, 51, ator do Oficinanos anos 60. "E o principal formulador dos debates era o Salinas . "Como professor da USP, onde se tornou bacharel em Filosofia em 1964, Salinas iniciou em1965 uma série de três estágios que fez na França. De 65 a 67, estudou em Rennes, ondecomeçou a pesquisa que desembocaria em sua tese de doutorado —"Teoria e Prática na Obra de Jean-Jacques Rousseau", defendida em 1974, e que resultou no livro "Rousseau: da Teoria àPrática", editado pela Afica em 1976, ainda em catálogo. De 75 a 77, aproveitou-se de umabolsa na École de Hautes Études et Sciences Sociales, de Paris, para fugir de "veladasperseguições da repressão militar", como diz Rubens Rodrigues Torres Filho, 45, professor deFilosofia da USP. Em 78 ele voltaria à mesma escola para um semestre de estágio. Não era aprimeira vez que Salinas sentira a intolerância do regime militar — em 1970 foi preso duasvezes, uma no Dops e outra no DOI-Codi. "Numa das vezes ele ficou 24 horas em um 'pau-de-arara', passou a ter problemas vasculares e flebite, o que resultou na amputação de umdedo do pé", recorda Chauí. Nesse estágio na França, Salinas trabalhou com o filósofo ClaudeLefort, de quem traduziu para o português o livro "Formas da História", editado pelaBrasiliense em 1979 e fora de catálogo. Considerado um grande tradutor do francês,realizou, ainda, a versão de "A Imaginação", de Jean-Paul Sartre, publicada em 1964 eesgotada, e de "A Lógica dos Sentidos", de Giles Deleuze, editada em 1974 pela Perspectiva eesgotada.Ligado ao existencialismo quando o movimento estava em voga nos anos 60, Salinas, juntocom o professor Fausto Castilho, ciceroneou Sartre no Brasil em 1968. O livro "Sartre noBrasil — Conferência de Araraquara", editado pela Paz e Terra em 1981, que está em suasegunda edição, é um outro trabalho do Salinas como tradutor. "O Iluminismo e os ReisFilósofos", uma obra de iniciação publicada pela Brasiliense em 81 e esgotada, mostra outrafaceta do domínio que Salinas tinha da filosofia francesa. "Ele encontrou uma linguagempara o público leigo sem rifar o rigor", analisa Torres Filho.Rigor e invenção"Em seu trabalho filosófico ele sabia conjugar muito bem o rigor com a invenção", defineAntonio Candido, 70, professor aposentado da USP e amigo de Salinas desde quando ele eragaroto. "Ele era um talento filosófico, um talento como escritor e tradutor", diz Gérard Lebrun,57, professor do departamento de Filosofia da USP. "O Brasil e a Universidade perdem um dosseus mais sérios investigadores em História da Filosofia", acredita Celso Favaretto, 46,professor da Faculdade de Educação da USP.O rigor que Salinas imprimia às suas pesquisas filosóficas, uma herança de professorescomo Bento Prado Jr., Gilda de Melo e Souza e Ruy Fausto, foi uma das vertentes que oconduziu à abordagem original sobre Rousseau. "Não era uma questão de reabilitarRousseau. Ele ia ao texto e encontrava material para reflexão", diz Torres Filho. A esse rigor,ainda segundo Torres Filho, Salinas unia frieza e emoção.
"Ele conseguia que a Filosofia fosse um instrumento de leitura do presente", afirma Franklin Leopoldo e Silva, 39, chefe do Departamento de Fi
losofia da USP. A partir da idéia derepresentação — um conceito comum no mundo poético e político —, Salinas organizou nesteano, junto com o
 professor Milton Meira do Nascimento, um colóquio sobre o Congressoconstituinte, que resultou no livro "A Constituinte em Debate", editado pela Sofia Editora. Nolivro, Salinas assina dois ensaios —"Democracia, Liberdade e Igualdade" e "Rosa de Luxemburgo e a Constituinte de 1917". Salinas deixou dois filhos — André, 21, do seucasamento com Ana Maria Cerqueira Leite, e Marina, 6, com Maria Alice Rufino."O magricela sorri dentro do elevador. Sorri o magricela, irônico, dentro do elevador. Osorriso irônico acompanha o pequeno grupo no qual, obviamente contrafeito, desempenhoo papel de paciente ao longo do trajeto tortuoso pelos corredores que ligam a sala darecepção da Ordem Social ao pequeno compartimento usado como câmara de tortura,alguns andares acima no velho edifício do largo General Osório. Antes de chegar ao destinoentão ignorado, iludo-me, embalo-me com a esperança de que o cortejo só vai meacompanhar até uma cela, onde, como pouco antes me assegurara um dentre os eficientesagentes de segurança, na pior das hipóteses, ficarei 'detido', como se diz, por alguns dias, talcomo — espero — ocorrera da outra vez, na OBAN, de onde alguns meses fora liberadodepois de dez dias de detenção. Mas as coisas agora seriam bem diferentes e logo, logo seriadado ao protagonista que vos fala, a ocasião única, o privilégio imerecido de vir a conhecer o famoso instrumento de tortura já há muitos anos corriqueiramente utilizado por nossas forças

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