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América Latina e Ásia: Modos de Desenvolvimento Capitalista - Luis Estenssoro/ Sedi Hirano

América Latina e Ásia: Modos de Desenvolvimento Capitalista - Luis Estenssoro/ Sedi Hirano

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) - NÚCLEO DE APOIO À PESQUISA EM DEMOCRATIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO (NADD). A AMÉRICA LATINA E OS PAÍSES ASIÁTICOS: UM PARALELO SOBRE OS MODOS DE DESENVOLVIMENTO CAPITALISTA - SÃO PAULO – 2003
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) - NÚCLEO DE APOIO À PESQUISA EM DEMOCRATIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO (NADD). A AMÉRICA LATINA E OS PAÍSES ASIÁTICOS: UM PARALELO SOBRE OS MODOS DE DESENVOLVIMENTO CAPITALISTA - SÃO PAULO – 2003

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NÚCLEO DE APOIO À PESQUISA EMDEMOCRATIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO (NADD)
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS (FFLCH)UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)
A AMÉRICA LATINA E OS PAÍSES ASIÁTICOS:UM PARALELO SOBRE OS MODOS DEDESENVOLVIMENTO CAPITALISTA
SEDI HIRANO – Professor Doutor em Sociologia, FFLCH/ Universidade de São PauloLUIS ESTENSSORO – Doutorando em Sociologia, FFLCH/ Universidade de São Paulo
SÃO PAULO – 2003
 
 2Este ensaio procura aprofundar a reflexão em torno dos
modos dedesenvolvimento capitalista
existentes nas diferentes regiões do globo, nomeadamente o LesteAsiático e a América Latina. Trata-se de modalidades de desenvolvimento econômico-socialque acontecem nas diversas regiões do planeta e que reúnem tipos semelhantes de
 formaçõessociais
em cada região.Sabemos que a desigualdade (pobreza relativa) em nível internacional é marcadapelo desenvolvimento do capitalismo que produz uma crescente disparidade na distribuição darenda entre nações pobres e ricas. Este “argumento da divergência”
1
é compartido pordiversas interpretações:1) a marxista, que retrata a desigualdade como um componente estrutural daacumulação capitalista na economia mundial;2) a vertente ligada à CEPAL, que argumenta que uma deterioração nos termos deintercâmbio estaria levando a uma crescente desigualdade entre nações ricas e pobres;3) os estudos da “dependência” e do “sistema-mundo”, que também enfatizam aexistência de uma economia capitalista internacional, corporificada num comércio global e nadivisão internacional do trabalho, que permite a contínua transferência de excedente daperiferia para o centro da economia internacional.Entre estas opiniões, a explicação dos mecanismos que geram a persistentedesigualdade pode variar, mas todas concordam que a desigualdade da distribuição da rendamundial tem crescido ao longo do tempo. Esta desigualdade sócio-econômica tem comoproduto um processo de exclusão social pela pobreza, isto é, a insuficiência de renda comoimpedimento da cidadania. Este processo acontece tanto dentro dos países, quanto naeconomia capitalista internacional, que se converte em principal causa da desigualdademundial, dada a sua assimetria.
 
Na verdade, da forma como se coloca a questão social nos marcos da
 formaçãoeconômico-social capitalista
a sua resolução satisfatória torna-se mais complexa, e podemosperceber que pelo
 padrão de acumulação latino-americano
ela corre o risco de tornar-seinsolúvel. Isto ocorre na medida em que o sistema econômico estrutura-se a partir de umasituação econômica inicial desigual, a seguir passa por um processo de desigualdade crescentee finalmente constitui uma pobreza também crescente em números absolutos.A desigualdade inicial pode ser avaliada pela concentração de mais de 80% doPIB, do comércio mundial, dos empréstimos comerciais, da poupança privada e doinvestimento nas mãos de 20% da população mundial (PNUD, 1992). As tendências relativasaos indicadores de desigualdade mundial revelam que esta disparidade aumenta em todas asregiões, principalmente no sentido de distanciar os países desenvolvidos dos países emdesenvolvimento. A pobreza passa a ser, portanto, um problema maciçamente concentrado noTerceiro Mundo. O fato é que o sistema capitalista está sendo incapaz de prover o sustentomínimo de toda a população do planeta, tarefa que deveria desempenhar com mais razãoagora que o
modo de produção
 
capitalista
se tornou hegemônico na maioria das
 formaçõessociais
contemporâneas.Sustentamos que a estrutura de poder mundial funda-se em
modos dedesenvolvimento
diferenciados nas diversas regiões do planeta, que se reportam a
 padrões deacumulação e inserção internacional
das economias nacionais, e que são empiricamenteverificados como semelhantes em uma determinada região e diferenciados estruturalmente de
1
Korzeniewicz, Roberto e Moran, Timothy. “World-Economic Trends in the Distribution of Income, 1965-1992”.
American Journal of Sociology
, vol 102, nº 4, jan 1997, pp. 1000-1039.
 
 3outra. Assim, podemos ter variados
modelos de crescimento econômico
, isto é, modelos depolítica econômica e de políticas públicas, dentro de um conjunto de economias de umaregião que têm um
 padrão de acumulação
diferenciado em relação a outras economiasregionais existentes dentro do mesmo
modo de produção capitalista
hoje hegemônico.Nossa hipótese é formulada do seguinte modo: há uma relação estreita entre os
modos de desenvolvimento capitalista
, o nível de pobreza e o grau acentuado dedesigualdades sociais existentes nos países desenvolvidos e nos países em desenvolvimento.Partimos do pressuposto de que o
modo de desenvolvimento Anglo-Americano
 produz estruturalmente mais pobreza e desigualdade do que o
modo de desenvolvimento Japonês-Asiático.
A América Latina está contida no
modo de desenvolvimento capitalista Anglo-Americano.
Johnson denomina o
modo de desenvolvimento Japonês-Asiático
de padrão“Meiji-Bismarckiano” (C. Johnson, 1995), onde o mercado é metodicamente orientado aosinteresses sociais por um Estado desenvolvimentista, que utiliza o mercado para alcançarobjetivos coletivos. Constitui-se então um capitalismo regulado, onde o Estado tem umapresença forte como planejador econômico. Trata-se de um “capitalismo social” ou de uma“economia mista” (Tsuru, 1994) enquanto padrão de acumulação tecnologicamentesofisticado no qual os preços regulam-se em conformidade com as aspirações dos grupossociais que compõe a sociedade.De fato, nota-se uma ênfase no grupo e não no indivíduo, o que privilegia os laçosde solidariedade comunitária dentro das fábricas, onde tomou forma o
toyotismo
, isto é orelacionamento dentro de uma estrutura de poder descentralizada e com trabalho em equipe.No entanto, esta cultura empresarial diferenciada pode ser interpretada tanto como uma“hierarquia administrativa horizontal” (Castells, 1999) quanto como uma outra “harmoniaadministrativa” (Tragtenberg, 1992).
2
 Amartya Sen afirma que o exemplo pioneiro de intensificação dodesenvolvimento econômico “por meio da
oportunidade social
especificamente na área deeducação básica, é obviamente o Japão”. Segundo ele, este país, às vezes se esquece,“apresentava taxas de alfabetização mais elevadas do que a Europa mesmo na época darestauração Meiji, nas últimas décadas do século XIX”. Sen entende que o desenvolvimentoeconômico do Japão foi impulsionado pela progressão dos recursos humanos relacionada“com as oportunidades sociais que foram geradas. O denominado milagre do Leste Asiático,envolvendo outros países desta região, baseou-se em grande medida, em relações causaissemelhantes”. E entre esses países estão a Coréia, a China, Taiwan e Cingapura (Sen, 2000).Nesse sentido, a construção de um
sistema de oportunidades sociais
 potencializa o
desenvolvimento humano
através do processo de expansão da educação, dosserviços de saúde e de outras
condições de vida humana
. Para Sen, provavelmente o resultadomais importante alcançado pelas economias do Leste Asiático, começando pelo Japão, foi tersolapado totalmente o preconceito tácito de que a montagem do
sistema de oportunidades
2
Para Paes de Paula, com a crise do padrão de acumulação, o paradigma
 fordista
perde centralidade para o
toyotismo
. Este ébaseado numa acumulação mais flexível, que maximiza ganhos a partir de diferentes formas de contratação de mão-de-obra, produção de bens e serviços e investimentos do capital., decorrendo daí a “panacéia apologética das organizaçõesenxutas e flexíveis”: reengenharia,
downsizing
, terceirização, etc. Valendo-se de novas tecnologias organizativas baseadasna filosofia
 just-in-time
, o
toyotismo
torna os processos de produção mais eficientes e produtivos, barateando os custos,aumentando a qualidade e reinventando a especialização
taylorista
do trabalhador. Paes de Paula conclui que a tentativa deharmonizar o capital e o trabalho está longe de promover a liberdade do trabalhador, demonstrando assim a persistência de“harmonias administrativas” e do
ethos
burocrático denunciado por Maurício Tragtenberg. Paes de Paula, Ana Paula.“Tragtenberg Revisitado: as Inexoráveis Harmonias Administrativas” in: Anais do 24º ENANPAD, 2000, Florianópolis.

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