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Alves, Eduardo - (15 pp) Uma Análise Critica do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (Dez 2001)

Alves, Eduardo - (15 pp) Uma Análise Critica do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (Dez 2001)

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Ano I - Nº 03 - Dezembro de 2001 - Quadrimestral - Maringá - PR - Brasil - ISSN 1519.6178
Uma Análise Critica do Plano Diretor da Reforma doAparelho do Estado
 
Eduardo Alves*
 
Introdução
Ao analisar criticamente a publicação do Extinto MARE (Ministério da Administração e Reforma doEstado) – Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado - pretendemos oferecer uma leitura combase em uma perspectiva marxista. Nesse sentido, pretendemos demonstrar o quanto tais teoriasapresentadas sustentam-se nas bases teóricas da literatura comprometida com o capital e desnudaras idéias que tem como fundamento a ampliação do lucro e da exploração. Como conseqüência,sugerimos algumas alternativas de ação para a classe trabalhadora (principalmente o setor dosservidores) que consideramos coerente com a concepção que expressamos.O texto, portanto dedica-se em situar a análise sem restringi-la a critica da publicação do MARE. Aocontrário, temos como ponto de partida a realidade. Não são as críticas que transformam o mundoreal, mas sim a prática, ou seja, a ação coletiva, consciente e organizada da principal classeexplorada no sistema capitalista: os trabalhadores. Buscamos então deixar isso claro, tentandocombinar a análise do texto ao momento político no qual vivemos. Por isso, optamos por umaorganização que pressupõem o desenvolvimento mínimo de seis subtítulos (sem contar com aintrodução e a bibliografia básica), entre os quais, o último – “Sugestão de Alternativas para osTrabalhadores” – assume a responsabilidade de indicar caminhos mínimos e fundamentais para aluta dos trabalhadores (principalmente o setor dos servidores) na implementação do neoliberalismono Brasil. Esperamos assim estar contribuindo com a reflexão crítica coletiva, com a produção deconhecimento comprometido com a luta contra o capital e com o avanço dos setores explorados. 
A crise da crise do Estado
O texto do antigo extinto MARE (Ministério da Administração e Reforma do Estado) intitulado PlanoDiretor da Reforma do Aparelho do Estado, no prefácio assinado por FHC, inicia dizendo que “a crisebrasileira da última década foi também uma crise de Estado”. Ou seja, para o Presidente daRepública, os governos passados desviaram o Estado de suas funções básicas “para ampliar suapresença no setor produtivo”. Em primeiro lugar, cabe ressaltar que o Estado Capitalista sempreestará em crise, pois, as contradições causadas pelas relações sociais de produção, baseadas naexploração da força de trabalho que é operada pelos detentores da propriedade privada do capital,tendem a crescer com o desenvolvimento das forças produtivas. As contradições existentes no modode produção capitalista geram crises que são aprofundadas ou estendidas de acordo com a luta declasses e as condições reais de desenvolvimento do capitalismo, em nível internacional e nacional.Entretanto, ressaltar a crise do Estado desta forma pode dar a entender que o Estado está em crise,que vivemos um período de transição do Estado e isso não é verdade (por enquanto). A crise que seaprofunda é a do capital, crise essa que não foi resolvida com os remédios da guerra, foi estancadacom modelos de “Bem Estar Social” (como na Europa e nos Estados Unidos – durante o GovernoRoosevelt) e se aprofunda vertiginosamente com o neoliberalismo.Há vários aspectos que devem chamar nossa atenção na identificação da profundidade da crise docapital. Um deles diz respeito a realidade das relações de produção. O Século XX foi marcado peloavanço das forças produtivas e das relações sociais de produção, nos apresentando, dessa forma, ummundo praticamente capitalista, com algumas poucas exceções[1]. Outro elemento é o fim dabipolaridade, com a extinção da União Soviética e a tomada capitalista no Leste Europeu. Tal
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movimento coincide com advento neoliberal e com a formação do blocos imperialistas dessa etapaimperial ainda mais elevada. Apesar de ter havido um reenquadramento das polaridades –destacadas na disputa do imperialismo entre EUA e Comunidade Européia – os Estados Unidosassumiram, nos últimos anos, uma posição de super potência (algo que podemos chamar de “super-imperialismo”). A contradição reside que o país centro da dominação do capital amargue uma agudacrise que apareça no seu crescimento pife de cerca de 2% ao ano. Por sua vez, paralelo a essarealidade, há um evidente apodrecimento progressivo do modelo neoliberal, que já se esgotou nacrise de vários países, entre as quais destacamos: a crise do México, do Sul Asiático e da Argentina.No Brasil o fantasma da crise que assolou outros países (como os apresentados acima) tem nosrondado mais do que nunca. A coalizão conservadora formada para garantir o neoliberalismo possui,entre seus conteúdos básicos de sustentação, as privatizações, as terceirizações, a precarização, adesregulamentação e a flexibilização. Não é por menos que temos um Brasil mais miserável, com 50milhões de pessoas a baixo da linha da pobreza e uma concentração de renda absurda, na qual 12,2% da população (composta pelos capitalistas e pelo setor mais bem pago de gerentes,administradores, advogados, economistas, etc) detêm 33,8% da renda, enquanto os setores maisempobrecidos da classe trabalhadora (25,7% da população) representam apenas 6,9% da rendanacional (pesquisa divulgada pela Folha de São Paulo). Como vemos, o empobrecimento, aproletarização, a lupem-proletarização, o sub-emprego (com a ampliação do fenômeno dasterceirizações) são características dessa fase do Estado (no Brasil) e atinge todos os trabalhadores.As saídas buscadas pelos Estados Nacionais, através de suas classes dominantes, para encontrar umremédio que dê sobrevida ao capital exigiu adequações que respondessem às exigências doscapitalistas, principalmente do setor imperialista, monopolista e financeiro. Essa crise ficouconhecida, popularmente, como “crise fiscal”, mas na verdade constitui-se como uma crise por contado avanço das forças produtivas, da ampliação das contradições entre capital e trabalho e impôsrebaixamento nas margens de lucro da burguesia. Para ampliar o espaço da margem de lucro foinecessário operar mudanças nos orçamentos nacionais e no papel que os Estados Nacionais vinhamassumindo na prestação de serviços e na participação direta em alguns campos da produção – commaior ou menor potência de acordo com o grau de desenvolvimento nacional e com peso naeconomia internacional. Por sua vez, tais remédios, que em geral (com menor ou maior grau):viraram os investimentos sociais para a propriedade privada, inclusive alterando a forma depropriedade e fazendo avançar empresas capitalistas no lugar de empresas estatais; ampliaram adependência; retiraram a ação de executor de políticas sociais do Estado, transformando-o emregulador e rebaixaram direitos sociais; e modificaram as relações trabalhistas desregulamentandodireitos, marcaram a caracterização do neoliberalismo e são responsáveis por crises que já vieram ouestão chegando.Essa realidade, não caracteriza, no entanto, que o Brasil passa por uma crise de Estado. Umaverdadeira crise de Estado coloca em xeque o poder político, seguido da possibilidade real da tomadae construção de um novo poder. Para isso, no entanto, fazem-se necessárias condições objetivas esubjetivas[2]. Vivemos um momento em que afloram ricas condições objetivas a partir das quais épossível construir situações de superação da ordem burguesa: o capitalismo, em nível mundial, jádesenvolveu satisfatoriamente as relações sociais de produção; temos um planeta,predominantemente, regido pela ordem do capital; há sinais de apodrecimento das forças produtivas;o neoliberalismo desde a crise do Sul Asiático e do México, para não citar as crises brasileira eargentina, demonstra claros sinais de instabilidade e fragilidade econômica. Certamente que não édessa crise que fala FHC, mas sim de uma “crise” administrativa, a qual exige alterações superficiaisnos aparelhos do Estado para prolongar a dominação burguesa e adequar o Brasil à nova (velha)ordem. Um Estado que se torna empecilho para a maximização do lucro é um obstáculo para oscapitalistas. Cabe ao Estado, apenas, cumprir seu rumo fundamental em uma sociedade de classes:garantir a reprodução e manutenção da exploração e o poder político da burguesia, mantendo-acomo classe dominante.É claro que a desconstituição dos aparelhos de propriedade estatal e a ampliação dos AparelhosPrivados de Hegemonia[3]
 
das classes dominantes passam, necessariamente, peloredimensionamento de todas as áreas que exigem um papel de intervenção direta nos problemas
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sociais assim como no setor econômico. Os dois casos, apesar de representarem gastos einvestimentos necessários, são obstáculos para a ampliação do lucro dos capitalistas – e essa questãoestá no centro de todas as mudanças. No entanto, a ampliação desse lucro, por conta de um modelode Estado (amplo e conservador – nos países em desenvolvimento – ou amplo com forteinvestimento social – nos países desenvolvidos), encontra-se parcialmente limitada. A crise docapital, acentuada pelo fim da guerra fria, impõe novos modelos de dominação imperialista. Ocaminho das privatizações e das terceirizações é um caminho evidente, frente tal realidade, para aburguesia buscar fôlego em sua crise. 
O Estado e a Sociedade no Brasil
No Brasil, particularmente, o processo de estatização dos setores produtivos, envolvendo atransformação de matéria bruta, a prestação de serviços em energia, água, produção siderúrgica eoutras, foi o próprio caminho de desenvolvimento e formação de uma sociedade capitalista. Ou seja,isso foi um investimento dos setores dominantes e era necessário criar um Estado com capacidade dedirigir o processo de formação capitalista da sociedade brasileira. Nesse sentido é inverossímil que ospróprios capitalistas hoje façam críticas sobre esse processo, como se não tivessem responsabilidadenenhuma sobre ele. Assim parece que as coisas ocorreram por escolha, por uma simples vontadehumana de alguns dirigentes, ou mesmo por dádiva sobrenatural. Mas sabemos que não foi assimque ocorreu o movimento de construção do Estado e da Sociedade brasileira. Foi feita a políticanecessária, sob a lógica burguesa, para o desenvolvimento. Esse era o caminho possível frente àscondições reais do Brasil. Os Governos de Getúlio, Dutra, (de novo) o de Getúlio e depois de JK,apostaram, com todas as diferenças constitucionais, políticas e sociais, no mesmo caminho dedesenvolvimento econômico, encontrando maior ou menor êxito em suas táticas por conta doacúmulo de forças existente na sociedade. Assim podemos afirmar que a reforma que está sendofeita não é ponto indispensável para o desenvolvimento, mas sim para o aprofundamento dosubdesenvolvimento, da dependência e da inserção do Brasil na ordem mundial hegemônica.Novamente insistem no absurdo. Esse não é um movimento entre sociedade e governo, pois,colocados dessa forma, não são nada, são caóticos, não explicam as condições reais e as contradiçõesexistentes. A sociedade é uma abstração, “se desprezarmos, por exemplo, as classes que acompõem” [4]. Uma sociedade divida em classes possui idéias distintas, representações distintas egovernos de diferentes posições políticas. Cada governo tem uma ligação orgânica a uma ou outraclasse, ou mesmo a outras que não são fundamentais, como é o caso em uma situação bonapartista[5]. Não existe, portanto, tal movimento que cita FHC. O que ocorre é que o Estado, através dosaparelhos repressivos e ideológicos, busca transformar em universal aquilo que é particular, fazendoparecer que as idéias da burguesia são idéias de toda a sociedade. Os trabalhadores organizados,representados por entidades classistas, já deixaram claro que não concordam com as mudanças doGoverno. Setores importantes de várias organizações como OAB, ABI, CNBB e outras já mostraramque não concordam com as alterações governamentais. Movimentos de massas como o MST, UNE,UBES, já declararam suas diferenças. Os partidos de esquerda fazem uma oposição cotidiana aomodelo imposto ao Brasil. Logo, cabe perguntar: de que sociedade fala FHC? Com certeza não é asociedade real, diversas em determinações, em idéias e representações, mas a sociedade que oscapitalistas querem que exista, mesmo que não seja a sociedade existente.Todo esse discurso, entretanto, é para justificar a importância da economia de mercado e demarcá-la como a forma mais desenvolvida para fazer avançar o país.
“O grande desafio histórico.é ode articular um novo modelo de desenvolvimento que possa trazer para o conjunto da sociedadebrasileira a perspectiva de um futuro melhor” 
ou seja,
“o fortalecimento do Estado para que sejameficazes sua ação reguladora, no quadro de uma economia de mercado” 
. Com essa afirmaçãopresente no Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, demonstra-se claramente a superaçãode um modelo desenvolvimentista implementado no Brasil e a adoção do projeto de ampliação damargem de lucro e diminuição da capacidade de ação social do Estado. A ação reguladora é a marcada desconstrução progressiva dos serviços públicos, aliada ao processo de privatização,contratualização e terceirização. Tais marcas são determinantes na Reforma Administrativa propostapelo PDRAE (Plano Diretor da Reforma do Aparelho de Estado) e implementada pelo Governo. Mesmo
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