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Introdução ao Estudo do Direito, Paulo Nader.
Terceira Parte  A NOÇÃO DO DIREITO (92 páginas no total)Capítulo VIII 
Definições e Acepções da Palavra Direito
Capítulo IX 
Norma Jurídica
Capítulo XI 
Justiça e Equidade
Capítulo XIII 
Direito e Estado
Cáp. VII  O DIREITO NO QUADRO DO UNIVERSO25  INDAGAÇÃO FUNDAMENTAL- Em que setor do universo das coisas, em que faixa ontológica, o Direito se localiza?-
Miguel Reale
: À medida que situamos o Direito na esfera da realidade que lhe éprópria,determinando a estrutura do objeto que lhe corresponde, volvemos a nós mesmos, indagandocomo aquela realidade se apresenta em nosso espírito como conceito. Igual critério éadotado por
Recaséns Siches
.- O objeto Direito é apenas um, no inumerável mundo dos objetos.- Se, em aparência, o quadro geral dos objetos sugere que esse todo é um conjuntodesorganizado, uma observação profunda, pelas vias da ciência e da filosofia, há de revelaruma surpreendente harmonia:
a ordem natural das coisas
. A acção do homem, ao desenvolverprocessos criativos, corresponde a uma tentativa de ajustamento, de engajamento à essa
ordem natural das coisas
. Progresso efetivo, o homem só obtém quando padroniza o seucomportamento e o
 fazer 
com as determinantes da natureza.- Os diferentes objetos classificam-se em
ideias, naturais, culturais e metafísicos.
Em relação aoDireito, a indagação fundamental que surge é: onde se localiza o seu território?26  ALGUMAS NOTAS DO DIREITO- O Direito é algo criado pelo homem para estabelecer as condições gerais de respeito,necessárias ao desenvolvimento da sociedade.- O objeto Direito se coloca em função da convivência humana: visa a favorecer à dinâmica dasrelações sociais.- É um caminho, não o único, para se chegar a uma sociedade justa.- Os homens não vivem para o Direito, embora a vida social não tenha sentido quandodissociada do valor justiça.- O Direito é imposto heteronomamente, sem dependência à vontade de seus destinatários e,para isto, dispõe, somente ele, do elemento coação.- A causa motivadora do Direito é a satisfação das necessidades de justiça.- O conjunto de regras pode ser criado diretamente pela sociedade ou por seus órgãosespecializados; em qualquer hipótese, porém, o Direito pressupõe a chancela do Estado.- A síntese preliminar da noção ou conceito do Direito positivo engloba três elementos:a) regras sociais (fato)b) justiça: causa final (valor)c) regras impostas pelo Estado (norma).27  A TEORIA DOS OBJETOSCONCEITUALIZAÇÃO PRÉVIA:- É um dos capítulos da Ontologia (ontos = ser, logos = teoria).- Teoria dos Objetos é um estudo centralizado no sujeito de um juízo lógico.- Juízo Lógico: consiste no ato de se atribuir ou de se negar alguma coisa a um ser.- Compreende, obrigatoriamente, três elementos:- sujeito (de quem se afirma ou nega)
 
- predicado (o que se afirma ou se nega)- cópula (afirmação ou negativa)- O objeto é sempre o sujeito de um juízo lógico, é o ser a quem se atribui ou nega algumacoisa.O QUADRO DAS ONTOLOGIAS-
C
arlos
C
ossio
(jusfilósofo argentino) elaborou um quadro sobre as diversas ordens deobjetos:ONTOLOGIAS REGIONAISObjetos Caráter Caráter Caráter Métodos AtognosiológicoIdeais
Irreais: nãotêmexistênciaNão estão naexperiênciaNeutros aovalorRacional-dedutivoIntelecção
Naturais
Reais: têmexistênciaEstão naexperiênciaNeutros aovalorEmpírico-dedutivoExplicação
Culturais
Reais: têmexistênciaEstão naexperiênciaValiosos,positiva ounegativamenteEmpírico-dialéticoCompreensão
Metafísicos
Reais: têmexistênciaNão estão naexperiênciaValiosos,positiva ounegativamente-- --
28  OBJETOS NATURAISCONCEITOObjeto natural é todo elemento que integra o reino da natureza e se subordina ao
princípio decausalidade
(corresponde ao nexo existente entre a causa e o efeito de um fenômeno). A suaexistência independe da vontade humana. Graças a ele o homem mantém a sua vida, cria oseu instrumento de trabalho e produz. A planta, os rios, os peixes, os minerais são alguns dosobjetos que a natureza coloca à mercê do homem. O seu estudo se faz pelas chamadasciências naturais. Os objetos naturais dividem-se em duas espécies: físicos e psíquicos. Estessão trados pela Psicologia e se referem, por exemplo, à emoção, ao desejo, à sensação etc.CARACTERES
Reais: têmexistênciaExistem notempo e noespaço, àexceção dosobjetospsíquicos, quepossuem apenasa dimensãotemporal.Estão naexperiênciaSão acessíveispelos sentidoshumanos.Físicos:percepçãoexterna.Psíquicos:percepçãointerna.Neutros ao valorObjetivamente,não possuemsentido. Ohomem, sim,pode atribuir-lhes valor.Empírico-dedutivoExplicação
 
PRINCÍPIO DE CAUSALIDADE: corresponde ao nexo existente entre a causa e o efeito de umfenômeno.LEIS DA NATUREZA: Lei da natureza, defina por
Montesquieu
como: a relação necessáriaderivada da natureza das coisas, possui caracteres particulares, entre os quais se destacam:UNIVERSAIS: pois são iguais em todos os lugares.IMUTÁVEIS: não sofrem variações, não evoluem.INVIOLÁVEIS: o homem só pode influenciar sobre os objetos naturais até onde as leispermitem, e o que a lei permitia no passado é o mesmo que permite hoje e permitirásempre, já que a
ordem natural das coisas
é inalterável.ISONOMIA: principio da igualdade de todos perante a natureza. Ex: Morte.29  OBJETOS IDEAIS- O termo
ideal 
não possui qualquer conotação de ordem moral ou de aperfeiçoamento.Constituem campo de pesquisa da matemática, geometria e lógica.
Recaséns Siches
distingueduas espécies nesta categoria: objetos ideais puros e valores. Distinção que nem todos osautores concordam, por isto os caracteres definidos no quadro se referem aos objetos ideaispuros.
Irreais: não têmexistênciaNão ocupam umlugar no espaçoe não têmduração.Não estão naexperiênciaNão sãoacessíveis pelossentidos.Neutros ao valorCarecem desentido. A suamaterializaçãoprática pode,sim, obtersignificado,representarvalor, mas jánão será umobjeto ideal.Racional-dedutivoIntelecção
30  OS VALORES
- Axiologia
  a parte da Filosofia que estuda os valores em seu caráter abstrato, semconsiderar a sua projeção nas diferentes ciências, denomina-se
teoria dos valores
ou
axiologia.
 Os valores específicos, concretos, ficam a nível das próprias ciências. Assim, os valores jurídicossão abordados na Filosofia do Direito.CONCEITO- A ideia de valor está vinculada às necessidades humanas. Só se atribui valor a algo na medidaem que este pode atender a alguma necessidade. Assim, a necessidade gera o valor, estecoloca o homem em ação, que por sua vez vai produzir algum resultado prático: a obtenção dealgum objeto natural ou cultura, a mentalização e vivência espiritual de objeto ideal oumetafísico.- Como todo conceito-limite, o valor não comporta uma definição lógica ou real. Pode-se dizer,contudo, que a ideia de valor se compreende na noção que temos entre o
bem
e o
mal 
, entraas coisas que promovem o homem e as que o destroem. O valor não existe no ar, desvinculadodos objetos. Vem impregnado na realidade, na existência.CARACTERES- Correspondem a necessidades humanas (se o homem não possuísse necessidades aideia de valor se quer existiria)
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