OS MISERÁVEIS ROMANOSTERRY DEARY
EUROPA-AMÉRICA
Horrivelmente divertida, terrivel-mente instrutiva, repleta de ilus-trações humorísticas, situaçõesedescrições inconvenientes e depormenores «nojentos». É essaaimagem de marca da colecção de livros ilus-trados de não-ficção infanto-juvenil «HistóriasHorríveis», criada pelo inglês Terry Deary (n.1946), ex-actor, director e professor de teatroe gestor de museus. Desde o primeiro sucessode vendas, em 1993, Deary tornou-se uma má-quina de produção de
best-sellers
(vai em 185),ao ritmo de mais de uma dezena por ano. Pelocaminho, mesmo que alguns a contragosto, ospedagogos reconheceram-lhes qualidade «cien-tífica» e adoptaram-nos para os programas.«Histórias Horríveis» divide-se por váriassubséries que têm por denominador comumuma espécie de (des)dramatização criativadoconhecimento. Esquadrinhando os bastido-res do saber e da sua transmissão convencio-nal, Deary explora a atracção das crianças pelatransgressão. Assim assume, também como pose mediática, um radical questionamento dopapel da escola na aquisição de instrumentoscognitivos práticos para a vida.
FM
JANELA LARGALEMONY SNICKET
TERRAMAR
Tu Escolhes
, último livro de TeresaGuedes ilustrado por Rita Oliveira,podia emprestar o título a uma listade títulos para jovens leitores que,mais cedo ou mais tarde, conquis-tam o seu primeiro território de liberdade.Podem começar por
Janela Larga
– em Se-tembro é publicado
A Aldeia Infame
, o sétimodos 13 títulos desta colecção intitulada «Uma Série de Desgraças». Lemony Snicket, pseudó-nimo de Daniel Handler (n. 1970), é o misterio-so investigador e narrador das desventuras dostrês órfãos Baudelaire. Sobrevivem a adultos excêntricos discutivelmente fiáveis e ao condeOlaf, mestre em disfarces, perfídias e fugas, quetenta apoderar-se da fortuna que hão-de herdarcom a maioridade da irmã mais velha. Por ago-ra têm apenas a inteligente capacidade in ven-tiva de Violet, o saber enciclopédico de Klaus, osdentes da pequena Sunny e a união, infinita paciência e boa educação. Snicket desacon-selha a leitura a quem gostar de histórias feli-zes.
Sílvia Alves
ENCICLOPÉDIA PRÉ-HISTÓRICADINOSSÁURIOSROBERT SABUDA E MATTHEW REINHART
ASSÍRIO & ALVIM
Há uns anos, em parte de- vido ao sucesso imenso dofilme
Parque Jurássico
, deSteven Spielberg, os dinos -sáurios entraram em forçano imaginário infantil e nun-ca mais de lá saíram. Hojeem dia, qualquer miúdo oumiúda de oito anos sabe perfeitamente o que di-ferencia um
Triceratops
de um
Tyrannossaurus Rex
e a erudição paleontológica dos petizes chegaaté a esmagar adultos com razoável cultura cien-tífica. Foi justamente a pensar nas crianças, semdeixar de piscar o olho aos mais velhos, que RobertSabuda e Matthew Reinhart, dois especialistas naarte do
pop-up
(aquelas figuras tridimensionaisque saltam literalmente das páginas), criaram este livro. Além da informação relevante sobre os vários tipos de dinossáurios, há 35 «esculturas» depapel que ora maravilham o leitor desprevenido,ora o assustam (abra-se, por exemplo, as páginasdedicadas aos «carnívoros» para ver o que acon-tece). A adaptação para português foi feita peloProf. Galopim de Carvalho, o que é sempre umagarantia de qualidade.
JMS
Transferida para uma escola da área me-tropolitana de Lisboa, Mafalda seria sub-metida a
bullying
numa escala épica.Moralismos ecológicos, preocupaçõescom a paz mundial ou alusões crípticasa figuras da política internacional nãosão a melhor forma de angariar amigosno recreio; não passaria muito tempo atéque um dos seus inúmeros globos ter-restres lhe fosse arremessado à cabeça.Criada nos anos 60, Mafalda talvez nãotenha envelhecido da melhor forma. Jámuitos acusaram o humor de ser dema-siado datado (ou, mais intrigante, «de-masiado argentino»), mas a sua contí-nua popularidade universal parececontrariar essa ideia. Há muitas tiras ba-nais e muitas fórmulas repetidas de álbum para álbum, mas também há ine-gáveis recompensas.E tem a grande virtude de todas asbandas-desenhadas de
ensemble
: pormuito que se antipatize com a prota -gonista, há sempre um ou outro perso-nagem secundário que redime a obrainteira. Particularmente recomendávelé Miguelito, um
flâneur
precoce comum cacho de bananas na cabeça, quetenta colocar as suas impressões digi-tais num gira-discos, «só para tirar umadúvida».
RC
MAFALDA – I
QUINO
TEOREMA
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( setembro 2008 ) revista
LER
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