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NATEMPORADADOSLIVROSESCOLARES,FOMOSÀLISTADOSTULOSSUGERIDOSPELOPLANONACIONALDELEITURAPARAUSOFORADASALADEAULAEELEGEMOSCERCADETRINTA.SÃOANOSSAESCOLHAPARALEITURA OBRIGATÓRIACOM O APOIO DOSPAIS. FAÇAM O FAVOR DE ALARGAR A LISTA DE COMPRAS.
PARA ALÉM DOSLIVROSESCOLARES
 
   T   E   X   T   O   S   D   E   F   I   L   I   P   A   M   E   L   O ,    J   O   S    É   M    Á   R   I   O   S   I   L   V   A   E   R   O   G    É   R   I   O   C   A   S   A   N   O   V   A
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8-10anos
LETRAS & LETRIAS JOSÉ JORGE LETRIA (TEXTO) E ANDRÉ LETRIA(ILUSTRAÇÃO)
DOM QUIXOTE
 Através de espontâneas figuras fonológicas,sintácticas ou semânticas, as crianças pro-curam reproduzir o mundo da linguagem dosadultos. Então, os adultos surpreendem-se como mundo da linguagem das crianças. E se umadulto decide brincar ao mesmo jogo? O exer-cício só funcionará se conseguir «recriar» o es-tado de liberdade de quem pela primeira vezapreende algo fora de si e o procura verbalizar.Os surrealistas e o espanhol Ramón Gómez dela Serna tentaram-no através de «cadáveres es-quisitos» e «
 greguerías
». A partir desses doisexemplos e da convicção de que «o poeta é umfarol a iluminar as palavras que ainda ninguémusou», José Jorge Letria e o filho, o ilustrador André Letria, compuseram Letras & Letrias.O desafio criativo de imaginação verbal e visualdo livro parte de 26 frases, como «a escuridãoé o pijama da noite», «o morcego dorme de cabeça para baixo para ver se, assim, o mundofaz sentido» ou «o amor é o que se diz só paraconfirmar o que se sente». Achados poético-lú-dicos, tão divertidos para as crianças quanto para os adultos.
FM
A ILHA DO TESOUROROBERT LOUIS STEVENSON
PORTO EDITORA
Esta aventura de marinha-ria e cobiça, publicada porStevenson em 1883, é ogrande arquétipo das histó-rias de piratas, uma narrati- va primorosa que inflamoua imaginação de sucessivas gerações de crian-ças e adolescentes. No centro de tudo está JimHawkins, um jovem grumete que mergulhaàforça na idade adulta, ao partilhar o convéscom homens de barba rija e poucos escrúpulosmorais (como Billy Bones, o cego Pew ou o mí-tico Long John Silver, com a sua perna de pau).Um pouco à semelhança do protagonista deMoby Dick, Hawkins sobrevive ao grande es-pectáculo da loucura humana, acelerada pelabusca insana de um baú cheio de moedas deouro, e regressa a casa para contar as suas pro- vações, tendo ainda a voz afiada do papagaiode Silver a pairar na sua memória.
 JMS
 Apesar de a idade de Peter Pan nunca sermencionada no romance, «entre oito e 10anos»é uma boa aproximação. Esta será,também, a idade ideal para descobrir a imor-tal criação de J.M. Barrie (1860-1937), um ba-ronete escocês cujas características físicas einsólitos hábitos sociais tornariam a sua vi-da, nos dias de hoje, tão juridicamente difícilcomo a de Michael Jackson.Deformado por décadas de adaptaçõese
merchandising 
, Peter Pan é um dos arqué-tipos da literatura universal (juntamente como monstro de Frankenstein) que menos seme -lhanças tem com o material original. Qualquerser humano sabe que Peter Pan é o rapaz quese recusa a crescer, mas muitos serão surpre-endidos pela revelação de que Peter Pan tam-bém é o rapaz que se recusa a deixar de sercretino. (O Capitão Gancho, em comparação,comporta-se apenas como um tio rabugento.)Petulante, egoísta, mal-educado e praticamen-te suicida, ele é a mórbida encarnação dessaperene fantasia das mães: a «má companhia».Na página, contudo, nunca deixa de ser com-pulsivamente vívido. Enão haverá melhor ma-neira de viciar uma criança na leitura do queapresentar-lhe alguém tão insuportável quan-to ela – mas com a capacidade de voar.
RC
PETER PAN
 JAMES MATTHEW BARRIE
RELÓGIO D’ÁGUA
              S
U
revista
LER
(
setembro 2008 )
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©Getty Images/Jonathan Barry
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OS MISERÁVEIS ROMANOSTERRY DEARY
EUROPA-AMÉRICA
Horrivelmente divertida, terrivel-mente instrutiva, repleta de ilus-trações humorísticas, situaçõesedescrições inconvenientes e depormenores «nojentos». É essaaimagem de marca da colecção de livros ilus-trados de não-ficção infanto-juvenil «HistóriasHorríveis», criada pelo inglês Terry Deary (n.1946), ex-actor, director e professor de teatroe gestor de museus. Desde o primeiro sucessode vendas, em 1993, Deary tornou-se uma má-quina de produção de
best-sellers
(vai em 185),ao ritmo de mais de uma dezena por ano. Pelocaminho, mesmo que alguns a contragosto, ospedagogos reconheceram-lhes qualidade «cien-tífica» e adoptaram-nos para os programas.«Histórias Horríveis» divide-se por váriassubséries que têm por denominador comumuma espécie de (des)dramatização criativadoconhecimento. Esquadrinhando os bastido-res do saber e da sua transmissão convencio-nal, Deary explora a atracção das crianças pelatransgressão. Assim assume, também como pose mediática, um radical questionamento dopapel da escola na aquisição de instrumentoscognitivos práticos para a vida.
FM
 JANELA LARGALEMONY SNICKET
TERRAMAR
Tu Escolhes
, último livro de TeresaGuedes ilustrado por Rita Oliveira,podia emprestar o título a uma listade títulos para jovens leitores que,mais cedo ou mais tarde, conquis-tam o seu primeiro território de liberdade.Podem começar por
 Janela Larga
– em Se-tembro é publicado
 A Aldeia Infame
, o sétimodos 13 títulos desta colecção intitulada «Uma Série de Desgraças». Lemony Snicket, pseudó-nimo de Daniel Handler (n. 1970), é o misterio-so investigador e narrador das desventuras dostrês órfãos Baudelaire. Sobrevivem a adultos excêntricos discutivelmente fiáveis e ao condeOlaf, mestre em disfarces, perfídias e fugas, quetenta apoderar-se da fortuna que hão-de herdarcom a maioridade da irmã mais velha. Por ago-ra têm apenas a inteligente capacidade in ven-tiva de Violet, o saber enciclopédico de Klaus, osdentes da pequena Sunny e a união, infinita paciência e boa educação. Snicket desacon-selha a leitura a quem gostar de histórias feli-zes.
Sílvia Alves
ENCICLOPÉDIA PRÉ-HISTÓRICADINOSSÁURIOSROBERT SABUDA E MATTHEW REINHART
ASSÍRIO & ALVIM
Há uns anos, em parte de- vido ao sucesso imenso dofilme
 Parque Jurássico
, deSteven Spielberg, os dinos -sáurios entraram em forçano imaginário infantil e nun-ca mais de lá saíram. Hojeem dia, qualquer miúdo oumiúda de oito anos sabe perfeitamente o que di-ferencia um
Triceratops
de um
Tyrannossaurus Rex 
e a erudição paleontológica dos petizes chegaaté a esmagar adultos com razoável cultura cien-tífica. Foi justamente a pensar nas crianças, semdeixar de piscar o olho aos mais velhos, que RobertSabuda e Matthew Reinhart, dois especialistas naarte do
 pop-up
(aquelas figuras tridimensionaisque saltam literalmente das páginas), criaram este livro. Além da informação relevante sobre os vários tipos de dinossáurios, há 35 «esculturas» depapel que ora maravilham o leitor desprevenido,ora o assustam (abra-se, por exemplo, as páginasdedicadas aos «carnívoros» para ver o que acon-tece). A adaptação para português foi feita peloProf. Galopim de Carvalho, o que é sempre umagarantia de qualidade.
 JMS
Transferida para uma escola da área me-tropolitana de Lisboa, Mafalda seria sub-metida a
bullying 
numa escala épica.Moralismos ecológicos, preocupaçõescom a paz mundial ou alusões crípticasa figuras da política internacional nãosão a melhor forma de angariar amigosno recreio; não passaria muito tempo atéque um dos seus inúmeros globos ter-restres lhe fosse arremessado à cabeça.Criada nos anos 60, Mafalda talvez nãotenha envelhecido da melhor forma. Jámuitos acusaram o humor de ser dema-siado datado (ou, mais intrigante, «de-masiado argentino»), mas a sua contí-nua popularidade universal parececontrariar essa ideia. Há muitas tiras ba-nais e muitas fórmulas repetidas de álbum para álbum, mas também há ine-gáveis recompensas.E tem a grande virtude de todas asbandas-desenhadas de
ensemble
: pormuito que se antipatize com a prota -gonista, há sempre um ou outro perso-nagem secundário que redime a obrainteira. Particularmente recomendávelé Miguelito, um
 flâneur 
precoce comum cacho de bananas na cabeça, quetenta colocar as suas impressões digi-tais num gira-discos, «só para tirar umadúvida».
RC
MAFALDA – I
QUINO
TEOREMA
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( setembro 2008 ) revista
LER
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