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Dimensões psicológicas e sociaisda criatividade

Dimensões psicológicas e sociaisda criatividade

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Alencar, E. M. L. S. (2001). Criatividade e educação de superdotados. Petrópolis, RJ: Vozes. Cap. 1.
Dimensões psicológicas e sociaisda criatividade
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Em
 
busca da inspiração, os gregos invocavam as musas, uma vez que concebiam a criatividadecomo um estado místico de receptividade a algum tipo de mensagem proveniente de entidades divinas.Outros associavam o criador com o louco, destacando a necessidade de explicar patologicamente anatureza irracional ou involuntária da criação e considerando o trabalho criativo como uma tentativa decompensar desajustamentos ou como uma entre outras formas de expressão de conflitos inconscientes.A produção inovadora do homem como uma expressão de uma criatividade universal imanente em tudoo que existe é também uma concepção bem conhecida.Nota-se que, entre estas concepções da criatividade e a ênfase atual no uso deliberado deestratégias e técnicas para a sua promoção, muitos estudos foram feitos e inúmeras questões foramabordadas. Dentre estas, poder-se-iam apontar, por exemplo, os fatores facilitadores e inibidores àprodução criadora, as características motivacionais e traços de personalidade de indivíduos que sedestacam por uma alta criatividade, as diversas etapas do processo criador e a extensão em que a edu-cação pode favorecer o desenvolvimento das habilidades necessárias à produção criadora. Constata-se,entretanto, que um interesse acentuado pelo estudo da natureza e expressão da criatividade ocorreuespecialmente na segunda metade do século passado, fruto de vários fatores, como: as mudanças naconcepção do ser humano; as novas concepções da inteligência; o Movimento Humanista naPsicologia; o Movimento do Potencial Humano.
Mudanças na concepção do ser humano
Entre os modelos que predominaram na primeira metade do último século, poder-se-ia destacaraquele que concebia o ser humano como um organismo cognitivamente vazio, dominado pelosimpulsos primários, cuja motivação se reduzia aos impulsos biológicos de fome, sede e sexo e aoimpulso condicionado de evitar a dor, reagindo o indivíduo aos estímulos através das operações doreforço e da punição. Outra concepção do ser humano, também dominante, reduzia a explicação docomportamento a configurações de necessidade, valores, conflitos, estímulos cognitivos, repressões eoutras forças conscientes, subconscientes e inconscientes, determinantes do seu pensamento ecomportamento. Em ambos os modelos, o indivíduo era visto como um ser passivo, acomodativo ousomente reativo. Em uma concepção homeostática de redução da tensão, o seu comportamento era umaresposta a estímulos apresentados ou a conflitos e problemas que levavam o indivíduo a agirprimariamente com vistas a voltar ao seu estado original de equilíbrio (Getzels & Csikszentmihalyi,1975).Uma nova visão de homem surgiu, chamando a atenção para o fato de que este age não apenasno sentido de eliminar a tensão e a estimulação, mas também tendo em vista aumentá-la. As pesquisasde White (1959), de Harlow e outros pesquisadores do Laboratório de Primatas da Universidade deWisconsin (Butler, 1970) contribuíram para esta mudança de concepção, chamando a atenção para acuriosidade, comportamento exploratório ou busca de estimulação. Harlow e outros estudiosos daUniversidade de Wisconsin observaram, por exemplo, o alto nível de comportamento manipulatório demacacos, que não se cansavam de desmontar um quebra-cabeça que a cada seis minutos lhes era
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Originalmente publicado em Almeida, LS. (org.) (1991).
Cognição e aprendizagem escolar.
Porto: Apport, quepermitiu sua reprodução. - Pequenas alterações foram introduzidas no texto.
 
 
Alencar, E. M. L. S. (2001). Criatividade e educação de superdotados. Petrópolis, RJ: Vozes. Cap. 1.
apresentado, tendo como única recompensa o próprio trabalho. Também White observou que criançascom as suas necessidades básicas satisfeitas, ao contrário de permanecerem em descanso, como sepoderia supor pela Teoria da Redução do Impulso, apresentavam níveis mais elevados de exploração ede atividade nas suas brincadeiras, agindo sobre o ambiente, buscando situações novas, aumentando oseu nível de estimulação e pondo em prática a sua iniciativa, imaginação e curiosidade.
Novas concepções do intelecto
Conforme lembra Getzels e Csikzentmihalyi (1975), um dos grandes obstáculos à emergênciada criatividade como uma área autônoma de estudo, na primeira metade do século passado, foi odomínio de um conceito de inteligência, apoiado no reconhecimento do valor dos testes construídospara a sua medida. Naquele período predominou o conceito de inteligência associado à capacidade ouaptidão mental. Se a inteligência se aplicava a qualquer pessoa, a criatividade era vista comoprerrogativa de alguns poucos privilegiados. Os testes de inteligência eram aceitos e valorizados, o QIera um termo popular e largamente difundido. Muitos acreditavam ainda que a inteligência era umadimensão relativamente fácil de ser medida e avaliada, embora algumas divergências houvessem noque diz respeito à concepção de inteligência como habilidade única, passível de avaliação através deum único instrumento ou como constituindo-se em habilidades diversas. Idéias opostas predominavamem relação à criatividade.Entre outras contribuições que levaram a uma mudança de perspectiva, poder-se-ia lembrar a deGuilford. No seu discurso como presidente da Associação Norte-Americana de Psicologia, em 1950,apontou para o fato de que, nos 121.000 títulos indexados na literatura de Psicologia dos Estados Uni-dos até aquele momento, somente 186 faziam referência à criatividade, e que a generalidade dos testesde inteligência revelava muito pouco das habilidades criativas do indivíduo. Já naquela data, Guilfordvinha desenvolvendo pesquisas com o objetivo de compreender a inteligência humana em geral, in-cluindo os processos de pensamento de indivíduos durante o ato de produção, levando Guilford adesenvolver um modelo a que chamou de Estrutura do Intelecto - concepção da inteligência comocompreendendo muitas dimensões. Nesse modelo, Guilford deu destaque, entre outras operaçõesintelectuais, à produção convergente e à produção divergente. Esta última caracterizava o trabalhomental ou a operação relativa à produção de uma quantidade e variedade de respostas, a partir de umadada informação, enquanto a primeira se referia à produção de respostas que se encontravam implícitaou explicitamente na natureza das informações recebidas. Guilford viu na produção divergente asindicações mais óbvias da criatividade, embora considerasse também a contribuição de outros fatoresao longo do processo criador (Guilford, 1967).
Movimento Humanista na Psicologia
Esse movimento teve como representantes principais Carl Rogers, Rollo May e AbrahamMaslow. Todos eles, a partir da década de cinqüenta, chamaram a atenção para o ilimitado potencialhumano, dando ênfase à necessidade de auto-realização. Rogers (1959) destacou ainda as seguintescondições facilitadoras da criatividade: 1) segurança psicológica, que seria estabelecida através de trêsprocessos: aceitação do indivíduo como de valor incondicional, existência de um clima onde aavaliação externa esteja ausente, compreensão empática; 2) liberdade psicológica, que significapermitir ao indivíduo uma completa liberdade de expressão simbólica, favorecendo a abertura e o jogoespontâneo de percepções, conceitos e significados.Tanto Rogers (1959) como Rollo May (1982) foram enfáticos ao apontar o fracasso da escolano processo de favorecer à criatividade, dada a ênfase exagerada no conformismo, na passividade e na
 
Alencar, E. M. L. S. (2001). Criatividade e educação de superdotados. Petrópolis, RJ: Vozes. Cap. 1.
estereotipia, ou limitando as possibilidades de escolha e liberdade de ação, bem como dificultando aexploração de novas idéias e novas possibilidades.
Movimento do Potencial Humano
Este movimento tem as suas origens nos estudos do psicólogo norte-americano William James,ao formular a hipótese do grau de aproveitamento das potencialidades humanas. Para este autor, apessoa normal, saudável e produtiva faz uso apenas de aproximadamente dez por cento de suacapacidade (Otto, 1977). Mais recentemente, inúmeros pesquisadores salientam que o ser humano temfeito uso de uma parcela muito limitada de seu potencial criador, permanecendo muitas capacidadesinibidas por falta de estímulo, de encorajamento ou de um ambiente favorável ao seu desenvolvimento.O enorme desperdício de potencialidades humanas foi também referido por Schiff (1994), ao criticar aorganização social e escolar. Este autor ressalta, por exemplo, que as práticas pedagógicasdesencorajam aqueles que refletem, que se questionam e questionam os outros. Schiff chamouespecialmente a atenção para
 
o desperdício das possibilidades intelectuais, em função de uma visãopessimista dos recursos e possibilidades de cada indivíduo, sobretudo quando proveniente de famíliasda classe social baixa.Muitas provas deste imenso potencial, que permanece na maioria das vezes inibido, adormecidoou bloqueado, têm sido apresentadas. Poder-se-ia destacar as oriundas de pesquisas na área do
biofeedback,
da parapsicologia e de estados alterados de consciência. Em todas elas apontam-serecursos e possibilidades que não têm sido aproveitadas pelo ser humano. As pesquisas desenvolvidasno Instituto para a Pesquisa da Mente, nos Estados Unidos (Houston, 1977), ilustraram algumas es-tratégias usadas para se desbloquear capacidades inibidas em nível subconsciente, e alcançar o controleconsciente de processos não-conscientes e involuntários. Foram estudos realizados neste Instituto e emoutros centros de pesquisa que fizeram cair por terra algumas idéias errôneas sobre criatividade,comuns na primeira metade do último século. Referimo-nos, por exemplo, à visualização dacriatividade como um dom presente em apenas alguns indivíduos privilegiados, a sua concepção comoum lampejo de inspiração que ocorre sem uma razão explicável, ou ainda a visualização da criatividadecomo dependendo apenas de fatores intrapessoais, subestimando-se a enorme contribuição dasociedade, como um todo, para o processo criativo.Ao mesmo tempo, os estudos realizados permitiram compreender que o potencial criador seexprime não apenas nas artes e nas grandes invenções, mas é o ingrediente fundamental na resoluçãode grande número de problemas que o homem enfrenta. Tais estudos salientaram, ainda, que, embora oprocesso criativo seja um fenômeno de natureza intrapsíquica, é fortemente facilitado por um climapropício.Como conseqüência de alguns estudos realizados, a criação deixou também de ser vista comoproduto apenas de um lampejo de inspiração, e a preparação do indivíduo, sua disciplina, dedicação,esforço consciente, trabalho prolongado e conhecimento de uma área do saber passaram a serconsiderados como pré-requisitos para o produto criativo. Por outro lado, ao analisarmos as condiçõessociais, percebemos claramente que vivemos em uma sociedade que nos ensina, desde muito cedo, aresguardar a nossa curiosidade, a evitar situações que poderiam redundar em sentimentos de perda oude fracasso, a desenvolver uma atitude negativa com relação ao comportamento de correr riscos eexperimentar, priorizando-se a busca da segurança. Aprendemos ainda, desde muito cedo, que oscomportamentos mais valorizados no contexto da família e da escola não são os que levam àexploração, à descoberta e mesmo, muitas vezes, ao crescimento. Os comportamentos mais apreciadossão os que levam ao conformismo, à passividade e à estereotipia. Aprendemos também, desde osnossos primeiros anos, a criticar as nossas idéias e a acreditar que talento, inspiração e criatividade

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