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Termo de Audiência com Sentença

Termo de Audiência com Sentença

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Termo de Audiência com Sentença
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2ª Vara Criminal - Zona Norte
fl. _____ 
 PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTEJUÍZO DE DIREITO DA 2ª VARA CRIMINAL - ZONA NORTE DA COMARCA DE NATAL
TERMO DE AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO
Processo nº (APAGADO)Acusado: Leandro (APAGADO) e KARLA (APAGADO)Data e hora: 20/01/2011 às 08:30h
PRINCIPAIS INFORMAÇÕES E OCORRÊNCIAS[s = sim | n = não] - Presenças
: Ministério Público, Drª Sivoneide Tomaz do Nascimento - s;acusado(a)(s)
Leandro (APAGADO)
e
KARLA (APAGADO)
: - s; defensor, Defensor Público, Dr. Manuel Sabino Pontes - s.
Oitiva(s)
: vítima: - n; testemunha(s): - s. Nome(s)da(s) testemunha(s) e declarantes ouvido(a)(s):
WILSON SOARES DE LIMA
e
RONILSON MOREIRA DOS SANTOS
; Acusado(a)(s): - s.
Caminho e nome do arquivomultimídia
: D:\Gravação de Audiências\2011\janeiro\(APAGADO).
Alegações finais orais
-(s).
Ocorrências dignas de nota
: disse o MM Juiz: "Antes de proceder ao interrogatório doacusado, entendeu o magistrado que o Estado Democrático de Direito repercute no âmbito doProcesso Penal através do Princípio Acusatório. Apregoa ele que as funções de acusar,defender e julgar são atribuídas a órgãos diversos, bem como que a produção das provascompete às partes e não ao magistrado. Outrossim, quando o magistrado produz as provas ele perde sua imparcialidade, notadamente em favor da acusação, pois a tese é o primeiroelemento que lhe chega às mãos. Na verdade, inconscientemente (e às vezes conscientementetambém), termina o magistrado por buscar nas provas apenas, e tão somente, a confirmaçãodo pré-juízo anterior condenatório que já possuía, culminando por despir-se da toga e a dividir a vestimenta da beca de quem acusa, seja o Ministério Público, seja o querelante. Por isso ointerrogatório será procedido pelas partes e, ao final, complementarei com alguma dúvida quetiver, sendo a última pergunta se a parte ré tem algo mais a dizer em sua defesa, cumprindo o princípio da ampla defesa"..
Deliberações finais
: segue sentença.
SENTENÇARELATÓRIO
Trata-se de ão penal blica em que figura
LEANDRO (APAGADO)
e
KARLA (APAGADO)
, partes já qualificada nos autos, como acusadas pela prática dos fatosvioladores das regras penais previstas no(s)
artigos(s) 33,
caput 
, e 35,
caput 
, ambos da Leinº 11.343/2006
.Quanto às provas documentais e periciais, há o seguinte: o termo de exibição eapreensão de fl. 13; o laudo de constatação de fl. 14 e o exame químico-toxicológico de fl.110.A denúncia foi recebida no dia 08/10/2010 (fl. 92). A citação se deu às fls. 93 e 94.A resposta à acusação se encontra às fls. 105-107. O interrogatório ocorreu em audiência. Astestemunhas foram ouvidas em audiência. Nas suas alegações finais a acusação disse, em suma, o seguinte: a materialidade ea autoria estão comprovadas pelas provas juntadas aos autos, pelo menos em relação ao
1
Av. Guadalupe 2145 Conj. Santa Catarina, 2º Andar, Potengi - CEP 59.112-560, Fone: 84 3615-4663, Natal-RN- E-mail: zn2cri@tjrn.jus.br As informações processuais poderão ser acompanhadas através do sítio "www.tjrn.jus.br".
 
acusado
LEANDRO (APAGADO)
, devendo ser condenado nos termos da inicial. Já emrelação à acusada
KARLA (APAGADO)
, a mesma tinha pouca instrução, mas passousinceridade. Ela disse que nem consumia e nem sabia do envolvimento do marido com asdrogas. Pediu a absolvição por não haver provas de que praticou a infração. A acusação deassociação para fins de tráfico, em relação ao acusado
LEANDRO (APAGADO)
, deve ser rejeitada, uma vez que a acusada foi absolvida, faltando, agora, um dos elementos, o daassociação. Em, relação ao acusado
LEANDRO (APAGADO)
, foram encontradas dorgas emvários locais. No caso dos autos, ficou comprovado que o acusado guardava em sua casa, parafins de mercancia, o crack. Pediu a condenação apenas do acusado por tráfico de drogas. Nas suas alegações finais a defesa disse, em suma, que em relação à busca, policiais disseram que a busca ser autorizada. Mas ela foi ilegal. Neste caso, não houveautorização para a busca, pois teria obrigação. Os policiais disseram que havia uma denúnciade que naquele local havia tráfico. Tem receio de denúncias anônimas. Infelizmente nossosistema tem aceitado. Começa a haver repulsa a essa prática. Quem sabia que havia droga não pode ser questionado. Tem graves desconfianças. Mas o raciocínio que o faz acreditar nalegalidade. Disseram os policiais que havia uma denúncia anônima. Difere de um outro casoem que não houve indicação de que havia tráfico de drogas. Nesse caso foi diferente.Realmente sabiam da existência do tráfico. Não é verossímil que a pessoa indique onde estavaa droga. O acusado
LEANDRO (APAGADO)
alegou ter sido agredido. O delegadodeterminou sua submissão a laudo. Constam várias lesões no laudo. Infelizmente é um padrãotriste a tortura pelos policiais. É necessária a investigação disso pelo MP, até porque oacusado disse que havia sido agredido por policiais de outras viaturas. Não havia motivo que justificasse as lesões. Tanto é que os policias não lavraram o auto de resistência. Em relação àacusada, deve ser absolvida, o que leva à absolvição do acusado
LEANDRO (APAGADO)
em relação à associação para fins de tráfico de drogas. Pediu a aplicação das atenuantes damenoridade, da confissão e da co-culpabilidade. Haja vista a minorante do § 4º, não se tratade crime hediondo, o que permite um regime inicial mais brando e a substituição por penaalternativa. Pediu o encaminhamento do inquérito, da denúncia e das gravações realizadashoje, ao MP.
FUNDAMENTAÇÃO
Obedecendo ao comando esculpido no art. 93, IX, da Constituição Federal, e dando início àformação motivada do meu convencimento acerca dos fatos narrados na inicial e imputados à parte ré, verifico a materialidade e a autoria. No tocante à prova documental ou pericial, consta o termo de exibição e apreensãode noventa e três pedras aparentando ser 
crack 
, onze trouxinhas e cinco tabletes pequenosaparentando ser a droga maconha, dentre outros objetos.O laudo de constatação e o examequímico-toxicológico concluíram que a erva apreendida era a droga conhecida popularmente por maconha e que as pedras analisada continham em sua composição o alcalóide cocaína.A testemunha
WILSON SOARES DE LIMA
, durante oitiva judicial, afirmou queestavam patrulhando quando um oficial recebeu a informação de que no local funcionava uma boca de fumo. Foram à residência e a proprietária permitiu que entrassem. Em diligênciasencontraram trouxinhas de crack no telhado e maconha no quarto. Estava patrulhando na área.Quem ligou não quis se identificar. A ligação foi direta para o oficial de serviço. Foiapreendido dinheiro. Esse local é suspeito de tráfico de drogas, mas na Zona Norte é difícilnão encontrar uma boca de fumo. Achou droga no telhado. A droga estava entre duas telhas.O acusado foi quem informou onde estava a droga. A entrada foi franqueada pela acusadaKarla, após o depoente ter dito que havia uma suspeita de tráfico de drogas. As outras drogasforam encontradas pelos outros policiais. Não encontrou ninguém que dissesse que osacusados vendiam drogas. Alguns eletrodomésticos foram levados no flagrante. Não havia balança de precisão.
RONILSON MOREIRA DOS SANTOS
, testemunha ouvida judicialmente,relatou que estavam patrulhando o tenente recebeu um telefonema. Foram fazer umadiligência, pois as informações davam conta de tráfico de drogas. Pediram para entrar. A parte
 
2ª Vara Criminal - Zona Norte
fl. _____ 
 do depoente foi procurar drogas. Encontrou drogas. Havia um microondas e material decabeleireiro. Encontrou drogas fracionadas. Encontrou pedras de crack em embalagens pequenas para venda. Eram 93 pedras de crack. Ficou do lado de fora no momento da entrada. No início eles negaram que houvesse drogas. Eles não chegaram a dizer se eram dependentesquímicos. A acusada estava assustada. O acusado inicialmente se negou a ir, tendo sido preciso ser imobilizado. Mas ele não reagiu. Não chegou a ver o acusado lesionado.Encontrou um forno microondas encostado e material de cabeleireiro. Os acusados assumiramque a casa era deles, mas não chegaram a dizer, pelo menos ao depoente, que a droga seriadeles.Durante interrogatório judicial, a parte acusada
LEANDRO (APAGADO)
disseque é verdadeira a acusação. É dependente de maconha. A acusada chegou para pegar odinheiro da criança e foi quando a polícia chegou. Eles mandaram abrir o portão e a acusadaabriu. Colocaram um saco na cabeça do depoente e ele disse onde estava a droga. Na épocavendia batatinha e DVD. Já recebeu a maconha e a cocaína embalada. Vendeu umas dez pedrinhas, só. Fazia um mês que tinha alugado. Morava sozinho. As pranchas de cabeloestavam quebradas. O depoente comprou na feira.Comprava e vendia. O forno de microondasera quebrado também. Comprava e quando chegava em casa via que estava quebrada.Consome maconha desde 2006. Resolveu vender drogas porque estava aperreado, precisandode dinheiro.Foi a primeira vez que vendeu drogas. Sua esposa não o ajudou em nada.Guardava tudo nas telhas. Era uma quantidade só. A maconha era pra uso e o crack pra droga.A polícia deu chute, paulada e sacos na cabeça. Quem bateu no depoente foi o pessoal dasoutras viaturas. Está trabalhando como vendedor de tapiocas. Seu pai é aposentado. Foi criado pelo seu pai e pela sua mãe. Não sabe ler. Ainda fuma maconha, de vez em quando. Consegue passar até cinco dias sem fumar. o consegue parar. Nunca fez tratamento contradependência química. Gostaria de fazer tratamento contra dependência química. Nunca foi preso e nem processado antes.
KARLA (APAGADO)
relatou em seu interrogario que a acusão éverdadeira. Não consome drogas. Não sabe sobre as drogas. Morava com sua avó e foi à casado acusado pegar o dinheiro pra criança e ficou conversando quando a polícia chegou. Erammuitos policiais. Era próximo do meio-dia. Não saia que havia tráfico de drogas. Viu quandoacharam a droga da sala. Não consome drogas. Fazia mais ou menos um mês que o acusadomudou. Na época o acusado ajudava a mãe dele na praia. Foi criada pela avó materna.Estudou até a sexta série. Sabe ler e escrever. Nunca foi presa e nem processada antes. Emsíntese à tese da acusação e a antítese da defesa, concluo que a prova principal deve ser declarada ilícita e os acusados devem ser absolvidos. Vou explicar.Vivemos uma difícil realidade na Zona Norte de Natal. São tantas asdenúncias que vemos nos meios de comunicação, corroboradas pelos testemunhos aquicolhidos, que comecei a me questionar acerca da legalidade, para não dizeconstitucionalidade das inúmeras prisões e apreensões em virtude de denúncias anônimas.E passei a observar que
o
 script 
é, quase que invariavelmente, o mesmo: diz apolícia que recebeu denúncia anônima de que determinada pessoa estava traficando.Dirigem-se ao local e visualizam o cidadão entrar em casa, geralmente correndo comalgo na mão. Numa situação de suspeita, pedem permissão para entrar na casa a ummorador e são atendidos ou a porta estava aberta.
Alguns confessam que entraram à forçamesmo, pois tinham visto a droga com o suspeito.Imagino quão difícil não deve ser avaliar se era realmente droga que estava o suspeitotrazendo consigo.Foram inúmeros testemunhos dando conta de abusos de autoridade, extorsões, lesões
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Av. Guadalupe 2145 Conj. Santa Catarina, 2º Andar, Potengi - CEP 59.112-560, Fone: 84 3615-4663, Natal-RN- E-mail: zn2cri@tjrn.jus.br As informações processuais poderão ser acompanhadas através do sítio "www.tjrn.jus.br".

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Sergio Nogueira added this note
Parabéns! Embora os que assim procedem não seja a maioria, há uma luz no fim do túnel, e para nós que vivemos sob a Ditadura, vermos os nascidos do Estado Democrático de Direito (embora ainda muito formal) dando frutos, nos faz sonhar com coisas maiores, e, portanto começar a crer no efeito condicionante da Constituição como apregoava Konrad Hesse. Que cada vez mais haja “vontade de Constituição”.
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