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Os Lusiadas-Analise Da Proposicao

Os Lusiadas-Analise Da Proposicao

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08/12/2013

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AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE CAMARATED. NUNO ÁLVARES PEREIRA
SEDE: ESCOLA E B 2, 3 MÁRIO DE SÁ CARNEIRO
FICHA INFORMATIVA
Análise da
Proposição 
 
1 As armas e os barões assinalados
1
 Que, da ocidental praia Lusitana,Por mares nunca dantes navegadosPassaram ainda além da Taprobana
2
,Em perigos e guerras esforçadosMais do que prometia a força humana,E entre gente remota edificaramNovo Reino
3
, que tanto sublimaram;2 E também as memórias gloriosasDaqueles Reis que foram dilatandoA Fé, o Império, e as terras viciosas
4
 De África e de Ásia andaram devastando,E aqueles que por obras valerosasSe vão da lei da Morte
5
libertando;Cantando espalharei por toda a parte,Se a tanto me ajudar o engenho
6
e arte
7
.3 Cessem do sábio Grego
8
e do Troiano
9
 As navegações grandes que fizeram;Cale-se de Alexandro
10
e de Trajano
11
 A fama das vitórias que tiveram;Que eu canto o peito ilustre lusitano
12
,A quem Neptuno e Marte
13
obedeceram.Cesse tudo o que a Musa antiga
14
canta,Que outro valor mais alto se alevanta.
Os Lusíadas 
(I, 1-3)
1
 
A expressão inicial pode ser entendida como “Os feitos e os homens ilustres”. É um decalque do 1º verso da
Eneida:
 Arma virumque cano
.
2
 
Taprobana
 
 – 
nome clássico da ilha de Ceilão, ao sul da Índia.
3
 
 Novo Reino
 
 – 
império português no Oriente.
4
 
 terras viciosas
 
 – 
terras não cristãs.
5
 
lei da Morte
 
 – 
esquecimento.
6
 
engenho
 
 – 
talento.
7
 
 arte
 
 – 
eloquência, a arte de dizer.
8
 
 sábio Grego
 
 – 
Ulisses, herói da Odisseia. Ao voltar a casa, depois da guerra de Tróia, navegou durante dez anospelo mar Mediterrâneo.
9
 
Troiano
 
 – 
Eneias, herói da Eneida. Camões chama-
lhe “troiano”, porque era filho do rei de Tróia, Príamo. Após
a destruição de Tróia, navegou com os companheiros pelo Mediterrâneo, procurando um lugar para fundar umanova cidade (Roma).
10
 
 Alexandro
 
 – 
Alexandre Magno, cujo império ia da Grécia às proximidades do rio Indo.
11
 
Trajano
 
 – 
imperador romano, conhecido pelas suas campanhas militares.
12
 
 peito ilustre Lusitano
 
 – 
povo português.
13
 
 Neptuno
e
 Marte
 
 – 
Respectivamente, deus do mar e da guerra, para os romanos.
14
 
 Musa antiga
 
 – 
poesia antiga.
 
 Como vimos, a finalidade da
 proposição 
, em qualquer epopeia, é a enunciação do assunto que opoeta se propõe tratar.
Assim é, também, n’
Os Lusíadas 
:
Camões está decidido a tornar conhecido emtodo o mundo o valor do povo português (
“   
o peito ilustre lusitano 
”    
). E para isso estrutura a suaproposição em duas partes: nas duas estâncias iniciais, enuncia os heróis que vai cantar; na segundaparte, constituída pela terceira estrofe, estabelece um confronto entre os portugueses e os grandesheróis da Antiguidade, afirmando a superioridade dos primeiros sobre os segundos.Que o herói desta epopeia é colectivo, é um facto incontestável. Quanto a isso, o próprio título é
inequívoco: os “lusíadas” são, afinal, os portugueses —
todos, não apenas os passados, mas até ospresentes e futuros, na medida em que assumam as virtudes que caracterizam, no entendimento dopoeta, o povo português e que ele sintetiza, na dedicatória a D. Sebastião, desta forma:amor da pátria, não movidoDe prémio vil, mas alto e quase eterno
15
 
O facto de o seu herói ser colectivo e a sua acção se estender por um intervalo de tempo muitovasto permite-lhe desdobrá-lo em subgrupos, conforme verificaremos a seguir. O plural utilizado para
designar cada um deles confirma o carácter colectivo do herói: “
barões assinalados 
”, “
Reis 
”, “
aqueles 
”.
A inversão da ordem sintáctica nessa primeira frase, que engloba as duas estâncias iniciais, podetornar difícil, à primeira leitura, a compreensão do texto. A ordem normal seria esta:
Cantando,espalharei por toda a parte as armas e os barões...
 Pode esquematizar-se o conteúdo dessas duas estrofes da seguinte maneira:Através da poesia,se tiver talento para isso,tornarei conhecidos em todo o mundo
os homens ilustres
que fundaram o império português do Oriente
os reis, de D. João I a D. Manuel
,que expandiram a fé cristã e o império português
todos os portugueses
dignos de admiração pelos seus feitos.
15
 
Os Lusíadas
(I, 10)

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