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TOMADA DE POSIÇÃO SOBRE A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DOCENTE

TOMADA DE POSIÇÃO SOBRE A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DOCENTE

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Published by: octávio v gonçalves on Feb 04, 2011
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TOMADA DE POSIÇÃO SOBRE A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DOCENTE
O actual sistema de Avaliação do Desempenho Docente (ADD), conforme estabelecidono Estatuto da Carreira Docente, Decreto - Lei nº 75/2010 de 23 de Junho, eregulamentado pelos Decreto Regulamentar nº 2/2010 de 23 de Junho, pelo Despachonº14420/2010 de 15 de Setembro e pelo Despacho 16034/2010 de 22 de Outubro, nãogarante imparcialidade nem transparência no processo avaliativo, permitirá asubjectividade e a arbitrariedade, será gerador de injustiças, conduzirá à degradaçãodo ambiente na escola e, sobretudo, não só não contribuirá para a melhoria daqualidade do serviço educativo e das reais aprendizagens dos alunos, como
 
aventurará, com invulgar leviandade, trabalhar em seu prejuízo. Finalmente, nãoavaliará coisa nenhuma e muito menos a qualidade didáctica e pedagógica dosprofessores, apenas os seriando segundo 4 dimensões, 11 domínios, 5 níveis, 39indicadores e, salvo erro, 72 descritores, alguns destes sendo simplesmenteimprecisos, outros tão pouco objectivos que dificilmente mereceriam tal nome, demodo algum assegurando a precisão e a credibilidade do processo.
Ponto um:
 
a excessiva complexidade e imprecisão dos indicadores e descritoresmencionados para cada um dos domínios e dimensões caracterizadoras da actuaçãoprofissional do docente e traduzíveis em níveis qualitativos
- mas não quantitativos,estes reservados para o domínio dos Deuses, presume-se que para evitar qualquerhipótese de reclamação -
, não permite nem mesmo uma interpretação objectivaquanto mais determinar o grau de consecução dos avaliados.
 Senão veja-se apenas um exemplo. A primeira dimensão é a designada «VERTENTEPROFISSIONAL, SOCIAL E ÉTICA» que se divide em 3 domínios. As ferramentas de avaliação dodesempenho são constituídas por 11 indicadores, 5 níveis e 14 descritores. Segundo oMinistério da Educação os descritores fazem a descrição pormenorizada do desempenho paraclarificar o que deve ser avaliado, a partir dos indicadores, e estes traduzem a «operacionalização dodesempenho docente em evidências nos domínios».O primeiro Domínio da primeira Dimensão designa-se, por extenso: COMPROMISSOCOM A CONSTRUÇÃO E O USO DO CONHECIMENTO PROFISSIONAL. Este domínio tem4 indicadores: a) Reconhecimento de que o saber próprio da profissão se sustenta eminvestigação actualizada. b) Reflexão crítica sobre as suas práticas profissionais. c)Atitude informada e participativa face às politicas educativas. d) Responsabilizaçãopelo seu desenvolvimento profissional. Os dois primeiros descritores, correspondendoao Excelente e ao Muito Bom são, respectivamente: A) O docente demonstraclaramente que reflecte e se envolve consistentemente na construção doconhecimento profissional e no seu uso na melhoria das práticas e B) o docentedemonstra que reflecte e procura activamente manter actualizado o seuconhecimento profissional, que mobiliza na melhoria das práticas.
 
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Tratemos de analisar o primeiro indicador, a)
Reconhecimento de que o saber próprioda profissão se sustenta em investigação actualizada
. A primeira pergunta que nosvem à mente é: o que é o saber próprio da profissão? Podemos realmente falar só dedidáctica, de pedagogia e de conhecimento científico? Suponhamos que sim, uma vezque é apenas isso que se pretende. Como se averigua este três-em-um num relatório eportefólio? Como é que com um relatório e um portefólio alguém vai saber a culturadisciplinar e científica do avaliado ou averiguar da sua real capacidade pedagógica?Quanto muito o que se irá averiguar é se há erros crassos e se o professor preparaminimamente as aulas, o que é muito diferente.A segunda pergunta, naturalmente, é como interpretar este
RECONHECIMENTO deque o saber próprio da profissão se sustenta em investigação actualizada
. Mesmotendo em conta o nível do ensino sobre que recai esta ADD. Implica essereconhecimento realmente investigação actualizada  e estamos a brincar , ouapenas, que se saiba que é assim que funcionam as coisas  e voltamos a brincar?Como todos sabemos investigação é uma coisa que se faz com tempo, não comsobrecarga de serviço, e saber que é assim que as coisas, à partida, funcionam ésenso comum.Uma coisa é certa, a noção de professor investigador é precisamente aquilo a que aspolíticas educativas em vigor torcem o pescoço, assoberbando os professores emtrabalho não próprio da profissão e relegando qualquer veleidade formativa séria paraos momentos roubados ao sono e ao descanso. Finalmente, o que é que nos garanteque actualização investigativa implique um bom uso do conhecimento da profissão?Em última acepção, porque o conhecimento de ponta repetidamente contesta oconhecimento anterior, um investigador de ponta poderá simplesmente levar os seusalunos a um chumbo certo nos exames nacionais.Em suma este indicador é, à partida, não informativo e, portanto, incapaz deoperacionalizar o desempenho docente em evidências no domínio. Mais, mesmo que fosse possíveldeterminar com precisão o que realmente aqui se pretende, onde estariam as evidências? Naplanificação anual, de unidade e de aula? Nos testes de avaliação e outrosinstrumentos de avaliação? No relatório de auto-avaliação? No mínimo é discutível.Se o indicador simplesmente pretende averiguar se eu faço umas coisinhas comconhecimento de causa pode ser avaliável por um simples relatório de auto-avaliaçãocomo anteriormente. Exactamente como acontece com a Reflexão crítica sobre as suaspráticas profissionais, o indicador número dois.Os descritores não vêm ajudar. Se repararmos com atenção a diferença entre odescritor A (excelente) e B (Muito Bom) é: 1. entre CONSTRUIR conhecimentoprofissional e ACTUALIZAR-SE, mais precisamente entre a CONSTRUÇÃO CONSISTENTEe a ACTUALIZAÇÃO ACTIVA, isto é, ficamos sem o recurso a objectos impossíveis ouenlouquecidos, mas podemos deliciar-nos a tentar averiguar o que seria uma
 
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actualização passiva. Mas o que se deve, realmente, entender por construirconhecimento profissional? E voltamos ao mesmo sarilho de que ainda agorapretendíamos sair.Passe-se ao indicador seguinte. Temos: c)
Atitude informada e participativa face àspoliticas educativas
. Uma pergunta atinge-nos de imediato. O que é que isto querdizer? Que conhecemos as políticas ruinosas do ministério da educação e queparticipamos na sua crítica? Ou que não mexemos um cabelo e participamosobedientemente na sua cega implementação? É que não é fácil encontrar uma terceirahipótese e, não o sendo, este indicador é um total despudor. É claro que se podeinvocar não ser, aqui, esse o sentido da palavra política, termo de grande polissemia.Mas então porque foi ele aí colocado? Tão ambíguo como isto, este indicadordependerá dos relatores, dos coordenadores e dos Directores, propiciando efomentando atitudes persecutórias e, como tal, infirmando de inconstitucionalidadeao desrespeitar o artigo 13 da
Constituição Portuguesa
que assegura que 
Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isentode qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem,religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condiçãosocial ou orientação sexual 
. Em suma, este indicador, ao permitir esta leitura, é umatentado à democracia perpetrado pelo Ministério.O quarto indicador d)
Responsabilização pelo seu desenvolvimento profissional
, éapenas cómico. Passo a explicar. Ou bem que somos responsáveis ou bem que nãosomos. Se somos responsáveis pela nossa formação ela não pode ser obrigatória emtermos de um sistema de créditos, mas quando muito averiguável em x momentos aolongo do percurso. Agora, como pode alguém ser responsável por quando éobrigado a? Mas não. A palavra é RESPONSABILIZAÇÃO, e então só se reafirma oque será novamente objecto de avaliação na Dimensão
 
DESENVOLVIMENTO EFORMAÇÃO PROFISSIONAL AO LONGO DA VIDA, que fica duplamente avaliada, se é ounão feita formação creditada, qualquer outra sendo completamente irrelevante.A última pergunta é como é que tudo isto irá encontrar evidências na planificaçãoanual, de unidade e de aula, nos testes de avaliação e outros instrumentos deavaliação e no relatório de auto-avaliação?Ora, isto é somente a análise do primeiro Domínio da primeira Dimensão da ADD e játemos suficientes razões para pôr em causa a sua precisão, credibilidade e, inclusive,constitucionalidade.
Ponto dois: o facto de a designação do relator não ser norteada por quaisquerprincípios de mérito e competência, a não ser pelo critério de pertencer ao mesmogrupo de recrutamento do avaliado e ter posicionamento na carreira e grauacadémico iguais ou superiores ao deste, sempre que possível (3 do art.13º, DR2/2010) não confere legitimidade aos avaliadores.

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