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EaD novas clivagens wagner

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O artigo examina os limites e as possibilidades da educação a distância, impulsionada pela economia de mercado e pela inspiração liberal.
O artigo examina os limites e as possibilidades da educação a distância, impulsionada pela economia de mercado e pela inspiração liberal.

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Educação a distância e as novas clivagens educacionais
*
Wagner Braga Batista
**
 
wbraga@uol.com.br
Introdução
 
O artigo examina os limites e as possibilidades da educação a distância, impulsionada pelaeconomia de mercado e pela inspiração liberal. Aponta suas virtualidades e digressões,provocadas por um modelo de desenvolvimento socio-econômico que favorece a privatização eimpõe restrições de acesso ao ensino público, gratuito e socialmente referenciado. Observaque essas digressões foram aprofundadas pela integração passiva do ensino à economia demercado em escala mundial. Essa orientação contribuiu para que corporações transnacionaisconstituíssem redes de ensino de alcance global, configurando um amplo mercado educacionalgraças à educação a distância
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.Essa tendência afeta trajetórias históricas e a perspectiva deintegração socio-econômica de países periféricos, bem como a identidade e as peculiaridadeseducacionais e culturais dos povos latino-americanos.A herança do modelo ultraliberal praticado no Brasil constituiu rias barreiras para aimplementação de um projeto educacional referenciado em demandas sociais substantivas.Esse modelo ainda subsiste como impregnação ideológica, apesar de seus evidentes fracassospolíticos e econômicos, expressos pelo aumento da dívida externa, da crise fiscal do Estado, daprivatização e da desnacionalização de setores dinâmicos da economia, pela perda decapacidade de intervenção estratégica e da escalada regressiva que acelerou oempobrecimento, o desemprego, a violência e a desagregação social.No campo da educação, o modelo ultraliberal difundiu valores que reduziram a educação a umrecurso meramente instrumental. Alimentou o pressuposto de que a educação equivaleria acapital humano, êmulo do empreendedorismo, da empregabilidade e da governabilidade.Contudo, essas formulações mostram-se inconsistentes no atual contexto socio-econômico. Adeterioração social e o deslocamento de atividades competitivas para patamares econômicosmais elevados, nos quais impera o capital financeiro, limitou as possibilidades de que aeducão seja fonte de emprego em larga escala. A disseminão de investimentosespeculativos e do trabalho improdutivo definiu um novo padrão para o ensino, que está, destafeita, colado em tendências do capital financeiro. Nesse diapasão, proliferaram cursosprescritivos, nutridos pela lógica das competências exigidas pela economia de mercado; dentreelas, podemos elencar as especializações em administração de finanças e de empresas porintermédio da educação a distância.Grosso modo, a educação acompanhou a tendência de expansão da economia de mercado. Ocapitalismo generalizou a produção de mercadorias, transformando a educação numa delas.Essa tendência não é irrefutável, nem irreversível. Portanto, deve ser identificada, analisada esuperada criticamente.A educação a distância, ao incorporar novos implementos técnicos, acelerou e aprofundou essatendência.Contudo, essa modalidade de educação reveste-se de aspectos controversos. Quandoempregada por políticas sociais, pode ampliar e melhorar a educação pública; porém,promoveu ações supletivas e compensatórias. Apropriada por redes de ensino privadas,propiciou altas taxas de lucro por meio do ensino de elite e do treinamento corporativo. Essasdigressões são características da educação mercantilizada. Dotada de elevado valor simbólico
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Publicado na Revista PUCVIVA - Publicação Acadêmica e Informativa Trimestral dos Professores da PUC-SP,
 
Edição nº24, julho/setembro de 2005.
Disponível em: < http://www.apropucsp.org.br/revista/r24_r02.htm >. Acessadoem: 27/03/2007.
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Wagner Braga Batista
é professor do curso de Desenho Industrial da Universidade Federal de Campina Grande,PB.
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“ Sob hegemonia liberal, e seguindo diretrizes de agências financeiras multilaterais, projetos de educação a distânciaviabilizam as perspectivas da Organização Mundial do Comércio – OMC de transformar o ensino e saúde, serviçosessenciais, em objetos de oscilantes investimentos privados. Sob essa perspectiva, o ensino a distância ao invés deuniversalizar o direito à educação contribui para internacionalizar o mercado educacional”. BATISTA, Wagner Braga.
Educação a distância: da universalização de direitos à internacionalização do mercado educacional
. Revista ADVIR, Riode Janeiro, ASDUERJ, nº 14, setembro de 2001, p. 101.
 
e carente de substrato humanístico, a educação despoja-se de sua virtualidade socializadora.Nesse viés, a educação a distância restaura antigas clivagens educacionais e sociais. 
Educação e concentração econômica
A apologia do ensino a distância é similar à disseminação da idéia de que o desenvolvimentotécnico-científico será capaz de superar disparidades sociais. Historicamente, essa suposiçãoo se confirmou. A difuo desigual de novas tecnologias aumentou descompassossocioeconômicos. Ampliou o fosso que separa continentes, países centrais e periféricos,regiões e bairros de uma mesma nação. A concentração de riquezas, bem como do estoque detecnologias e de bens materiais, acentuou a distância entre ricos e pobres em todos osquadrantes, seja entre as nações mais prósperas, seja entre as mais carentes de recursos.Reportando-se à recente matéria da revista inglesa The Economist, Sader salienta essasdiscrepâncias
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. Os vinte e cinco milhões de norte-americanos mais ricos detêm o equivalente àrenda de 43% da população mais pobre do mundo, cerca de dois bilhões de seres humanos.Esses hiatos também podem ser observados em indicadores educacionais.Na atualidade, há 876 milhões de analfabetos no mundo, dos quais 64% são mulheres, grandeparte submetida a relações sociais opressivas. Desse contingente, 42 milhões se localizam naAmérica Latina e no Caribe. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e PesquisasEducacionais Anísio Teixeira- INEP, em 2004, o Brasil teria 15,2 milhões de analfabetos. A maiorconcentração de analfabetismo ocorre na zona rural, na qual 28% dos adultos são analfabetos.Há forte correlação entre analfabetismo e pobreza.O analfabetismo e a baixa escolaridade não são responsáveis pelas desigualdades sociais, massim apenas indicadores de sua existência.
Educação e mistificação tecnológica
A mistificação de recursos técnicos ou de modalidades de ensino alimenta a suposição de queintervenções parciais e localizadas podem superar disparidades sociais. Induzem à crença deque problemas estruturais e sistêmicos seo corrigidos com programas ou projetosfocalizados. Gras a esse discurso, educadores deixam-se seduzir por proposõessalvacionistas que identificam em tecnologias ou equipamentos sofisticados possíveisalternativas para problemas sociais crônicos. Transportam soluções técnicas aplicadas empaíses centrais para realidades socioecomicas bastante distintas. Ignoram que astecnologias são respostas para problemas particulares, pois sua funcionalidade advém dacapacidade de superar adversidades ou contradições sociais identificadas em determinadoscontextos. Ainda que seu emprego possa se universalizar, não pode perder de vista condiçõesque asseguram sua difusão. A transferência indiscriminada de tecnologias distorce essa lógica.A sua incorporação acrítica, desprezando peculiaridades econômicas, culturais e educacionais,tende a aprofundar disparidades sociais.Essas considerões o m sido levadas em conta pelos que professam a adãoincondicional das novas tecnologias da informação e da comunicação. Valorizam o usoindiscriminado da informática, sem atentar para as condições que viabilizam sua incorporação.A exaltação do projeto de Nicolas Negroponte e Seymour Papert, vinculados ao MassachusettsInstitute of Technology (MIT) é emblemática dessa conduta. Esses dois pesquisadoresestiveram no Brasil para apresentar o projeto-piloto desenvolvido nessa instituição de ensinonorte-americana para o Ministério da Educação
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. Trata-se de um laptop que pode ser adquiridopor R$ 250,00 e que será distribuído entre um milhão de estudantes de escolas públicas apartir de 2006. A proposta prevê a distribuição para todos os alunos da rede pública até 2010.Atualmente, há cerca de 40 milhões de alunos matriculados no ensino fundamental. Essaproposição, celebrada por governantes e professores, tende a decalcar um método deintervenção educacional sem correspondência com a realidade social.Identificamos alguns de seus rudimentos na experiência desenvolvida em Nova Iorque.No finalda década de 1990, a secretaria de educação de Nova Iorque entregou vários laptops paracrianças matriculadas em escolas públicas de bairros pobres. Os resultados dessa iniciativa
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SADER, Emir.
Luta de classes na América Latina
. Agência Carta Maior, URL: <http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?coluna=boletim&id=1394 >. Acessado em 29 de julho de 2005.
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Instituto americano apresenta projeto de inclusão digital a Lula
. Gazeta on line URL: < http://gazetaonline.globo.com>. Acessado em 30 de junho de 2005.
paulochagas@terra.com.br 
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foram significativos. Não só as crianças, como também seus pais sentiram-se mais motivadospara estudar. Pessoas adultas, com baixa escolaridade, viram-se compelidas a aprender.Estimuladas pelos filhos, resgatavam conhecimentos fornecidos pela educação escolar eaprendiam a manejar esse novo equipamento. Ao desenvolverem essa aptidão, superavambarreiras cnicas. Rompiam, também, resistências e preconceitos picos da baixaescolaridade. A iniciativa educacional deflagrada nas escolas novaiorquinas penetrou o núcleofamiliar. Produziu estímulos e desdobramentos positivos. A ação dos pais não se limitou aoexercício do ensino/aprendizagem. Buscando proteger seus filhos de furtos, passaram aacompanhá-los até a escola, vivenciando alguns de seus problemas e integrando-se a algumasde suas rotinas.Contudo, seria ilusório supor que esses resultados se reproduzissem em escolas brasileiras,principalmente em áreas rurais ou comunidades favelizadas sem fontes de suprimento deenergia e serviços básicos. Pom, projetos dessa natureza não são novidades no Brasil.Causaram grande impacto publicitário e poucos resultados plausíveis.
Educação e modernização conservadora
 
O Ministro Paulo Renato de Souza alardeou a cobertura de matrículas de 97% das crianças emidade escolar no ensino fundamental e fez propaganda da difusão tecnológica no campoeducacional. No entanto, a qualidade da educação mostrou-se pífia. Não resistiu à avaliaçãocriteriosa. Há grandes contingentes de alunos que, após cinco anos de estudo, não sabem ler erealizar operações matemáticas. Políticas educacionais foram subvertidas pelo marketingpolítico. Durante o governo FHC, a educação converteu-se em veículo de promoção política,capitalizando indicadores quantitativos sem lastro pedagógico. Lamentavelmente, essaestratégia ainda não foi revertida. A drástica imagem da modernização conservadora que aindase faz presente no cenário educacional torna-se cristalina na charge de Angeli
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reproduzida aseguir:
ANGELI – Folha de São Paulo, 29 de novembro de 2000.
4
 
ANGELI Filho, Agnaldo.
Modernização do ensino público
(charge). Folha de São Paulo, 1º caderno, 29 de novembro de2000, p A2.
paulochagas@terra.com.br 
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