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filosofia e educação Walter Benjamin

filosofia e educação Walter Benjamin

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ESTUDOS
Martha D’Angelo
Palavras-chave: tradiçãofilosófica; ensino e pesquisa;formação política; cultura demassa.
Resumo
Breve levantamento das contribuições de Walter Benjamin para a educação. Incluireferências à universidade, à educação de jovens e crianças, a brinquedos e materialpedagógico. O objetivo é relacionar questões filosóficas e políticas a temas ligados àeducação.
Filosofia e Educaçãoem Walter Benjamim
Apesar de não terem as questões edu-cacionais e pedagógicas recebido de WalterBenjamin uma atenção especial, pois seufoco de maior interesse abrangia a arte, alinguagem e a história, nem por isso os seusescritos podem ser considerados sem im-portância para os educadores em geral. Deque maneira a obra assistemática e fragmen-tária de Benjamin pode contribuir para umacompreensão mais profunda das questõeseducacionais? Cabe destacar, inicialmente,seu modo particular de fazer filosofia comoum aspecto importante. Sua forma de rela-cionar as idéias e o mundo empírico e deincorporar a tradição filosófica
stricto sensu
sugere práticas desburocratizadoras eliberadoras. O reconhecimento de que a fi-losofia institucional era excessivamenteformalista e vazia de verdade levou Benja-min a valorizar a linguagem do artista e acunhar a expressão "linguagem de gigolô"para caracterizar o discurso racionalista domeio acadêmico de sua época.A relação de Benjamin com a tradiçãofilosófica aparece num primeiro momentocomo oposta à de Descartes. Fazer
tabula rasa
do passado era algo difícil para ele, atémesmo como hipótese. Por outro lado, seumodo profundamente iconoclasta de lidarcom a tradição leva à sua subversão com-pleta. Algo parecido com o gesto deDuchamp, de colocar bigodes na Monalisa,e com as colagens surrealistas. Benjamin nãoincorporava uma idéia sem mudá-la, e faziaisso com muita liberdade. A verdade platô-nica, a mônada de Leibniz, a dialética deHegel, o materialismo histórico, o dramabarroco, adquiriram em seu pensamento umnovo sentido, que não apaga completamen-te o sentido original, mas, também, não lhecorresponde mais inteiramente. QuandoBenjamin retira uma idéia do seu lugar na-tural, isto é, do seu sistema de origem, paradar-lhe um novo lugar em seu pensamento,evidentemente supõe que isto é algo abso-lutamente legítimo. Esta não-subserviênciaem relação à tradição envolve uma supera-ção dialética no sentido estrito que Hegel davaà palavra
aufheben
, pois o procedimento deBenjamin compreende simultaneamente a
 negação
dos sistemas filosóficos como repre-sentação acabada e definitiva do mundo, a
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conservação de algumas idéias desses siste-mas e a
elevação
dessas idéias a um outronível, mediante sua inserção numa épocanova e numa outra estrutura de pensamento.Atento à luta permanente que se travaentre a memória e o esquecimento e aosprocessos de construção da memória segun-do a historia oficial, Benjamin se opõe ra-dicalmente ao fenômeno nomeado porHarold Rosemberg como a
tradição do novo
,expressão aparentemente paradoxal quedefine o insólito fato de a ruptura com atradição ter-se tornado ela própria tradição.Esta tendência seria previsível, segundoDaniel Bell, desde a descrição de Marx daessência da sociedade burguesa no
 Mani- festo comunista
: "A burguesia não podeexistir sem revolucionar continuamente osinstrumentos de produção e, por conse-guinte, as relações de produção, portantotodo o conjunto das relações sociais." (Marx,Engels, 1988, p. 69).Entrelaçando partes de alguns sistemasfilosóficos – a teologia judaica, o romantis-mo alemão e o materialismo histórico –, Ben-jamin construiu, talvez, a mais audaciosatentativa de resgate do mundo empírico aoâmbito das idéias filosóficas. Nas "QuestõesIntrodutórias de Crítica do Conhecimento",apresentadas no livro sobre o drama barro-co alemão (1928), o objetivo de
salvar 
asidéias da esterilidade própria à filosofiainstitucional do mundo acadêmico apareceatravés da comparação com o mosaico me-dieval. O valor de cada fragmento deste étanto maior quanto menor é a sua relaçãocom a concepção básica que lhe corresponde.Na confecção do mosaico, a grandeza do todoplástico exige a atenção minuciosa no traba-lho microscópico das partes. Por analogia,Benjamin admite que a concretude de uma
 idéia
só pode ser captada pela mais exatadas imersões nos pormenores. Daí seu inte-resse por questões que a história oficial con-sidera irrelevantes e por assuntos muito dis-tantes da filosofia convencional, como, porexemplo, moda, brinquedos, uso do ferrona arquitetura, ferrovias, sistemas de urba-nização e iluminação pública, etc.Num texto de juventude intitulado "Avida dos estudantes" (1915), as principaiscríticas dirigidas ao meio acadêmico estãorelacionadas com o seu envolvimento coma cultura burguesa, com o aparelhismo in-terno por meio do qual seus profissionaismercantilizam o conhecimento, criandopara si uma atividade limitada e, para oconjunto, uma universalidade abstrata(1984b, p. 34). Nesse mesmo texto há tam-bém a sugestão de que a ausência de vigorintelectual da universidade alemã estariarelacionada com a preocupação em formarespecialistas. Opondo-se a esta tendência,Benjamin toma como referência básica para aeducação em geral a noção marxista de forma-ção politécnica. A ênfase na profissionalizaçãoe especialização se iniciou na Alemanha em1809, na Universidade de Berlim, e se conso-lidou a partir de 1830 com a reforma educaci-onal promovida por Alexander von Humboldt,quando pela primeira vez na história se enun-ciou o princípio formal da unidade entre apesquisa e o ensino (Szmrecsányi, 2001, p.180). A profissionalização da pesquisa sob osauspícios do Estado e das empresas teve umpapel fundamental no nascimento e consoli-dação do Estado alemão. Os laços entre aUniversidade e a burguesia alemã foram seestreitando cada vez mais até a década de 1930,quando muitos intelectuais da academia aca-baram assumindo e se rendendo ao projetonacional socialista. Impressionado e inspira-do numa colagem do artista plástico Heartfield,onde o processo de formação do nazismo éapresentado através de uma alegoria que su-gere a inversão do processo evolutivo, Benja-min escreveu numa carta a Kitty Steinsdineiderem janeiro de 1936: "o espírito revolucionárioda burguesia alemã se transformou na crisáli-da da qual brotou mais tarde a borboleta coma caveira do nacional socialismo" (apudScholem, 1989, p. 73).Sob a política autoritária do Estado ale-mão, os ideais humanistas dos românticose da
 Aufklärung 
foram se tornando cada vezmais distantes da academia. A consolida-ção do poder da burguesia no século 19 secombina com o declínio da força econômicados judeus em seu conjunto, mas no planointelectual eles continuaram a exercer umafunção cultural extremamente importante naAlemanha e nos países de língua alemã. Estahegemonia da intelectualidade judaica eramotivo de constrangimento e irritação entreos alemães. Mas não foi apenas por estemotivo que o anti-semitismo atingiu o grauque conhecemos no século 20. O projeto deassimilação total dos judeus fracassou por-que era, segundo Scholem (1994, p. 69), umprojeto apenas da elite judaica, não dos ju-deus em seu conjunto; "o desprezo que tan-tos alemães manifestavam pelos judeus sealimentou da facilidade com que a classemais alta dos judeus repudiava a própria
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tradição". A forma como Benjamin se rela-ciona com a tradição nega a postura da elitejudaica e aponta para uma nova maneirade se estabelecer o vínculo entre transmis-são/produção do conhecimento.As mesmas preocupações com a for-mação intelectual e política da juventude,que aparecem no texto de 1915 sobre a vidados estudantes, se manifestam no
 Diáriode Moscou
, escrito em dezembro de 1926 ejaneiro de 1927 durante a viagem de Benja-min à União Soviética. Em algumas obser-vações sobre a política interna e externa doPartido Comunista fica explícita a avalia-ção de que as organizações da juventudebolchevique estavam na verdade dificultan-do uma verdadeira experiência revolucio-nária, ao invés de promovê-la. A constru-ção de um homem novo, como algo intrín-seco ao processo revolucionário, não pare-ce estar ocorrendo, como demonstra estapassagem do
 Diário
:
Em sua política externa o governo visa apaz, a fim de estabelecer acordos comer-ciais com Estados imperialistas; interna-mente porém, e sobretudo, procura detero comunismo militante, introduzir umperíodo livre de conflitos de classe,despolitizar tanto quanto possível a vidados cidadãos. Por outro lado a juventudepassa por uma educação "revolucionária",em organizações pioneiras, no Komsomol.Isto significa que o revolucionário não lheschega como experiência, mas apenascomo discurso. Existe a tentativa de de-ter a dinâmica do processo revolucioná-rio na vida do Estado – entrou-se, queren-do ou não, num período de restauração,ao mesmo tempo em que se deseja arma-zenar a energia revolucionária na juven-tude, como eletricidade numa pilha. Istonão funciona. Os jovens – especialmenteos da primeira geração, cuja formação émais do que deficiente – necessariamen-te desenvolvem a partir daí um comunis-mo presunçoso, para o qual já existe umapalavra própria na Rússia (Benjamin,1989a, p. 67).
Sem dúvida, todos esses aspectos pe-saram na decisão de Benjamin de se filiarao Partido Comunista. Sob a pressão des-ses e de outros fatores, ele considerou apossibilidade de consolidar uma posiçãoindependente na esquerda, levando emconta as alternativas viáveis de garantir umaprodução abrangente dentro de sua própriaesfera de trabalho. Comparando a situaçãodos intelectuais na União Soviética com ados intelectuais da Europa Ocidental, Ben-jamin se dá conta das inúmeras possibili-dades que se abrem quando toda a estrutu-ra de poder da sociedade está sendoreformulada. Para o intelectual soviético, oponto central da questão envolvendo a to-mada de posição sobre a entrada no partidofoi colocado nesta ocasião nos seguintes ter-mos: Recusar um papel no palco da histó-ria e permanecer na platéia hostil e visada,desconfortável e exposta a correntes de ar,ou desempenhar, de alguma maneira, umpapel em meio à agitação do palco? Para ointelectual marxista alemão, distante da aca-demia e cada vez mais oprimido pelo forta-lecimento do nazismo, a questão que se co-locava era: Será que a posição de incógnitoilegal entre os autores burgueses tem algumsentido? Ou seria melhor fazer algumas con-cessões aos princípios revolucionários e atu-ar como militante partidário? Como atuardentro do Partido sem abrir mão de certosprincípios? Ao contrário do que ele próprioprevira, Benjamin nunca se filiou ao PartidoComunista, mas a situação do "intelectualindependente" na Alemanha no período de1920 a 1933 não era mais confortável do quea situação da platéia na União Soviética nomesmo período. A posição política de Benja-min não se enquadra, portanto, nem napostulação de Mannheim dos intelectuaissuspensos no ar, distantes do solo onde seencontram as classes sociais em luta, nemnuma organicidade que, na prática, transfor-ma os intelectuais em escravos do partido.A preocupação em conectar as idéias àrealidade empírica, ou seja, em construiruma filosofia capaz de dar
concretude
à ver-dade, levou Benjamin a se interessar cadavez mais pelas atividades dos artistas e dascrianças. Em vários ensaios aparecem com-parações a respeito do modo como eles diri-gem seu olhar para o mundo. As análisesbenjaminianas sobre as alegorias poéticasd'
 As flores do mal 
, de Baudelaire, procuramrevelar como o reprimido da história afloraatravés de pequenos fragmentos do real, e,num trecho de
 Rua de mão única
(1926-1928), intitulado "Canteiro de obras", encon-tramos comentários sobre brinquedos infan-tis e material educativo que permitem umamaior compreensão das concepções a res-peito do olhar da criança e sua relação como mundo:
Elucubrar pedantemente sobre a fabricaçãode objetos – material educativo, brinquedos
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