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Indicadores de analfabetismo no Brasil

Indicadores de analfabetismo no Brasil

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511
Um olhar sobre os indicadoresde analfabetismo no Brasil
*
José Marcelino deRezende PintoLiliane Lúcia Nunes deAranha OliveiraBrantCarlos Eduardo MorenoSampaioAna Roberta PatiPascom
Palavras-chave: taxa deanalfabetismo; indicadoreseducacionais; desigualdadesregionais.
   I   l  u  s   t  r  a  ç   ã  o  :   M  a  r  c  o  s   H  a  r   t  w   i  c   h
*
Este trabalho só foi possívelgraças à colaboração da equi-pe da Diretoria e Tratamento deInformações Educacionais(DTDIE).
AVALIAÇÃO
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 81, n. 199, p. 511-524, set./dez. 2000.
 
512
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 81, n. 199, p. 511-524, set./dez. 2000.
A
nalisa os principais fatoresassociados ao analfabetismo combase nos dados do Censo de2000, realizado pelo IBGE. Asprincipais conclusões do estudoindicam que o analfabetismo éum fenômeno que está presentecom maior predominância não sónas regiões mais pobres do Paíscomo, também, na periferia dosgrandes centros urbanos.Constata-se, ainda, um númeroconsiderável de analfabetos nafaixa de 10 a 18 anos de idade, oque mostra que, no Brasil, afreqüência à escola não é umantídoto contra o analfabetismo.Observa-se também que, nosmunicípios onde a média de anosde estudo é elevada, o númerode analfabetos é pequeno. Essesfatos apontam para anecessidade de as políticas decombate ao analfabetismolevarem em conta os diferentesperfis dos segmentos que seencontram nessa situação, bemcomo atuarem
pari passu 
com aspolíticas de ampliação daescolaridade da populaçãobrasileira.
A herança
Ao apresentarmos uma síntese dosdados sobre analfabetismo no Brasil, o pri-meiro ponto a considerar é que se trata deum problema que possui uma longa histó-ria no País. Assim, em sua interessante obra
História da instrução pública no Brasil (1500- 1889)
, escrita em 1889, José Ricardo Piresde Almeida (2000) comenta o fato de queno Brasil Colônia "havia um grande númerode negociantes ricos que não sabiam ler"(p. 37). Prova disto é que, no Império, ad-mitia-se o voto do analfabeto, desde que,é claro, este possuísse bens e títulos. O autorrelata outro fato que também ajuda a en-tender as causas deste fenômeno e que ain-da hoje se encontra presente: os baixossalários dos professores, que impediam acontratação de pessoal qualificado e leva-vam ao "afastamento natural das pessoasinteligentes de uma função mal remunera-da e que não encontra na opinião pública aconsideração a que tem direito" (p. 65). Nomesmo trabalho, ele mostra que, em 1886,enquanto o porcentual da populaçãoescolarizada no Brasil era de apenas 1,8%,na Argentina este índice era de 6%.Fatos como estes ajudam talvez a en-tender porque, em 2000, enquanto a Argen-tina ocupava o 34º lugar no
ranking 
de Índi-ce de Desenvolvimento Humano (IDH), oBrasil ocupava a 73º posição, em situaçãobem inferior à de outros países da AméricaLatina, conforme mostra a Tabela 1.A Tabela 2 busca, então, apresentarcomo evoluiu, neste século, o número deanalfabetos no País. Por ela podemos cons-tatar dois fatos importantes. Em primeirolugar, observa-se que a taxa de analfabetis-mo na população de 15 anos ou mais caiuininterruptamente ao longo do século, sa-indo de um patamar de 65,3% em 1900 parachegar a 13,6% em 2000. Contudo, como já alertava Anísio Teixeira (1971), em traba-lho de 1953, não basta a queda da taxa deanalfabetismo; é fundamental também a suaredução em números absolutos. E nesteaspecto há muito ainda a ser feito. Comodado positivo, temos o fato de que, final-mente, na década de 80, conseguimos re-verter o crescimento constante até entãoverificado no número de analfabetos e, comodado negativo, o de que, em 2000, haviaum número maior de analfabetos do queaquele existente em 1960 e quase duas ve-zes e meia o que havia no início do século20. Como do ponto de vista da mobilizaçãodos recursos o que interessa é o númeroabsoluto de analfabetos, percebe-se a gran-de tarefa que temos pela frente, facilitada,é claro, pelo fato de a riqueza social produ-zida hoje pelo Brasil ser muito maior que ade 1960 ou a do início do século.
 
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R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 81, n. 199, p. 511-524, set./dez. 2000.
Tabela 1 – Índice de desenvolvimento humano e taxa de analfabetismoda população de 15 anos ou mais 2000Tabela 2 – Analfabetismo na faixa de 15 anos e maisBrasil – 1900-2000
Se, por um lado, o Brasil tem hojeplenas condições, do ponto de vista deseus recursos econômicos e da qualifica-ção dos seus docentes, para enfrentar odesafio de alfabetizar seus mais de 16 mi-lhões de analfabetos, por outro lado, opróprio conceito de analfabetismo sofreualterações ao longo deste período. As-sim, enquanto o conceito usado pelo IBGEnas suas estatísticas considera alfabetiza-do a "pessoa capaz de ler e escrever pelomenos um bilhete simples no idioma queconhece", cada vez mais, no mundo, ado-ta-se o conceito de analfabeto funcional,que incluiria todas as pessoas com menosde quatro séries de estudos concluídas.Usando este segundo critério, mais ade-quado à realidade econômica e tecnoló-gica do mundo contemporâneo, o nossonúmero de analfabetos salta para mais de30 milhões de brasileiros, considerando apopulação de 15 anos ou mais.

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