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15 - Os Cavaleiros

15 - Os Cavaleiros

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Categories:Types, School Work
Published by: Maria Filomena Ruivo Ferreira on Feb 13, 2011
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01/03/2014

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Os Quatro Cavaleiros
Gil Vicente termina com uma cena apoteótica que constitui a moralidade do
auto. Opõe os Cavaleiros que morreram a combater pela Fé aos que trabalhavam “polavida transitória”(v.830).
 O facto de terem morrido a combater os Mouros é o suficiente para alcançarem o
Paraíso: “morremos nas Partes d’Além / e não queirais saber mais” (vv.849
-850),responde o 2º Cavaleiro ao Diabo quando este ousa interrogá-los. E o Anjo, ao declinar
da cena, diz claramente: ”… quem morre em tal peleja / merece paz eternal” (vv. 861 – 
 862).Os Cavaleiros surgem no cais a cantar. A canção dirige-se aos vivos e, maisespecificamente, aos pecadores
:
Senhores
 
que trabalhais / pola vida transitória”, “
Vigiai-vos,
pecadores
”.
 
A cantiga aconselha a acreditar no “temeroso cais”, isto é, no momento do
 julgamento final e da sentença, céu ou inferno. Relativamente aos pecadores diz
“Vigiai
-
vos” porque poderão sofrer “Dolores”. Para evitar este sofrimento convida “à barca da vida”, ou seja, entrar na barca do Anjo, o qu
e significa fazer o bem em vida.Assim o grande conselho é a prática do bem para evitar sofrimentos futuros.
Símbolos
 – 
a Cruz de Cristo, o escudo e a espada
Estes elementos simbolizam a defesa da Reconquista Cristã e da Expansão da Féde Cristo, como forma de atingir a salvação divina.
Ausência de Intenção Crítica
Contrariamente à crítica presente nas outras cenas, nesta parte Gil Vicente
exalta a luta contra os Mouros no Norte de África, em nome da difusão da féCristã
.A colocação da
personagem colectiva
 
 – 
os Quatro Cavaleiros
 – 
no final da peçapermite transformar a cena
num final triunfante, reforçar a crença na salvação eincitar à fé em Deus
. A salvação dos cavaleiros corresponde a uma
alegoria religiosa
,simboliza a salvação através da luta e morte em nome de Deus.A concepção de salvação nesta obra corresponde ao
espiritualism
o, àdespreocupação com os bens terrenos, por oposição à condenação através domaterialismo
 – 
o apego aos bens materiais.
 
Moralidade da Peça
Gil Vicente era um poeta essencialmente cristão e as suas obras representam avisão da vida e da sociedade do seu tempo, através de olhos de artista cristão emoralista, que tem sempre presente a rápida caducidade das obras humanas, quanto éfinita a vida terrena, quanto é frágil a argila humana, porque muito vivamente sentetambém a bem-aventurança da vida eterna, que os justos aguarda, e a cada passo vêsobre si postos e sobre esses que descuidosos se abandonam à vida pecadora os olhosomnividentes de Deus, que
tudo devassam e inquirem.”
 
Fidelino de Figueiredo, História da Literatura Clássica
Na cantiga dos Cavaleiros está condensada a moralidade da peça, isto é, a vidaterrena consiste numa preparação definitiva para a condenação ou para a salvaçãodepois da morte.Aqueles que vivem conscientes da transitoriedade da vida e da inevitabilidadeda morte, que temem a condenação eterna e trabalham em nome de Deus, serão salvos.Assim, temos a preparação para a vida eterna como explicação para a vida terrena,segundo a ideologia católica.
A Reconquista e a Expansão da Fé Cristã
Expansão da Fé Cristã no Norte de África: ESPIRITO DE CRUZADA
“Foi este o grande meio
de que a Igreja lançou mão para coadjuvar eficazmenteos nossos reis, primeiro na luta contra os mouros do território metropolitano e depoisnos Descobrimentos e conquistas. Com efeito, a concessão de abundantes graças eprivilégios espirituais aos fiéis, que tomavam pessoalmente parte nessas empresas oupara elas contribuíam com subsídios, e a cedência de uma parte dos rendimentoseclesiásticos do Reino para as mesmas equipararem os nossos arrojadosempreendimentos às cruzadas da Terra Santa. Contribuindo de modo eficaz para seremcoroados de êxito. Deve, todavia, notar-se que os portugueses, do ponto de vistareligioso, foram sempre tolerantes com os vencidos, ao contrário do que fizeram muitos
cruzados estrangeiros, por exemplo, em Lisboa (1147 e 1190) e em Silves (1189).”
 
Dicionário de História de Portugal, dirigido por Joel Serrão
 
 
Saber mais
“ O espírito de cruzada servia, sem dúvida, os interesses do rei de Portugal, mas
era também a representação colectiva e heróica de um recurso sem alternativa, quearrastava para a guerra uma grande parte da população e que não podia deixar deaparecer como justificação válida aos próprios interessados fossem eles capitães ou
simples soldados.”
 
Exercícios
1. Assinala com V (verdadeira) ou F (falsa) as seguintes afirmações:
a)
 
Os quatro Cavaleiros não têm nome próprio, porque são uma personagem colectiva.b)
 
Os Cavaleiros vão directamente à Barca do Anjo, pois já não tinham lugar na Barcado Inferno.c)
 
Os Cavaleiros morreram em África a lutar pela santa fé católica.d)
 
A cantiga entoada pelos Cavaleiros é uma síntese da ideologia católica.
2. Assinala a razão pela qual os Cavaleiros vão directamente à Barca do Anjo.
a)
 
O facto de terem morrido a combater os mouros garante-lhes a salvação.b)
 
Estão certos de que não seriam bem recebidos pelo Diabo.c)
 
Já não tinham lugar na Barca do Inferno.
3. Com base na cantiga dos Cavaleiros, faz corresponder cada um dos elementosque caracterizam a salvação aos elementos opostos que traduzem uma ideia decondenação.Salvação Condenação
a) barca segura bens terrenosb) barca da vida vida transitóriac) vida eterna barca da morted) vida ganha vida perdidae) bens eternos barca perdida

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