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CATEGORIAS DE INTERPRETAÇÃO DO FENÔMENO RELIGIOSO

CATEGORIAS DE INTERPRETAÇÃO DO FENÔMENO RELIGIOSO

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CATEGORIAS DE INTERPRETAÇÃO DO FENÔMENO RELIGIOSO: SAGRADO/PROFANO,SÍMBOLO, MITO, RITO. ( Prof. Dr. Antonio R. S. Mota S.J.)
SAGRADO/ DIVINO SÃO CATEGORIAS DA FENOMENLOGIA RELIGIOSA.Para o famoso historiador e fenomenólogo das religiões, o romeno Mircea Eliade(1907-1986), o ser humano que crê, considerado em sua dimensão mais profunda o homoreligiosus- possui um comportamento peculiar. Qualquer que seja o contexto histórico em queesteja imerso, ele acredita que existe uma realidade absoluta, o sagrado, que transcende estemundo, mas que se manifesta nele e, por isso mesmo, santifica-o e o faz real(Cf. Croatto, 2001,p.54).Essa realidade transcendente é designada como Deus na tradição judeu-cristã. Outrastradições indicam a potência do transcendente, embora não necessariamente persofincada.Por exemplo, Brahman, no hinduísmo, está presente em tudo e é o fundamento de todarealidade, embora não seja um ser divino pessoal. De todas as formas, essa realidadetranscendente é o totalmente Outro (R. Otto), o Mistério diferente de toda realidadehumana e que não se pode conhecer completamente. Os atos religiosos se direcionam a ele.Ele constitui também a essência da experiência religiosa.O sagrado é Mistério porque permanece inatingível em sua intimidade ou essência. OMistério produz atração, fascina, produz respostas de amor  é mysterium fascinans. Aesperança da salvação, com suas inúmeras expressões, evidencia a atração que a experiênciado mistério suscita. Ao mesmo tempo, o mistério suscita uma atitude reverencial e obriga amanter a distância ( na Bíblia, por exemplo, o relato da sarça ardente, em êxodo 3,1, é umexemplo disso). mele é mysterium fascinans e tremendum.Autores posteriores a Eliade acrescentaram um terceiro nível, o profano. Na hierofania (manifestação do sagrado), haveria então um elemento profano  qualquer objeto destemundo- um divino - realidade transcendente  e outro sagrado  aquele objeto revelador deuma presença invisível e transcendente. O sagrado é recebido pelo homo religiosus comomediação signficativa e expressiva de sua relação com o divino.
O fenômeno religioso é uma hierofania
 O fenômeno religioso é uma hierofania  manifestação do sagrado. O sagrado só pode serexperimentado se ele se manifestar, mostrar-se, revelar-se. A manifestação se dá no tempo eno espaço e deixa-se descrever.Como o sagrado/divino, indescritível e inesgotável, pode ser descrito?O sagrado/divino manifesta-se por intermédio de outra coisa que não é ele mesmo. Ele ésempre mediatizado e, por isso, permanece Mistério. Ao revelar-se, também se esconde, poiscontinua sendo inobjetivável. Ele se mostra através de uma pluralidade de signos: objetos,pessoas, palavras... Revela-se.
 
Neste ponto, podemos introduzir as noções de símbolo, mitos, ritos, oração e magia. Dentroessas , o SÍMBOLO, é a chave da linguagem religiosa , a linguagem originária e fundadora daexperiência religiosa e a que alimenta todas as demais. Ele é a mediação privilegiada entre ototalmente Outro e o sujetio humano que o experimenta e interpreta.Vejamos a seguir esses conceitos mais detalhadamente.
O símbolo como expressão da experiência religiosa
 Etimologicamente, símbolo vem do grego sym-ballo e diz respeito à união de duas coisas.No símbolo estão presentes dois elementos, duas coisas separadas, mas que se inter-relacionam. Cada coisa tem sua própria identidade, o seu próprio sentido.Um exemplo. As estrelas são emissores de luz e os planetas a refletem  este é o primeirosentido das estrelas. Mas o símbolo remete a um segundo sentido, captado quando o serhumano atravessa o primeiro sentido. Assim, o por do sol, para além de traduzir o movimentopróprio dessa estrela, pode produzir uma emoção estética, uma nostalgia do que termina efenece neste momento, um sentimento da presença de alguém  este é o segundo sentido. Opôr do sal, então, passa a ser símbólico.Alguns especialistas definem o símbolo como a representação de uma ausência. O exemplodo presente pode ser o mais claro, quase óbvio. O objeto que você presenteia remete ao afetoque você sente pela outra pessoa. Ninguém poderia confundir, e menos a inda identificar, aatitude de afeto manifestada com o objeto material que a significa( o significante). Tampoucose faz uma operação racional para distinguir o símbolo do simbolizado. Seria o mesmo queenfraquecer o símbolo através de uma tradução, tornando-o desnecessário.O símbolo é a linguagem básica da experiência religiosa, pois ela funda todas as outras. Temum valor essencial que é necessário destacar mais uma vez: o símbolo faz pensar; o símbolodiz sempre mais do que diz. É a linguagem do profundo, da intuição, do enigma. Por isso, é alinguagem dos sonhos, da poesia, do amor, da experiência religiosa. 
O mito como narração de uma realidade religiosa
 A palavra mito, na linguagem coloquial, possui um significado diferente de quando éestudada nas religiões. Por isso, atenção. No estudo das religiões, o mito deve ser explicado apartir da experiência religiosa e em função de sua intencionalidade. J.S. Croatto sugere aseguinte definção:  O mito é o relato de um acontecimento originário, no qual os deusesagem, e cuja finalidade é dar sentido a uma realidade significativa.Dessa forma, o mito é um texto, pertence à ordem literária e deve ser interpretado como umdiscurso. Como texto, pretende dizer algo para alguém a respeito de alguma coisa. Ele énarrado, implica uma sequência narrativa. É o relato de um acontecimento originário, no qualos deuses agem, e cuja finalidade é dar sentido a uma realidade significativa.Dessa forma, o mito é um texto, pertence à ordem literária e deve ser interpretado como umdiscurso. Como texto, pretende dizer algo para alguém a respeito de alguma coisa. Eleé
 
narrado, implica uma sequência narrativa. É um fenômeno literário, apresenta-se como umahistória, muitas vezes como um drama. Conta um acontecimento, e o faz como acontecimentoverdadeiro.O conteúdo do mito é um acontecimento originário  ele é um relato sobre as origens. Nãocostuma usar números ou assinalar datas, mas indica em outro tempo, no princípio...,quando..., não havia ainda... Supõe-se que ao contecimento relatado está no limite, se épossível imaginá-lo assim, entre um tempo primordial e o tempo cronológico que conhecemos.Os deuses são os atores protagonistas dos mitos. Eles são descritos no seu agir instaurador.Não há mitos sobre as coisas banais, mas, sim, sobre o que é significativo para um povo. Omito relata a origem divina de instituições, costumes, figuaras, coisas, leis elementos danatureza. Expressa, assim, a experiência religiosa do originário, do que é importante em suarealidade.
O rito como manifestação gestual da religião
 Se observarmos bem, somos mais gesto do que palavra. O ser humano não é expressototalmente pela palavra. Ele é também um corpo completo: ele tem mãos para gesticular e péspara caminhar, pernas para dançar, boca para falar, ouvido para escutar, olhos para ver. Podeinclinar-se, dar ou juntar as mãos, manipular as coisas, deitar no chão ou subir uma escada,sentar ou ficar em pé.Por essa razão, o homo religiosus sempre soube expressar sua vivência do sagrado por meiodo gesto físico, do qual surge o rito. O rito é, portanto, mais uma das linguagens típicas eessenciais para a experiência religiosa universal.Do ponto de vista dos fatos religiosos, a expressão ritual é a característica que mais sesobressai em toda religião. É possível que passe despercebida uma peregrinação de milhões depessoas? Um culto realizado na praia? É claro que não. De fato, os ritos têm uma repercussãosocial enorme, seja pelo elemento gestual, que e mais visível, seja pela organização queimplicam (preparação, atores, lugar, objetos ou utensílios usados na sua realização etc.).Os ritos podem ser chamados de cerimônias religiosas. Eles tendem a seguir um padrão bemdistinto, ou ritual. O conjunto das cerimônias religiosas de uma religião é conhecido comoculto ou liturgia. A palavra culto, do verbo latino colere, cultivar, é empregada em geral parasignificar adoração, mas na ciência das religiões é um termo coletivo que designa todas asformas de rito religioso.O culto promove o contato com o sagrado, e por isso costuma ser realizado em lugaressagrados (templos, mesquistas, igrejas), nos quais há objetos sagrados (fetiches, árvoressagradas, altares). As pessoas que lideram o cultuo religioso também podem ser sagradas, oupelo menos especialmente consagradas a esse trabalho.As palavras sagradas exercem no culto um função relevante: orações, invocações, trechossagrados e os mitos, muitas vezes associados a ritos específicos.

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