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QUEM ERAM OS GÁLATAS DE PAULO? Bianca Miranda Cardoso

QUEM ERAM OS GÁLATAS DE PAULO? Bianca Miranda Cardoso

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Tendo por título um questionamento, a intenção do presente artigo é investigar a
formação e analisar a sociedade residente da Ásia Menor, especificamente aquela
localizada no centro da península da Anatólia e nomeada Galácia. O objetivo é
perceber como a presença de diversos povos nesta região e as relações entre estes
contribuíram para a configuração da sociedade a quem Paulo se dirige no século I
da era comum em sua Carta aos Gálatas.
Tendo por título um questionamento, a intenção do presente artigo é investigar a
formação e analisar a sociedade residente da Ásia Menor, especificamente aquela
localizada no centro da península da Anatólia e nomeada Galácia. O objetivo é
perceber como a presença de diversos povos nesta região e as relações entre estes
contribuíram para a configuração da sociedade a quem Paulo se dirige no século I
da era comum em sua Carta aos Gálatas.

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Categories:Types, Research, History
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QUEM ERAM OS GÁLATAS DE PAULO?
RESUMO
:Tendo por título um questionamento, a intenção do presente artigo é investigar aformação e analisar a sociedade residente da Ásia Menor, especificamente aquelalocalizada no centro da península da Anatólia e nomeada
Galácia
. O objetivo éperceber como a presença de diversos povos nesta região e as relações entre estescontribuíram para a configuração da sociedade a quem Paulo se dirige no século Ida era comum em sua C
arta aos Gálatas
.Palavras-chave:Paulo – Gálatas – Celtas – Anatólia – Ásia Menor
ABSTRACT
 
By Having a question as a title, the intention of this paper is to investigate theformation and analyze the society resident in Asia Minor, specifically the onelocated at the center of the Anatolian peninsula and named Galatia. The goal is tounderstand how the presence of several people in the region and the relationsbetween them contributed to the shaping of the society Paul addresses in the firstcentury of the common era in his letter to the Galatians.Key Words:Paul - Galatians - Celts - Anatolia - Asia Minor
Introdução
Ao analisar os métodos de abordagem a textos antigos, em especial textosbíblicos, Bruce Malina demonstra a importância da compreensão do “cenário” emque estas obras são produzidas. O entendimento deste “cenário” e dos conceitosculturais que cercam os autores e as obras comprometem o entendimento dasmesmas tanto para aqueles dias como para os atuais (MALINA, 2008, p. 3-24,
 passim
).Tendo em vista que os conceitos são históricos e, por isso, também sofrema interferência do tempo decorrido entre seu uso inicial e atual (SAHLINS, 1990, p.10) procura-se aqui discutir algumas questões relativas ao “cenário” da Carta dePaulo aos Gálatas. O estudo tem a finalidade de investigar os seguintes temas no
 
2
que tange ao estudo da Epístola: (i)o estado atual dos estudos sobre autoria edatação da mesma; (ii) se os membros das Igrejas da Galácia, a quem Paulo sedirigiu em sua carta, ainda poderiam ser identificados como celtas, oudescendentes destes, no momento da produção da mesma;A contribuição das diversas disciplinas usadas no estudo, isto é, o diálogoefetuado entre material teológico, histórico, e arqueológico, proporciona uma trocade informações e leituras imprescindível quando se tem em vista o difícil acesso àsfontes arqueológicas, analisadas segundo sua metodologia particular, a escassez depublicações que articulem disciplinas, e a quantidade de obras que relêem obrasanteriores pois já conhecem suas conclusões antes de iniciar a pesquisa.
I.
 
Estado atual da questão1.
 
Autoria datação e destinatários
 Parece consensual nas obras aqui pesquisadas
1
,a quem é atribuída a autoriada epístola, assim a maioria dos autores não gasta muitas páginas com estaquestão (KÜMMEL, 1982, p.395; SCHLIER, 1975; NEIL, 1967; MARTYN, 1997;BARBAGLIO, 1991; SCHNEIDER, 1967, 1980). A saudação final da carta: “Vedecom que letras grandes eu vos escrevo, de próprio punho.” (BÍBLIA DEJERUSALÉM
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,2002, Gl 6,11) é usada como argumento, ainda que questionável,para a autoria da carta por Paulo e sua autenticidade não é se quer discutida.Dotada de “alto nível dramático e emocional” (MARTYN, 1997, p.13,19), estacarta é comparada com as demais que o autor teria produzido, apresentandoindícios de que Paulo teria ditado grande parte da carta e, nesse momento críticodo discurso (Gl 6,11), tomado o pergaminho em suas mãos e escrito, de fato, “depróprio punho” (LUHRMANN, 1992, p.1).Betz qualifica a carta como um documento de caráter oficial, na medida emque a partir da passagem 1,2, percebe-se a presença de um grupo que apóia oposicionamento de Paulo na carta (BETZ, 1979, p.1,40), seja este um grupo ou aajuda de um assistente, a presença ativa de Paulo na Epístola é provada pela críticaliterária por meio da comparação desta com as demais cartas de sua produção.É portanto, admitida aqui a autoria de Paulo, conforme o próprio sedenomina:
1
Por serem tidas como referência na medida em que obras posteriores remetem a elas. Observa-se aquio pensamento que vinte e três autores, pertencentes ao meio teológico e exteriores a ele, fazem dacarta em termos de sua datação e destinatários.
2
A partir de aqui abreviada como BJ, 2002.
 
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 “Paulo, apóstolo – não da parte dos homens nem por intermédio de umhomem, mas por Jesus Cristo e Deus Pai que o ressuscitou dentre osmortos” (BJ, 2002, Gl 1,1).
A datação da carta é dificultada pela escassez de fontes que forneçamelementos para tal (BARBAGLIO, 1991, p.11). Ela própria não menciona eventoshistóricos, portanto, nada daria indícios para uma datação precisa, somenteaproximada (BETZ, 1979, p.9,11). Assim, os autores recorrem aos eventos daprópria vida de Paulo presentes não só neste como em outros textos do NT,especificamente o livro de Atos
3
, situando-a nas década de 50 e.c. na maior partedos casos.É importante ressaltar, no entanto, que a utilização dos relatos de Atos,como históricos é discutível, já que o livro é elaborado a partir de preocupaçõesteológicas da comunidade à qual se dirige, não se propondo a um registro acuradoda realidade, além de se distanciar cronologicamente dos fatos que descreve(CROSSAN E REED, 2007, p.212; BARBAGLIO, 1991, p.11; LUHRMANN, 1992, p.3;LAGRANGE, 1950, p.XVI).A datação também é, em parte, dependente da identificação dosdestinatários da carta, o que torna ambas as questões condicionais ou igualmentenebulosas. Alguns autores afirmam que Paulo teria usado “gálatas” como um termounicamente étnico se referindo aos habitantes do norte da província descendentesdas tribos celtas (VIARD, 1964, p.9-11). A teoria do Norte e a do Sul se baseiam nofato de que Paulo poderia ter fundado Igrejas na parte norte da província ou naspartes norte e sul e, portanto, poderia estar dialogando não só com descendentesceltas, mas também com a população da Licaônia, e Psídia, que ainda fazia uso desua língua nativa e onde residiam judeus
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.Quanto a isso, Rankin, admite a datação da carta ao ano de 51 e.c. e, tendoem vista que nessa época “Galácia” era o nome de toda a província e englobava osterritórios norte e sul, afirma que Paulo não parece se dirigir às terras do norte,povoadas pelas tribos celtas, mas à província como um todo. Sua argumentação ébaseada no conteúdo da carta. Paulo estaria criticando aspectos humanos,encontrados em todas as sociedades em vez de características celtas usualmenteatribuídas a estes povos por gregos e romanos (RANKIN, 1996, p.205).
3
Há também outras versões na qual Paulo estaria preso em Roma, sendo este, o único motivo que oimpediria de levar sua mensagem pessoalmente para as comunidades (NEIL, 1967, p.13-15;LAGRANGE,1950, p.XXVII).
4
Quanto a isso Cothenet afirma que a Teoria do Sul seria uma tentativa de harmonização entre ostextos de Gálatas e Atos (

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