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Freud, Jung e a Religião

Freud, Jung e a Religião

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Erich Fromm Resgata a Ética Universal e Mostra Que a Obra de Jung Não Tem Alicerces
Erich Fromm Resgata a Ética Universal e Mostra Que a Obra de Jung Não Tem Alicerces

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Published by: Vislumbres Da Outra Margem on Feb 16, 2011
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Freud, Jung e a Religião
Erich Fromm Resgata a Ética Universal eMostra Que a Obra de Jung Não Tem Alicerces
Erich Fromm0000000000000000000000000000000000000000000000000000O texto a seguir é fundamental para compreendera relação entre a psicologia esotérica oriental ea psicologia atual do Ocidente.
“Freud, Junge a Religião”
é uma transcrição do capítulo dois daobra
“Psicanálise e Religião”
, de Erich Fromm (LivroÍbero Americano Ltda., RJ, 1966, 139 pp.) O ponto devista de
Erich Fromm
(1900-1980) coincide, em váriospontos centrais e decisivos, com a filosofia esotérica original.000000000000000000000000000000000000000000000000000000000Freud discutiu o problema das relações entre a religião e a psicanálise em um dos seuslivros mais brilhantes e profundos – “O Futuro de Uma Ilusão”. Carl Jung, o primeiropsicanalista a compreender que tanto os mitos como as ideias religiosas exprimemverdades profundas, abordou o assunto em uma série de conferências, publicadas sob otítulo “Psicologia e Religião”.
[1]
 
 
www.filosofiaesoterica.com 
 
Procurarei apresentar, de modo sumário, a posição dos referidos autores, com umatríplice finalidade:1) Indicar a situação atual do problema, e definir assim o meu próprio ponto departida.2) Lançar os alicerces para os próximos capítulos, esclarecendo alguns conceitosfundamentais usados por Freud e Jung.3) Corrigir a opinião, bastante generalizada, de que Freud é “contra” e Jung“favorável” à religião, o que significa uma excessiva simplificação de um problematão complexo.Qual é a posição de Freud em relação ao assunto? Para ele, a religião tem a sua origemno sentimento de incapacidade do homem, quando se vê confrontado com as potênciasexteriores, provindas da natureza, e com o seu próprio dinamismo instintivo. Areligião aparece numa fase precoce do desenvolvimento filogenético, quando ohomem ainda não pode usar a sua razão para dominar as primeiras forças, e reprimirou controlar as segundas.Assim, incapaz de opor-se a tais energias por um movimento racional, ele recorre aafetos opostos, a outras forças emocionais, cuja função é dominar o maisperfeitamente possível o que escapa ao controle da sua razão.Nesse processo, o ser humano desenvolve o que Freud chama uma “ilusão”,moldando-a de acordo com a sua própria experiência individual nos primórdios davida. Confrontado com forças perigosas, primitivas e incompreensíveis, intrínsecas eextrínsecas, ele volta a etapas infantis, e recorda o tempo em que se sentia seguro coma presença de um pai de sabedoria e poder superiores ao seu, cujo amor e proteçãopodia conquistar pela obediência e respeito.Assim, a religião, para Freud, nada mais é que a repetição de uma experiência infantil.O ser humano lida com os elementos ameaçadores do mesmo modo que, quandocriança, aprendeu a reduzir a sua própria insegurança pela confiança, admiração erespeito medroso por seu próprio pai. Dentro desse raciocínio, Freud compara areligião com as neuroses obsessivas do período infantil, afirmando que as mesmascondições que desencadeiam a obsessão presidem à estrutura religiosa.A análise freudiana das raízes psicológicas do fenômeno religioso procura esclarecerpor que o ser humano chegou a formular a ideia de Deus. Conclui esse autor que airrealidade do conceito teísta transparece quando se compreende que ele nada maisrepresenta do que a objetivação ilusória de um desejo humano.
[2]
 
Freud não se limita a provar que a religião é uma
ilusão
. Diz que toda religiãoconstitui um
perigo
, porque tende a santificar instituições viciosas, com as quais setem aliado através dos tempos. Além disso - porque ensina às pessoas a acreditaremem uma ilusão e condena o pensamento crítico – provoca certa estagnação intelectual.
[3]
 Estas acusações contra a igreja foram, aliás formuladas pelos pensadores daRenascença. Mas dentro da orientação freudiana, a limitação intelectual por influênciareligiosa aparece de modo muito mais enfático do que nas obras do século XVIII.Freud demonstrou que a inibição da crítica em relação a um determinado aspectoconduz a um enfraquecimento em outras esferas do pensamento, diminuindo dessemodo a força da razão. A terceira objeção de Freud baseia-se no fato de que a religiãocoloca a moralidade humana sobre alicerces instáveis. Se a validade das regras éticasrepousa na sua origem divina, a própria ética terá de sofrer as mesmas vicissitudes dosentimento religioso. Desde que Freud acredita que a crença em Deus estáprogressivamente decaindo, ele chega à conclusão de que a conexão entre religião emoral terá como consequência inevitável a destruição dos valores éticos.Receia ele que a religião venha a comprometer valores que lhe são caros, isto é, arazão, a diminuição do sofrimento humano e a moralidade. Quanto aos ideais em queacredita, Freud definiu-os claramente: amor fraternal entre os homens(Menschenliebe), verdade e liberdade. Razão e liberdade são interdependentes, diz oautor em apreço. Se o homem prescinde da ilusão de um Deus paternal, se encara a suaprópria solidão e insignificância no universo, ele se sentirá como a criança longe dacasa paterna. Mas o verdadeiro sentido do desenvolvimento humano consiste emsobrepujar esta fixação infantil. A educação deve encorajar a aceitação da realidade.Quando sabe que deve se apoiar apenas nas suas próprias forças, o homem aprende ausá-las eficientemente.Somente o homem livre, que conseguiu emancipar-se de autoridades - autoridades queameaçam e protegem - pode fazer uso do seu poder racional e compreender o mundo ea sua própria função no universo, objetivamente, sem ilusões, mas também com ahabilidade de desenvolver ao máximo as potencialidades que lhe são inatas. Somentequando conseguimos abrir mão da nossa dependência infantil, e deixamos de temerautoridades, temos coragem para pensar independentemente. E a recíproca também éverdadeira: somente se tivermos coragem para pensar, somos capazes de nosemancipar do domínio e da prepotência. É curioso verificar que Freud afirma ser osentimento de incapacidade oposto ao sentimento religioso. Uma vez que muitosteólogos, e, como veremos mais adiante, Jung, até certo ponto, consideram osentimento de dependência e de incapacidade como o núcleo da experiência religiosa,a asserção freudiana torna-se muito importante. Exprime, ainda que apenasimplicitamente, o seu próprio conceito de experiência religiosa, a saber, deindependência e de conhecimento das próprias forças. Procurarei mostrar mais adiante

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