— Quanto tempo acredita que vão...?— Não há mais perguntas. — Jaz alcançou a porta, passou seu cartão de identificação e se deslizou dentro semescutar o resto da pergunta do repórter. Nunca tinha apreciado o som da fechadura, quando fazia clique ao fechar portasautomaticamente, mas agora se alegrou que mantivesse os famintos repórteres à raia.Com um suspiro de alívio, se dirigiu apressada para a escada traseira, trocou-se, colocando o seu traje isotérmico, elogo correu para a piscina. Seu pessoal já recolhia amostras de sangue e fiscalizava os sinais vitais dos golfinhosdoentes.— A temperatura da pele parece estar dentro dos níveis normais. — Bob Pene, um de seus ajudantes, olhou para cimaquando entrou na parte pouco profunda da água, logo baixou o olhar e se centrou de novo em seu trabalho.Ela caminhou pela água por volta de um dos golfinhos e imediatamente começou a registar temperaturas e extrair amostras de sangue, gritando os dados a outro de seus ajudantes, que permanecia de pé ao lado da piscina.Trabalharam sistematicamente com todos os golfinhos, que não pareciam mostrar nenhum sintoma externo de doençaou ferida. O que podia significar que o dano talvez fosse interno.Depois de pôr marcadores identificativos a todos os golfinhos, o pessoal se apressou a ir ao laboratório para processar o sangue extraído. Jaz saiu da piscina e tirou seu traje isotérmico, com a intenção de ir até seu apartamento para trocar de roupa e dirigir-se ao laboratório. Infelizmente, foi bloqueada na saída pela pessoa que não queria ver nesse dia.— Dra. Quinlan, quem autorizou este resgate?Claude Morton, o administrador do Califórnia Bay Aquarium, olhava-a atentamente, com seus elegantes óculos queprovavelmente lhe tinham custado mais do que ela ganhava em um ano. Seu traje Armani era completamentedesapropriado neste ambiente, mas para Claude a imagem era tudo. Ele não regulava nenhum gasto, ao menos quandoeste se relacionava com seu próprio traje e seu estilo de vida. Mas se se gastava um cêntimo que não estivesse nopressuposto do aquário, empalidecia como se o dinheiro saísse de sua própria conta bancária.— Eu autorizei o resgate. Queria que observasse como uma dúzia de golfinhos morriam na praia enquanto um centrode mamíferos marinhos estava somente a quinze metros de distância?Ele enrugou seu nariz, sem dúvida desagradado pelo aroma da água e dos mamíferos. Ainda bem. Esperava que oaroma o fizesse vomitar.— Não somos responsáveis pelo que ocorre fora da propriedade do aquário, Dra. Quinlan.— Agora não é bom momento para entrar nesse tema, Claude — disse ela, sabendo que chamá-lo por seu nome lheincomodaria bastante. Claude preferia que o chamassem Doutor como se tivesse recebido um prêmio Nobel e insistia aopessoal que o chamassem «Dr. Morton». Para falar a verdade, era bem sabido que procedia de dinheiro antigo, e que oscolégios em que tinha estudado tinham sido virtualmente comprados e pagos por sua família.Como sempre, ignorou-a. Mas hoje não era um dia como os outros. Ela começou a mover-se para passar diante dele,mas ele bloqueou sua saída.— Temos que falar disto. Tem que tirar estes golfinhos daqui, agora.Negando-se a deixar que a intimidasse, lhe disse:— Estão doentes. Necessitam assistência médica. Não os moverei.Sua cara avermelhou.— Moverá sim. Não temos recursos para este tipode resgate.— Não, Claude. Eles ficam.Com um olhar zangado, tirou seu telefone móvel do bolso.— Muito bem, então os terei que retirar eu, se você não estiver disposta.Jaz respirou profundamente para evitar dar um pontapé no meio das pernas do idiota de seu chefe. Então uma idéia aassaltou.— Muito bem. Pode fazê-lo. Enquanto isso, vou falar com os repórteres que estão na porta babando por uma históriasuculenta. Penso lhes dizer que o administrador do aquário deixará morrer uma dúzia de golfinhos só porque o salvar