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Mata Atlântica Fragmentos Cap. 1 port

Mata Atlântica Fragmentos Cap. 1 port

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história da mata atlântica
1 1
capítulo1
Opulência Vegetal,CobiçaInsaciável e a Entronizaçãoda Entropia:UmaVisão da História Socioambientalda Mata Atlântica 
Clóvis Cavalcanti 
presente capítulo destina-se a ofereceruma visão compreensiva – salientando al-guns traços marcantes – da história socialdo processo de destruição da Mata Atlân-tica, abordando também aspectos econômi-cos do problema. Mas de que Mata Atlântica exatamente se está falando? O espaço geográficodesse ecossistema aqui considerado corresponde, em princípio,ao seu setor nordestino na parte ao norte do Rio São Francisco(11
o
lat. S na foz). Na verdade, ao sul do rio, a cobertura originalda Mata Atlântica, em 1500, era escassa no Estado de Sergipe,alargando-se e encorpando-se substancialmente à medida que sedesce para o sul da Bahia (Dean, 2004, mapa 1). No seu segmen-to ao norte do São Francisco é que, no período decisivo da for-mação brasileira, desenvolveu-se parte substancial da civilizaçãodo açúcar. Lembra Freyre (1985), a propósito, que “a primeira grande expressão de civilização brasileira – a baseada no açúcar –foi particular ao Nordeste, isto é, ao Brasil agrário que se esten-dia do Recôncavo da Bahia ao Maranhão”. A história do Brasil setraduz então na história do próprio açúcar (Freyre, 1985). É osegmento da Mata Atlântica que ocupava quase toda a zona lito-rânea de Alagoas e Pernambuco (estados que constituíam uma capitania só no século
xvi
 ), cobrindo área maior neste do quenaquele estado, que nos interessa. A presença do bioma em ques-tão na Paraíba e no Rio Grande do Norte, por outro lado, era bem menos expressiva, menos mesmo do que em Sergipe. Foi sua 
2.
Bolsista da Conservação Internacionaldo Brasil,Projeto Corredor de BiodiversidadeProjeto do Nordeste.
Ao lado:
Nome vulgar e científico da BroméliaLocal e data da observação
O
 
história da mata atlântica
1 3
mente – se retira da eloqüente constatação de Freyre (1985) deque o que sobrou dessa floresta são “restos de mata”, “sobejos da coivara”. Ela foi ocupada pelo canavial e o engenho “sem outra consideração que a de espaço para a sua forma brutal de explorara terra virgem” (Freyre, 1985), devastando-se simplesmente a mata a fogo. Como, na observação de Dean (2004), tal resto da riqueza original da floresta se mostra (ainda) “indescritível emtermos práticos e imensamente complexo”, pode-se avaliar a di-mensão do impacto que são quinhentos anos de avanço do mun-do moderno sobre a herança biológica contida na complexidade ebeleza da Mata Atlântica que existia no país em 1500.É certo que todo regime agrícola, como o que se estabeleceu na Mata Atlântica, causa transtornos aos sistemas naturais. Asações humanas, retirando recursos da natureza e nela eliminan-do matéria e energia degradadas, sempre causaram e causarãoimpactos ambientais negativos. Por outro lado, como observa Pádua (2002) aludindo a Simon Schama, o trabalho dos histo-riadores da natureza tende a fazer sobressaírem as intervençõesdestrutivas nas relações homem-ecossistema. Isso não quer dizerque os humanos só tenham destruído. O problema é que proces-sos de aniquilamento natural como os da história do Brasil, aolongo de séculos, destacam-se de uma forma tão contundenteque ações possivelmente benignas dos colonizadores terminamofuscadas. Essa, certamente, é a saga da Mata Atlântica – e tam-bém a que se tem tornado símbolo, nos anos recentes, da Caatin-ga, do Cerrado e da Amazônia. Interessante é que a devastaçãoacompanha a civilização – veio com ela no caso da colonizaçãolusitana –, enquanto o trabalho dos “selvagens” que aqui havia,como se verá na seção seguinte, dela conheceu tão-somente for-mas atenuadas ( 
cf.
Brunhes, 1955).Certamente, o registro da destruição de sistemas naturais co-mo a Mata Atlântica evidencia fatos vergonhosos. Mas isso nãopode, nem deve, ser omitido. Pode ser útil (Dean, 2004) para evi-denciar o grau de loucura ou ignorância da espécie humana. Nocaso nordestino, o que se revela a esse propósito é uma situação de“economia de rapina”: um trabalho contra a natureza. Mais do quea simples economia de feitoria ou de exploração – que extrai sempretender destruir ou causar dano permanente ao meio –, a eco-nomia de rapina encerra a idéia de explorar destruindo ou causan-do dano permanente (Castro Herrera, 1996). A expressão foi em-pregada em 1910 pelo geógrafo francês Jean Brunhes (1955). Ela “designa uma modalidade peculiar de ‘ocupação destrutiva’ do es-paço por parte da espécie humana, que ‘tende a arrancar-lhe ma-térias-primas minerais, vegetais ou animais, sem idéia nem meiosde restituição’” (Castro Herrera, 1996). É ação semelhante à deum garimpo como o de Serra Pelada, no Pará. Ou da extração demanganês da Serra do Navio, no Amapá (Brito, 1994). Ou ainda da destruição física de um pequeno país-ilha do Pacífico, Nauru,literalmente devastado em 80 % de seu território pela exploração
fragmentos de mata atlântica
1 2
existência como bioma rico em vegetação de floresta que levou a designar como Zona da Mata a estreita faixa de terra que acom-panha a costa nordestina oriental, onde se concentram atualmen-te – menos, porém, em termos relativos, do que no passado – a população e atividades econômicas da região. Zona da Mata é umnome que, de pronto, remete à antiga “opulência vegetal” que vi-cejava na Mata Atlântica do Nordeste, especialmente em Per-nambuco (Silva, 1993). Opulência que vicejava. Não viceja mais,porque o que existe hoje, o que sobrou de uma atividade de des-truição de 500 anos, são pobres vestígios dessa riqueza inigualá- vel, o que faz a denominação Zona da Mata possuir conotaçõesde cruel ironia ( 
cf.
Freyre, 1985).O estudo que aqui se elabora não pretende ser exaustivo ou original nos fatos que oferece. Se originalidade existe é no que to-ca à interpretação de certos fenômenos. Muito daquilo que dizrespeito à Mata Atlântica, com efeito, já foi pesquisado e analisa-do competentemente por autores diversos, a exemplo de Gil-berto Freyre (1985) e Warren Dean (2004). Este último tem seu foco, é certo, no espaço abaixo do paralelo 13
o
S e acima da flores-ta de coníferas. Porém, Dean (2004) faz a ressalva, correta, deque a seção da Mata Atlântica por ele investigada constitui o cor-po central da floresta, representando mais de 70% do conjuntointeiro e onde quase todos os aspectos da história dos assenta-mentos humanos aí estabelecidos seriam típicos também dasáreas restantes. De qualquer forma, o que se pretende aqui é, à se-melhança do que fez Paulo Prado em
Retrato do Brasil 
(1931), e para chegar à essência das coisas, apresentar aspectos, situações típicas,representações da realidade e dos acontecimentos, “resultantesestes mais da dedução especulativa do que da seqüência concate-nada de fatos” (Prado, 1931). Vale notar que o historiador John L.Myers recorda que “extensões imensas do planeta não têm litera-tura histórica”, faltando assim uma minuciosa descrição do am-biente biogeográfico que aí determinou a evolução e a existência dos humanos. Essa é a situação da Mata Atlântica, da qual se sa-be alguma coisa, a partir do século
xvi
, por intermédio de docu-mentação esparsa e dos relatos dos primeiros cronistas, a exem-plo de Antonil (1997) e Gandavo (1980). Um assunto que será objeto da segunda seção deste trabalho.Uma idéia do processo destruidor por que passou a Mata  Atlântica – a ser oferecida nas terceira, quarta e quinta seções dopresente capítulo, no tocante aos objetivos da conquista colonial,do processo de exploração e emprego de escravos, respectiva-do fosfato que dele saiu no período 1920-2000. Tal modelo defi-ne um dos traços mais característicos da relação sociedade-meioambiente na América Latina a partir do século
xvi
. Trata-se deuma forma particular de coleta, que agride a natureza com grande violência. Desse ataque violento, como concebia Brunhes, pode“resultar a miséria, e então é a devastação generalizada” (CastroHerrera, 1996). A modalidade de economia de ocupação destru-tiva que possui um “caráter normal, metódico” (colônias de ex-ploração) não se compara à economia de rapina. Esta última mo-dalidade se distingue por possuir uma intensidade imoderada quelhe faz por merecer a designação de rapina econômica, ou ainda,mais simplesmente, devastação.Os grupos humanos que existiam no Brasil pré-conquista eram sociedades de circuito fechado ( 
cf  
. Castro Herrera, 1996),auto-sustentadas, auto-suficientes. Não possuíam propósitos co-merciais. Não efetuavam trocas com sociedades no seu exterior.Tinham como propósito fundamental reproduzir-se: promover oatendimento de suas próprias necessidades, sem intentos de acu-mulação. Suas relações com o meio ambiente eram diversificadase, satisfeitos os fins de sustentação do grupo, permitiam desenvol- vimentos culturais que incluíam conhecimento íntimo da ecologia dos sistemas naturais ao redor. Daí a tendência a um inevitávelconvívio harmonioso (e reverente) com a natureza, trabalhandoantes com ela do que contra ela. A chegada dos colonizadores rom-peu com esse modelo, pondo fim ao sistema de circuito fechado.Sociedades de circuito aberto, não mais auto-suficientes e sem ca-pacidade de auto-determinação quanto aos fins e termos de sua existência, irão surgir. As novas relações de intercâmbio com oexterior – desvantajosas para o nativo e para o ambiente naturalda colônia – introduzem o paradigma do desenvolvimento exó-geno, de caráter predatório, especializado, simplificador. Novosagentes do processo, por sua vez, desconhecem completamente oecossistema original do novo território e, alimentados por sua ig-norância, lançam-se à empreitada de extrair dele o maior retornopossível, cometendo o crime da devastação. Trata-se de um pro-cesso de incorporação violenta das terras recém-encontradas aoespaço da economia-mundo. O que se faz a custos altíssimos pa-ra o território que se mantivera fechado até então. Sobre isso sefala nas sexta e sétima seções deste estudo, as quais tratam, res-pectivamente, de uma avaliação do processo e das característicasdo modelo de ocupação européia da Mata Atlântica. O estudo seencerra, na oitava seção, com algumas conclusões. Acho importante dizer que sou da Zona da Mata de Pernam-buco. Nasci entre canaviais numa usina de açúcar (a Frei Caneca,hoje Colônia), no então Município de Maraial, atualmente partedo Município de Jaqueira. Meu pai era contador da empresa, on-de trabalhou no período 1934-1990. Em ambos os lados de mi-nha família há relações com propriedades rurais, com antepassa-dos produtores de cana-de-açúcar, açúcar mascavo, rapadura e
Frans Post.Serinhaim.Do livro
Rerum per Octenniumin Brasilien
,deGaspar Barléu,1647.
 
história da mata atlântica
1 5
Caminha se maravilhasse, enfatizando: “Esta terra (...) de ponta a ponta é toda praia (...) muito chã e muito formosa. Pelo sertão nospareceu, vista do mar, muito grande; porque a estender olhos, nãopodíamos ver senão terra e arvoredos”. A carta de Caminha, comosugere Prado (1931), embora de “idílica ingenuidade, é o primeirohino consagrado ao esplendor, à força e ao mistério da natureza brasileira”. Pero de Magalhães Gandavo retoma o assunto em 1576,expondo o que testemunhara: “Esta terra é mui fértil e viçosa, toda coberta de altíssimos e frondosos arvoredos, permanece sempre a  verdura nela inverno e verão” (Gandavo, 1980); a terra “é à vista mui deliciosa e fresca em grã maneira: toda está vestida de mui al-to e espesso arvoredo” (Gandavo, 1980). São descrições, impres-sões, desenhos da paisagem contemplada que nos remetem a espe-culações sobre o que o cenário esconderia.Gandavo ainda dá depoimento sobre outras coisas que o im-pressionaram: “Há por baixo destes arvoredos grande mato e muibasto e de tal maneira está escuro e serrado em partes que nunca participa o chão da quentura nem da claridade do Sol, e assimestá sempre úmido e manando água de si” (Gandavo, 1980).Chama sua atenção a existência de “muito pau-brasil nestas Ca-pitanias (Bahia, Pernambuco) de que os mesmos moradores al-
fragmentos de mata atlântica
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hoje –, a qual ajudou a perpetrar o saque e a destruição da Mata  Atlântica. Mas descendo igualmente da tribo tabajara, inimiga dos caetés que habitavam Olinda quando os portugueses aquichegaram. Depois de algumas lutas, lusos e tabajaras se aliaramcontra os caetés e os venceram. O primeiro Cavalcanti, Filippo,de Florença (Itália) – único, na verdade, a chegar aqui com essesobrenome – casou-se com uma mameluca, Catarina de Albu-querque Arcoverde, filha do português Jerônimo de Albuquer-que, chamado o Adão pernambucano, e da índia tabajara Muira Ubi, que após o batismo cristão passou desnecessariamente a sechamar Maria do Espírito Santo Arcoverde.Por uma razão que não sei explicar, sobre a qual já me mani-festei anteriormente (Cavalcanti, 1992), identifico-me mais co-mo ameríndio do que como europeu ou africano. Isso me leva à posição de tender mais a interpretar os fenômenos daquilo quefoi a brutal destruição – a “ferro e tição” (Couto, 1849; Dean), “a machado e fogo” (Freyre, 1980), “a ferro e fogo” (Dean, 2004) –da Mata Atlântica na ótica das populações que a haviam habitadopor dez, 12 mil anos antes dos europeus. É dessa perspectiva queelaboro as observações, os comentários e as conclusões da presen-te seção e, na verdade, do restante do capítulo. Sem que por issome sinta menos fiel ou menos objetivo, na minha condição depesquisador, em minha interpretação e minhas especulações, co-mo também não me sentiria se me inclinasse a assumir a ótica docolonizador europeu ou do escravo africano.
Opulência vegetal: uma visão do ecossistema da Mata Atlântica na chegada dos portugueses
Quem primeiro viu a Mata Atlântica e descreveu ao mesmo tem-po a visão que teve, tal como a floresta deveria ser em 1500, foi oescrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, Pero Vaz de Caminha,em sua famosa carta ao Rei D. Manuel
i
, de Portugal. Eviden-temente, tal missiva constitui um relato impressionista, sem deta-lhes ou pretensão de registro científico. Mas é sugestivo o tomdominante da descrição, especialmente da riqueza vegetal encon-trada, com expressões como “os arvoredos são mui muitos e gran-des, e de infinitas espécies, não duvido que por esse sertão haja muitas aves!”. Ou ainda: “esse arvoredo que é tanto e tamanho e tãobasto e de tanta qualidade de folhagem que não se pode calcular”.Impressão que foi também, em 1817 – muito depois, portanto – a de Casal (1996), ao se admirar da “terra chão coberta de arvoredo”.Terra que, pela aparência, segundo Casal (1996), levava à admissãode que não houvesse país que pudesse “competir com o Brasil na multiplicidade de vegetais”. Na biodiversidade, dir-se-ia agora. Na Mata Atlântica, conforme o mesmo autor, abundavam em varieda-de “excelentes madeiras de construção, paus de tinturaria e plantasmedicinais” (Casal, 1996). Ora, nada mais natural, assim, quecachaça. A avó paterna de meu pai, que conheci, Maria Luíza Bandeira de Melo Cavalcanti (1862-1947), era senhora do Enge-nho Taquarinha, em Maraial. Meu bisavô, João Pereira de Aguiar(1865-1932), avô materno de minha mãe, também foi senhor deengenho e fornecia cana para a Usina Catende – a maior doBrasil na época. Convivi desde cedo com relatos, uns tristes, co-mo os da escravidão, outros mais edificantes, como os da histó-ria da monocultura canavieira de Pernambuco, sobre a qual meu pai fazia muitos comentários críticos, especialmente no tocanteà devastação das matas. De minha casa, contemplei durante a in-fância e nos períodos de férias escolares da adolescência, nosanos 1940 e 1950, pedaços significativos – não “sobejos de coi- vara”, no dizer de Gilberto Freyre (1985) – da esplendorosa Mata Atlântica. Um deles, o da bela Serra do Espelho, ainda ho-je uma reminiscência magnífica do que era a floresta original, sebem que reduzida a 630 hectares, com espécies endêmicas debromélias, por exemplo. Essa serra, um maciço rochoso, sempreme despertou o maior interesse. Nela, com irmãos, primos eamigos, fiz passeios, piqueniques, caminhadas, o primeiro delescom meus pais, quando tinha apenas seis anos de idade.Viajando de trem, meio de transporte da época para longasdistâncias na Zona da Mata pernambucana e alagoana, inclusi- ve no pequeno vagão de passageiros (“bondezinho”) da Usina Frei Caneca – um de seus herdeiros, Gustavo Duarte da Silveira Barros, a propósito, preserva admiravelmente o que resta da Ser-ra do Espelho –, a Mata Atlântica era uma presença constante na paisagem. É que a cana-de-açúcar ainda não ocupara de forma absoluta a região. Os morros da Zona da Mata Sul de Pernam-buco tinham cultivos da gramínea em suas encostas; mas, nos seustopos, conservavam preciosas ilhas razoavelmente grandes de flo-resta. Em algumas áreas dessas manchas, plantava-se café. Havia ali tatus, macacos, sagüis, cutias, tamanduás, gatos-do-mato, capi- varas, preguiças, cobras e uma diversidade de aves. O grande poe-ta – inclusive no físico – Ascenso Ferreira (1895-1965), amigo deinfância de minha avó materna (nascida em 1894) e, como ela,natural de Palmares, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, quefreqüentava minha casa e recitava com sua voz ímpar deliciosospoemas seus, menciona a mata vista do trem da Great Westernemseu inspirado canto “Trem de Alagoas”, também conhecido pelo verso inicial: “Vou danado pra Catende”.Toda essa introdução acima é para dizer que possuo uma li-gação ancestral e visceral com a Mata Atlântica, parte de cuja opulência biológica consegui registrar indelevelmente na memó-ria a partir do que vi com meus próprios olhos. A ligação ainda hoje se manifesta no meu mundo privado de proprietário de 23hectares de terras do brejo de altitude do município pernambu-cano de Gravatá, onde trechos da floresta são por mim conser- vados. Pertenço à estirpe dos Cavalcanti – surgida em Olinda nos meados do século
xvi
, bem próximo do local onde resido
Frans Post.Serinhaim.Do livro
Rerum per Octenniumin Brasilien
,deGaspar Barléu,1647.
Página 13:
Frans Post.O carro de bois.Óleo sobre tela,61 x 88 cm,1638.

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