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Wiki Leaks

Wiki Leaks

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06/23/2014

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WikiLeaks
A bronca da divulgação de documentos secretos roubados do Departamento deEstado dos EU, correspondência diplomática, divulgados pelo site WikiLeaks, talvezseja o acontecimento mais importante do ano, com consequências imprevisíveis.Desde logo definiram-se dois campos antagónicos: os apoiantes, defensores daliberdade de informação, e os críticos, a afirmarem que a liberdade de informação temlimites, alegando que este caso pode pôr em causa o modo de vida e a segurança dasociedade ocidental.Vejamos o que diz Miguel Sousa Tavares (indivíduo com quem embirroparticularmente) no Expresso: «Vivemos tempos em que a liberdade de informação serve de abrigo para toda aespécie de heroísmos fáceis. No território sideral da net, nos blogues onde proliferamanónimos de toda a espécie, os ressabiados, os caluniadores ou simplesmente cobardes,a responsabilidade é zero e a liberdade é total. Que espécie de liberdade será essa?O mesmo direito sagrado à liberdade de informação, ou o que se invoca ser tal, levaentre nós a esse espectáculo decadente eticamente, que é a revelação de todas as escutastelefónicas realizadas ao abrigo de processos judiciais em curso, sem que nenhumaautoridade lhes ponha cobro ou até se incomode já com a sua ocorrência.O semanário “Sol”, tendo três jornalistas
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no processo
 
“Face Oculta” naqualidade de “assistentes”, dedicou-se durante várias semanas a divulgar o teor dasescutas lá existente. E nem sequer se deteve quando uma providência cautelar de umdos escutados obteve provimento em tribunal. O “Sol” declarou solenemente que aliberdade de informação e o “interesse público” estavam à frente das decisões dostribunais e até dos supostos direitos constitucionais garantidos aos arguidos.O WikiLeaks era o passo seguinte e previsível desta filosofia de que vale tudo, nadaé segredo, nada é reservado, tudo é devido, tudo é interesse público, tudo é liberdade deinformação. O seu objectivo é claramente desarmar a única superpotência ocidental. Eeu, se me é permitida a escolha e enquanto for vivo, preferia viver numa democraciaocidental do que numa chinesa, russa, norte-coreana ou iraniana. Os EU continuam a ser o garante da liberdade e da paz relativa em que vivemos.
 
Um deputado do Bloco de Esquerda escrevia no “Público” que o secretismo éinimigo da democracia e que os segredos diplomáticos servem para subtrair aos povos oseu direito à informação. É apenas argumentação hipócrita que nada tem de inocente:desde quando é que constitui direito dos povos conhecer, em tempo real, o teor dacorrespondência diplomática entre os embaixadores de um país e o seu governo? Seassim fosse, para que serviam os embaixadores? Para que servia a diplomacia? E porquenão conhecermos também o teor das conversas telefónicas e da correspondência trocadaentre os dirigentes do Bloco de Esquerda? Também poderia ter o seu interesse...Ter Assenge preso porque se lhe rompeu a camisinha quando estava na cama comuma sueca é ridículo. Ele deve estar preso e responder por violação de correspondênciapública e privada, por quebra de segredos militares que pode pôr em risco a vida depessoas e por aquilo que é, para todos os efeitos um acto de guerra. Porque, não sei sesabem que, no Ocidente onde vivemos, estamos em guerra não declarada contra oterrorismo da Al-Qaeda, contra o fanatismo islâmico, contra a insanidade nuclear deditaduras como a do Irão ou Coreia da Norte. E se não sabem passarão a sabê-lo no diaem que tiverem o azar de ver alguém querido morrer num ataque terrorista tornado maisdifícil de evitar graças às revelações desse inventado herói chamado Julian Assange».Sobre o mesmo assunto, segue-se uma opinião diametralmente oposta, num artigoescrito por Leonel Moura no “Jornal de Negócios”.«
O caso Wikileaks é revelador da derrocada moral do velho poder que em toda aparte continua instalado na política, na economia e, também, há que dizê-lo, nojornalismo. A sanha, de contornos fascizantes, que emergiu nos últimos dias nestenosso  chamado  mundo  ocidental, o tal civilizado e democrático, contra  umjornalista cujo único crime foi ter divulgado alguns documentos de evidenteinteresse público, só tem paralelo nos regimes tiranos e totalitários. A tão propaladaliberdade de expressão só serve para criticar os outros. Quando atinge o velhomundo dito avançado então a máscara cai e a face tão feia e bárbara como a dosoutros é revelada.Os mesmos que ontem criticaram ferozmente a China por ter desligado o Google,exigem agora que se "assassine" (sic) Julian Assange. Aliás, a Casa Branca proibiuos funcionários públicos de consultar o Wikileaks, ou seja, seguindo o mesmométodo censório chinês que desativou o site logo em 2007.
 
E afinal porquê tanta agitação e ódio? O verdadeiro jornalismo sempre teve pormissão revelar os segredos dos poderosos e dessa forma contribuir para atenuar asua prepotência e garantir alguma transparência pública. Onde está então adiferença de tantos outros casos?Wikileaks é o ponto alto de uma guerra, surda e suja, que os velhos poderes domundo conduzem contra a Internet. A Internet gerou uma nova cultura assente naliberdade e sobretudo na liberdade de expressão. Uma liberdade que não se ficapelos enunciados, como é corrente nos discursos do velho poder, mas que se praticaativamente, se distribui, interage, evolui, como um organismo vivo. Um verdadeirorus, perigoso e subversivo para aqueles que acima de tudo m pavor daliberdade, da criatividade, da imaginação e do talento de indivíduos livres.Quando todo esse potencial libertário serve para fazer dinheiro eles adoram, masquando coloca em questão a arquitetura do poder estabelecido eles detestam eatacam. Ora não existem duas internets. Uma coisa vem com a outra. Estas cabeçasainda não o perceberam.Mais do que os gadgets, o entretenimento, as promoções, as múltiplas parvoíces,a Internet permitiu que o conhecimento e a informação passassem a ser o domíniode muitos milhões e não já, como era habitual, só dos privilegiados e poderosos.Hoje, 2 biliões de pessoas, ou seja, cerca de um terço da humanidade, podedivulgar, partilhar e manipular qualquer tipo de saber ou informação. E issoconfigura uma revolução que altera não só a forma como vivemos, trabalhamos enos relacionamos, mas que exige uma profunda mudança na organização política esocial das nossas sociedades. Em vez de evoluir o velho poder resiste, perseguindoos mesmos esquemas brutos e estúpidos de sempre. Imaginar, por exemplo, que épossível  matar  o  mensageiro,  quando  existem  muitos  milhões  de  potenciaismensageiros, é no mínimo pouco inteligente. E muito desesperado, diga-se depassagem. Podem prender ou mesmo assassinar o Assange do momento, masoutros se seguirão. Disso não restam dúvidas. Basta pensar que na sequência dosataques neste momento já existem mais de mil sites que "espelham" o Wikileaks.Vão prender toda a gente?A velha cultura deste poder instalado à sombra de democracias formais,resistente à mudança, corrupto na sua essência, hipócrita e secreto nas suaspráticas, tem pouca viabilidade numa sociedade cada vez mais transparente. A consequência é o descrédito absoluto em todo o planeta na classe política e tambémno modelo económico vigente que, em boa verdade, comanda as operações.

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