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Marcos Mucheroni

Marcos Mucheroni

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02/23/2011

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E-book: BARROS, D.M.V. et al. (2011)
Educação e tecnologías: reflexão, inovação e práticas 
. Lisboa:
[s.n.]
  ISBN: 978-989-20-2329-8
 
   
 
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Transformações da tecnología na cultura e no trabalho
 Marcos Luiz Mucheronimmucheroni@hotmail.comECA- USP - Brasil
 
 
A maioria dos trabalhos de Cibercultura costumam negligenciar umaspecto fundamental que é seu aspecto sociológico, em três aspectosesta forma de trabalho social é nova: primeiro como uma alteração doponto de vista cultural porque estabelece uma nova relação maishorizontal e interativa que as mídias anteriores, segundo que como formade trabalho, ainda que de modo insuficiente, pode ser classificado comoimaterial porque o produto são monadas de informação, e, terceiro eprincipal aspecto que este produto é socializado e a tendência de serproduto livre (o código aberto, ou open source) gera uma nova face detrabalho: o serviço podendo este se alargado a sua possibilidade deapropiação como
“bem
-
comum”.
 
 1. Introdução 
 A centralidade da temática econômica dominou toda a filosofia epensamento sobre o trabalho, porém a partir da escola de Frankfurt e dareviravolta lingüística, onde a linguagem de simples meio tornou-se partefundamental da própria mensagem, ou como diz McLuhan
1
 
“o meio é amensagem” e do surgimento dos modernos meios de comunicação de
massa, o trabalho ganhou uma concepção mais ampla, e a centralidadedo trabalho como categoria sociológica chave passou a ser questionada.Na escola de Frankfurt, Habermas é considerado como o principalsucessor e herdeiro, e como objetivo de dar substância nova a crítica damodernização capitalista alia a uma visão sociológica do trabalho a umavisão crítica da linguagem e da comunicação.Ampliando assim as investigações no plano do mundo da vidasocial e cultural, Horkheimer, Adorno e outros frankfurtianos, apresentamuma teoria de sociedade ainda que fundamentalmente materialista,mostrando valores morais e universais como a redenção do homem e danatureza, assim como sua reconciliação com ambos.Num sentido contrário, mas extremamente presente em nossa cultura,devido a divisão entre objetividade e subjetividade, está a afirmação deAristóteles que trabalho é contra todas as formas de vida livre, escreve naPolítica: "conseqüentemente, é claro que no estado conduzido do melhormodo, formado por homens absolutamente justos e não sob umadeterminada relação, os cidadãos não devem levar a vida de mecânico ou
de mercante”, ainda que ele considerasse “exaltar a inércia mais do que a
 
1
 
Frase cunhada por  Quentin Fiore, McLuhan em 1967 numa obra com o título, The Medium is the Message:An Inventory of Effects, Harmondsworh: Penguin.
 
 
 
 
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ação não corresponde à verdade, p
orque a felicidade é atividade”, mas a
atividade aquí não é trabalho. 
2. A linguagem e a subjetividade no trabalho moderno 
 Como o primeiro humano criou o seu primeiro instrumento detrabalho, talvez um graveto para alcançar um fruto muito alto, ou paraatingir determinado animal, na verdade não importa muito, mas é com ouso do fogo como um elemento transformador do alimento que o homemintroduz a subjetividade no trabalho e na sua sobrevivência, para oaquecimento certamente de um grupo e para a transformação dealimentos transformando-o em novo alimento.É muito provável que a escrita surgiu nesta fase, ainda que seja naforma de pinturas rupestres, o desenho de animais indicando algumaforma de pecuária é uma pintura mais comum encontrada nesta fase,também é provável que os chifres foram um dos primeiros instrumentosde trabalho do homem.Entre outros, este foi o elemento acelerador da formação dacomunidade e de transformação da simples coleta do alimento nanatureza, que por isto era naturalmente nômade, para a formação decomunidades sedentárias com o início de cultivo, é notável perceber ainfluencia dos rios na formação das primeiras grandes civilizações doocidente, a Mesopotâmia entre os rios Tigre e Eufrates, e a egípcia aolongo do rio Nilo, indicando uma agricultura nascente.O desenvolvimento da escrita, os primeiros códigos surgem nesteperíodo, onde escribas vão ocupar papel de destaque nas cortes, dandoum impulso no desenvolvimento da subjetividade humana.Este período se caracterizará também por um período de luta entreos povos, e embora o trabalho artesanal já fizesse parte destes povos,será fundamentalmente no trabalho escravo dos povos vencidos embatalhas, que será feito grande parte do desenvolvimento indo desde asgrandes obras até afazeres domésticos.  A tradição lingüística desteperíodo é fortemente oral,  ou seja, fundamentada nos ensinamentos
passados às pessoas de forma “falada”, pois os escritos em papirus eram
custosos e muitas vezes estes eram lavados destruindo as informaçõesali contidas, para escrita de outras.A concepção socrática de trabalho, ao contrário de Platão eAristóteles, é inerente ao homem e a todo homem, assim é atribuída a elea frase:
“A ociosidade é que envelhece, não o trabalho” 
 
Os trabalhos eram feitos pelos por escravos enquanto que a
reflexão, o ensino e é claro, o poder, pertenciam aos “homens livres”,
senhores abastados e influentes na sociedade que dominavam os povosem batalhas, e podiam então desenvolver a subjetividade, mesmo asociedade grega extremamente culta é este todo o fundamento de suaestrutura social, a chamada aristocracia, mas é também aí a origem dadivisão entre trabalho objetivo, braçal e bruto para o trabalho subjetivodesenvolvido na cultura e no pensamento, tanto no Liceu platônico comona Academia aristotélica, e ainda que deformada, será esta a cultura doimpério romano na alta idade média.
 
 
 
3
Para isto é importante entender a origem etimológica da palavra,compreender que coisa é o trabalho e seu desenvolvimento.
Em latim „laborare‟ (trabalhar) significa cansar 
-se, sofrer. E assim ofrancês
travail
, ou o espanhol trabajo, derivam do latim
tripalium
, queera um instrumento de tortura
. „Arbeit‟ em alemão indica o trabalho que
desenvolve o órfão, por não haver ninguém que cuide dele. Pela suaorigem etimológica a palavra trabalho tem a idéia de um destino socialinfeliz, uma atividade com a qual se perde a liberdade, com a qual, dequalquer forma, torna-se escravo de qualquer outro. A generalização dotrabalho a todos os membros da sociedade não é, portanto, nada maisque a generalização da dependência servil, vista agora não comonegativa, mas serviço a todos, assim este trabalho traz algo novo, porque
feito “ao outro”.
 Porém as formas de trabalho escravo não serão ainda estintas.
3. Subjetividade do trabalho e a idade média 
 Será estoicismo que mais influenciará o pensamento no período doimpério romano, fundado por Zenão de Cício (336 a.C.- 264 a.C.); seusdiscípulos foram chamados de estóicos, por causa do lugar onde sereuniam no pórtico de Poikile, (stoa = pórtico), podendo se destacar noperíodo seguinte: Panécio de Rodes (180 a.C. - 110 a.C.) e Possidônio(135 a.C. - 51a.C.) e num último período Sêneca (nascido no início da eracristã e morto em 65), Epicteto (50 - 125 ou 130) e Marco Aurélio (121 -180, imperador em 161).Também fundamentada no trabalho escravo, cresce nestepensamento o subjetivismo, influenciando através de Plotino, umneoplatônico que também influenciaou o pensamento do recémconvertido  Agostinho de Hipona, disse usando Plotino, que o mal éausência do bem, e isto o tira do pensamento maniqueísta, onde bem emal são opostos iguais e necessários, isto muda a visão do trabalho.Agostinho numa etapa intermediária de seu pensamento, escreveem Confissões (397-398) que é uma primeira etapa, formulada de seupensamento na Cidade de Deus (e dos Homens) (413-426) aonde aindahá certa dicotomia, e mais tarde na maturidade escreverá Da Trindade(400-416), e nestes escritos escreve também sobre os trabalhos dosmonges, e ainda que tenha fundado seu próprio monastério, a vidamonástica se desenvolve com São Bento.São Bento isola-se numa gruta na localidade de Subiaco antes deiniciar a criação de seus monastérios que terão grandes influencias nacultura através dos copistas, das primeiras escolas de alfabetisação e deonde surgiram as primeiras universidades, formula sua clássica regra: oraet labora, oração e trabalho, mas o trabalho era bem mais árduo do quese pode pensar, e entre trabalhos pesados como a irrigação de campos ea pecuária, desenvolvem-se as traduções, as cópias de livros e osescritos que mais tarde forjarão as universidades.Não por acaso os  beneditino se desenvolveram na cultura e nasartes, pois está presente a subjetividade, é a primeira vez na história dahumanidade em que o trabalho é abençoado colocado como fundamentode uma cultura e influenciou profundamente o ocidente, ali foram criadasas primeiras escolas, os métodos de conserva na culinária e o artesanato.

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