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E-book: BARROS, D.M.V. et al. (2011)
Educação e tecnologías: reflexão, inovação e práticas 
. Lisboa:
[s.n.]
 ISBN: 978-989-20-2329-8
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Integração das tecnologias digitais ao currículo escolar: consideraçõespara repensar a prática pedagógica
Profa. Dra. Thaís Cristina Rodrigues TezaniUNESP- Bauru- Brasilthaistezani@yahoo.com.br
Introdução
Nossa proposta é discutir questões relacionadas ao desenvolvimentodas práticas pedagógicas curriculares com a integração das tecnologiasdigitais, ou seja, das mídias, dos recursos disponíveis na web (blog, sites, sitesinformativos e interativos, chats, salas de aulas virtuais realidade aumentada),possibilitando assim articulação com o processo de ensino e aprendizagem.Gostaríamos de trazer para o debate essa nova forma de aprender,ensinar e produzir conhecimentos, por meio de novos elementos digitais,apresentando algumas possibilidades e limites impostos pelo currículo escolaratual e pela prática pedagógica docente. Acreditamos que a integração dastecnologias digitais no currículo escolar possibilita repensar a práticapedagógica e refleti sobre essa integração, fomentando o desenvolvimento deconcepções inovadoras.Inicialmente, abordaremos alguns itens relativos às questõescurriculares como definição de currículo e etapas pelas quais este perpassa nocotidiano escolar, depois enfatizaremos a questão dos processos de ensino eaprendizagem permeados pelo uso das tecnologias digitais e, para finalizar,discutiremos a integração dessas tecnologias no currículo escolar, comopossibilidade de se buscar bom êxito no processo de ensino e aprendizagem.
Reflexões iniciais sobre as questões curriculares
Sobre o currículo incidem as decisões sobre os mínimosa que se deve ater a política da administração num dadomomento, os sistemas de exame e controle para passara níveis superiores de educação, assessores e técnicosdiversos, a estrutura do saber de acordo com os gruposde especialistas dominantes num dado momento,
 
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elaboradores de materiais, seus fabricantes, editores deguias de livros-texto, equipes de professores organizadosetc (SACRISTÁN, 2000, p. 101).Queremos aqui levantar algumas considerações acerca das concepçõescurriculares, relacionando-as a sua prática dentro da escola, enfocando suarealidade, seus sujeitos, suas complexidades e suas rotinas. Somente assim,poderemos indagar criticamente as condições concretas nas quais a práticapedagógica se realiza.A escola é espaço e ambiente educativos que proporcionam a ampliaçãoda aprendizagem humana. É lugar de construção de conhecimentos, deconvívio social e de constituição da cidadania, o que nos leva a considerar ocampo do currículo envolvido por múltiplos agentes com compreensõesdiversas, peculiaridades e singularidades.Indagar questões curriculares nas escolas e na teoria pedagógicademonstra consciência de que currículos não são conjuntos de conteúdosprontos e acabados a serem transmitidos aos alunos. Currículo é construção,seleção de conhecimentos e práticas produzidas em contextos concretos e emdinâmicas políticas, sociais, intelectuais, culturais e pedagógicas.Quando nos propomos a repensar questões curriculares e suasinterfaces com as práticas pedagógicas, estamos buscando possibilidadesmais eficazes e garantia de direito à educação com qualidade e eficiênciapedagógica para todos e, neste texto, enfocamos, no currículo escolar, aintegração das tecnologias digitais.Sabemos que os problemas curriculares são apontados por algunsautores (FEATHERSTONE, 1997; SILVA, 2000), e estes indicam anecessidade de se compreenderem os aspectos políticos, administrativos, deprodução de materiais institucionais, pedagógicos, entre outros, a fim de que seconheçam as práticas pedagógicas cotidianas. Assim, para refletirmos sobreeste fato, há necessidade de olharmos para sua construção interna, que ocorreno desenvolvimento das práticas escolares, pois, atualmente, o quevisualizamos em educação é que as decisões não se produzem linearmenteconectadas com a prática educativa.
 
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Alves et. al. (2002, p. 12) aponta que inúmeras e sucessivas reformaseducacionais não alcançam sucesso por serem criadas sem considerar oslocais e os tempos nos quais serão implementadas. Além disso,desconsideram a experiência dos atuantes no cotidiano escolar. Para a autora,
“se efetivamente desejamos mudar, faz
-se indispensável estabelecer um
diálogo fértil e também crítico com o que convencionamos chamar de prática”.
 Mas, o que é currículo e qual o seu significado para a práticapedagógica?
Moreira e Candau (2008, p. 17) afirmam que à “palavra currículo
associam-se distintas concepções que derivam dos diversos modos de como aeducação é concebida historicamente, bem como das influências teóricas que
a afetam e se fazem hegemônicas em um dado momento”. Sendo assim,
fatores sócio-econômicos, políticos e culturais proporcionam o entendimento dapalavra, em alguns casos, como: lista de conteúdos a serem ensinados aosalunos; experiências de aprendizagem escolares; planos pedagógicoselaborados por professores, escolas e sistemas educacionais; objetivos aserem alcançados; processos de avaliação, entre outros.Alguns alegam que o currículo como imposto pela administração centraldo sistema, cujo plano de estudos é relacionar objetivos, conteúdos ehabilidades (FEATHERSTONE, 1997).Entretanto, diante de tanta controvérsia sobre o tema, qual seria amelhor definição de currículo?Acreditamos que o currículo está relacionado à concepçãoepistemológica do processo educativo. Sendo assim:Concebemos o conhecimento escolar como umaconstrução específica da esfera educativa, não comouma mera simplificação de conhecimentos produzidosfora da escola. Consideramos, ainda, que oconhecimento escolar tem características próprias que odistinguem de outras formas de conhecimento. Ou seja,vemos o conhecimento escolar como um tipo deconhecimento produzido pelo sistema escolar e pelocontexto social e econômico mais amplo, produção essaque se dá em meio a relações de poder estabelecidas noaparelho escolar e entre esse aparelho e a sociedade. Ocurrículo, nessa perspectiva, constitui um dispositivo em
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