para os modernos campeões dessa religião do sensualismo
par excellence
, o Catolicismo romano, elesdeveriam destruir as suas igrejas mais antigas e modificar a forma da cúpula de seus próprios templos. OMahâ-Deva de Elefanta, a Torre Redonda de Bhagalpur, os minaretes do Islão - redondos ou pontudos - sãoos modelos originais do
Campanile
de São Marcos, em Veneza, da Catedral de Rochester, e do modernoDuomo de Milão. Todos esses campanários, torrinhas, zimbórios e templos cristãos reproduzem a idéiaprimitiva do
lithos
, o falo ereto. "A torre ocidental da Catedral de São Paulo, em Londres", diz o autor de
TheRosicrucians
, "é um dos dois
litóides
que sempre se encontram na frente de todos os templos, sejam cristãosou pagãos. Além disso, em todas as igrejas cristã, “particularmente nas igrejas protestantes, onde figuram demodo mais conspícuo, as duas tábuas de pedra da Providência Mosaica são colocadas sobre o altar, dispostaem díptico, como uma única pedra, cuja parte superior é arredondada. (...) A da direita é
masculina
, a daesquerda,
feminina
”. Portanto, nem os católicos, nem os protestantes têm o direito de falar das “formasindecentes” dos monumentos pagãos, visto que eles ornamentam as suas próprias igrejas com seus símbolosdo
linga
e do
yoni
, e até mesmo escrevem das leis de seu Deus sobre eles.Outro detalhe que não hora de forma particular o clero cristão poderia ser traduzido pela Inquisição.As torrentes de sangue humano derramados por essa instituição
cristã
e o número de seus sacrifícios humanosnão têm paralelo nos anais do Paganismo.A Ísis egípcia era representada como uma Virgem Mãe por seus devotos, e segurando o seu filho,Hórus, nos braços. Em algumas estátuas e baixos-relevos, quando aparece só, ela está completamente nua ouvelada da cabeça aos pés, Mas nos mistérios, em comum como quase todas as outras deusas, ela figurainteiramente velada da cabeça aos pés, como símbolo da castidade materna. Nada perderíamos seemprestássemos dos antigos um pouco do sentimento poético de suas religiões e da inata veneração que elestinham por
seus
símbolos.Não é injusto dizer que o último dos
verdadeiros
cristãos morreu com o último dos apóstolos diretos.Max Müller pergunta convincentemente: "Como pode um missionário em tais circunstância fazer à surpresa eàs perguntas de seus alunos, a não ser que se refira à semente e lhes diga o que o Cristianismo pretendeu ser?A menos que lhes mostre que, como todas as outras religiões, o Cristianismo também tem a sua história; que oCristianismo do século XIX não é o Cristianismo da Idade Média, e que o Cristianismo da Idade Média nãoera o dos primeiros Concílios; que o Cristianismo dos primeiros Concílios não era o dos apóstolos, e que só oque foi dito por Jesus foi verdadeiramente bem dito?Podemos assim inferir que a única diferença característica entre o Cristianismo moderno e as antigasfés pagãs é a crença do primeiro num demônio pessoal e no inferno. "As nações arianas não tinham nenhumdemônio", diz Max Müller. "Platão, embora de caráter sombrio, era um personagem respeitabilíssimo; e Loki(o escandinavo), embora uma pessoa maligna, não era um diabo. A deusa alemã Hel, como Proserpina,também havia conhecido dias melhores. Assim, quando aos alemães se falava na idéia de um semítico Seth,Satã ou Diabolus semita, não se lhes infundia temor algum".Pode-se dizer o mesmo do inferno. O Hades era um lugar muito diferente de nossa região eterna, epoderíamos qualificá-lo antes como um estágio intermediário de purificação. Também não o é o Amentiegípcio, a região de julgamento e purificação; nem o Adhera - o abismo de trevas dos hindus, pois mesmo osanjos caídos que nele foram precipitados por Shiva são autorizados por Parabrahman a considerá-lo como umestágio intermediário, no qual uma oportunidade lhes é concedida para se prepararem para graus maiselevados de purificação e redenção de seu miserável estado. O Gehenna do
Novo Testamento
era umalocalidade situada fora dos muros de Jerusalém; e, ao mencioná-lo, Jesus empregava apenas uma metáforacomum. Donde então provêm o triste dogma do inferno, essa alavanca de Arquimedes da Teologia cristã, coma qual se conseguiu subjugar milhões e milhões de cristãos por dezenove séculos? Seguramente não dasEscrituras judaicas, e aqui chamamos em testemunho qualquer erudito hebreu bem-informado.A única menção, na
Bíblia
, a algo que se aproxima do inferno é o
Gehenna
ou Hinnom, um valepróximo a Jerusalém, onde se situava
Tophet
, local em que se mantinha perpetuamente acesa uma fogueiraqueimando os detritos para fins de higiene. O profeta Jeremias informa-nos que os israelitas costumavamsacrificar suas crianças a Maloch-Hércules nessa região; e mais tarde descobrimos os cristãos substituindocalmamente essa divindade por seu deus do
perdão
, cuja ira não pode ser aplacada, a não ser que a Igreja lhesacrifique suas crianças não batizadas e os seus filhos mortos em pecado no altar da "danação eterna"!Como chegaram os padres a conhecer tão bem as condições do inferno, a ponto de dividir as suastormentas em duas categorias, a
poena danni
e a
poena sensus
, sendo a primeira a privação da visão beatífica;a segunda, as penas
eternas num lago de fogo e enxofre
? Se eles responderem que foi através do
Apocalipse
(XX, 10), "E o
demônio
que os seduzira foi arrojado no lago de fogo e enxofre, onde já se achavam a
besta
eo falso profeta que serão atordoados para todo o sempre", estamos preparados para demonstrar de onde o