A origem dos amuletos católicos romanos e das "relíquias" abençoadas pelo Papa é a mesma do"Conjuro Efésio", ou caracteres mágicos gravados numa pedra ou desenhados sobre um pedaço depergaminho, dos amuletos judaicos com versículos da Lei, chamados
phylacteria
, e dos encantamentosmaometanos com versos do
Corão
. Todos eles usados como conjuros mágicos protetores e utilizados por todos os crentes. Epifânio, o digno ex-marcosiano, que fala desses encantamentos - quando eram usados pelosmaniqueus como amuletos, isto é, coisas colocadas ao redor do pescoço (
periapta
) - e dessas "encantações e
trapaças semelhantes
", não pode lançar uma nódoa sobre a "
trapaça
" dos cristãos e dos gnósticos sem incluir aí os amuletos católicos romanos e papais.Devemos um capítulo aos jesuítas neste capítulo sobre as sociedades secretas, pois mais do quequalquer outra, eles são um corpo secreto e têm uma velha ligação mais estreita com a Maçonaria atual - naFrança e na Alemanha pelo menos - do que as pessoas geralmente sabem. O clamor de uma moralidadepública ultrajada ergueu-se contra essa Ordem desde o seu nascimento. Apenas quinze anos haviam passadodesde a bula [papal] que promulgara a sua constituição, quando os seus membros começaram a ser transferidos de um lugar para outro. Portugal e os Países-Baixos desfizeram-se deles em 1578; a França em1594; Veneza em 1606; Nápoles em 1622. De São Petersburgo, eles foram expulsos em 1816, e, de toda aRússia, em 1820.Os jesuítas causaram mais danos morais neste mundo do que todos os exércitos infernais do míticoSatã. Toda extravagância dessa observação desaparecerá quando os nossos leitores da América, que sabempouco sobre eles, forem inteirados dos seus princípios
(principia)
e regras que constam de várias obrasescritas pelos próprios jesuítas. Pedimos licença para lembrar ao público que cada uma das afirmações foramextraídas de manuscritos autênticos ou fólios impressos por esse distinto corpo. Muitas delas foram copiadasde um grande Quarto publicado, verificado e coligido pelos Comissários do Parlamento Francês. Asafirmações ali reunidas foram apresentadas ao Rei a fim de que, como enuncia o
Arrest du Parlement du 5Mars 1762,
“o filho mais velho da Igreja fosse conscientizado da perversidade dessa doutrina. (...) Umadoutrina que autoriza o Roubo, a Mentira, o Perjúrio, a Impureza, toda Paixão e Crime, que ensina oHomicídio, o Parricídio e o Regicídio, destruindo a religião a fim de substituí-la pela superstição, favorecendoa
Feitiçaria
, a Blasfêmia, a Irreligião e a Idolatria (...), etc.” Examinemos as idéias dos jesuítas sobre a
magia
.Escrevendo a esse respeito em suas instruções secretas, Antonio Escobar diz:“É lícito (...) fazer uso da ciência adquirida
por meio do auxílio do diabo,
desde que seja preservadae não utilizada em proveito do diabo, pois
o conhecimento é bom em si mesmo e o pecado de adquiri-lo foieliminado”.
Portanto, por que um jesuíta não enganaria o Diabo, já que engana tão bem os leigos?
“Os astrólogos e os adivinhos estão ou não obrigados a restituir o prêmio de sua adivinhação,quando o evento não se realizar?
Eu reconheço” - observa o
bom
Padre Escobar - “que a primeira opinião nãoagrada de maneira alguma, porque, quando o astrólogo ou adivinho exerceu toda diligência
na arte diabólica
que é essencial a seu propósito, ele cumpriu a sua tarefa, seja qual for o resultado. Assim como o médico (...)não é obrigado a restituir os honorários (...) se o paciente morrer, tampouco o astrólogo deve devolver os seus(...) exceto quando ele não se esforçou ou ignora sua arte diabólica, porque, quando ele se empenha, ele nãofalha”.Essa nobre fraternidade, à qual muitos pregadores têm negado veementemente o fato de ser
secreta
,tem provado sê-lo. Suas constituições foram traduzidas, para o latim pelo jesuíta Polanco e impressas, noColégio da Companhia, em Roma, em 1558. “Elas foram zelosamente mantidas em segredo e a maior partedos próprios jesuítas só conhecia extratos delas.
Elas nunca foram reveladas antes de 1761, quandopublicadas pelo Parlamento Francês
[em 1761, 1762], no famoso processo do Padre La Valette”. Os graus daOrdem são: I. Noviços; II. Irmãos Leigos ou Coadjuvantes temporais; III. Escolásticos; IV. Coadjuvantesespirituais; V. Professos de Três Votos; VI. Professos de Cinco Votos. “Há também uma classe secreta,conhecida apenas do Geral e de alguns poucos jesuítas fieis, que, talvez mais do que qualquer outra, tenhacontribuído para o poder terrível e misterioso da Ordem”, diz Nicolini. Os jesuítas reconhecem, dentre asmaiores consecuções de sua Ordem, o fato de Loiola ter conseguido, por um memorial especial do Papa, umapetição para a reorganização daquele instrumento abominável e repugnante de carnificina por atacado - oinfame tribunal da Inquisição.Mas devemos ver quais são as suas regras principais. Diz MacKenzie: “A Ordem possui sinaissecretos e senhas diferentes para cada um dos graus a que os membros pertencem e, como não levamnenhuma vestimenta particular, é difícil reconhecê-los, a menos que eles próprios se revelem como membrosda Ordem; eles podem apresentar-se como protestantes ou católicos, democratas ou aristocratas, infiéis oubeatos, segundo a missão especial que lhes foi confiada. Seus espiões estão por toda parte, pertencem a todasas classes da sociedade e podem parecer cultos e sábios ou simplórios e mentecaptos, conforme mandam as