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O CENÁRIO INDÍGENA BRASILEIRO E A ATUAÇÃO EVANGÉLICA

O CENÁRIO INDÍGENA BRASILEIRO E A ATUAÇÃO EVANGÉLICA

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Sobre a atuação missionária brasileira no contexto indígena.
Sobre a atuação missionária brasileira no contexto indígena.

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O cenário indígena brasileiro e a atuação missionária evangélica
Nos últimos 500 anos o pensamento coletivo brasileiro não mudou a ponto de gerar uma diferença visível em termos deabordagem e interação com o indígena e sua sociedade. No cenário leigo o índio ainda é visto por alguns comoselvagem, por vezes como herói, ignorante ou, ainda, como representante de uma cultura superior e pura. Poucospararam para escutá-lo nos últimos cinco séculos, e havia muito a ser dito.No meio acadêmico fala-se sobre a desmistificação da identidade indígena. Creio que precisamos primeiramentedesmistificar a nós mesmos, repensar nossas expectativas em relação a essa sociedade com a qual convivemos porséculos sem compreendê-la, e passar a interpretá-la de forma igualitária na dignidade e respeitosa nas diferenças.Calcula-se que havia 1,5 milhão2 de indígenas no Brasil do século 16, os quais, irreparavelmente, somam hoje não maisde 350 mil. Infelizmente essa realidade etnofágica vai muito além das estatísticas e das palavras, pois é composta porfaces, vidas, histórias e culturas milenares, as quais têm sofrido ao longo dos séculos a devassa dos conquistadores, aforte imposição socioeconômica e perdas sociais tremendas. Permita-me redefinir os termos desta afirmação. Osconquistadores não são os outros. Somos nós. A sociedade indígena ainda vive hoje sob o perigo de extinção. Não necessariamente extinção populacional, masigualmente severa, quando se perde língua, história, cultura e direito de ser diferente e pensar diferente convivendo emum território igual. Segundo Lévy-Strauss, a perda lingüística é um dos sinais de declínio de identidade étnica e decadência de uma nação.Ao observarmos tal sinal, percebemos quão desolador é o cenário. Michael Kraus afirma que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças. 3 Isso significa que um número cada vez maior de crianças indígenasperde seu poder de comunicação a cada dia. Aryon Rodrigues estima que, na época da conquista, eram faladas 1.273 línguas,4 ou seja, perdemos 85% de nossadiversidade lingüística em 500 anos. Luciana Storto chama a atenção para o Estado de Rondônia, onde 65% das línguasestão seriamente em perigo por não serem mais aprendidas pelas crianças e por terem um ínfimo número de falantes.Precisamos perceber que a perda lingüística está associada a perdas culturais complexas, como a transmissão doconhecimento, formas artísticas, tradições orais, perspectivas ontológicas e cosmológicas. No processo de transição, quandoa língua materna cai em desuso, normalmente há o que podemos chamar de “geração perdida”: um vácuocultural atinge uma geração inteira. Ou seja, no processo de perda lingüística e migração para o português, os gruposindígenas passam por um processo de adaptação quando já não têm mais fluência na língua materna nem aprenderamo suficiente o português para uma comunicação mais profunda. Tal processo em média não dura menos que trêsdécadas. Esse é um momento de perigo, em que a identidade indígena é autoquestionada e muitos valores e,sobretudo, seu poder de comunicação e transmissão de conhecimento são perdidos. Perdem-se também os sonhos.Na tentativa de repensar a realidade de nossos irmãos indígenas é preciso filtrar a informação sobre a atuação missionáriaevangélica em relação a eles. A contribuição evangélica, na tentativa de relacionamento com a sociedade indígenanacional, teve início com a influência holandesa no século 16 e permanece hoje representada por um grande númerode organizações que tenta reduzir os prejuízos sofridos. Isso se traduz em um sem-número de biografias daqueles quederam a vida, na impossibilidade de darem mais, para minimizar alguns dos efeitos do extermínio social indígena deséculos. Dentro de um vasto universo de ações sociopolíticas percebemos que a força evangélica missionária se destacouespecialmente em três áreas: preservação lingüística (com a grafia e conseqüente preservação de diversas línguas —e muito ainda está sendo feito); educação (tanto na língua materna, com forte destaque, quanto na educação formal emprogramas governamentais); e saúde (tanto de base, nas comunidades, quanto também organizacional, em clínicas ehospitais). Permita-me pontuar: o evangelho jamais será motivo de alienação social ou imposição de credo. É, aocontrário, motivação para uma contínua tentativa de se recuperar as perdas humanas nos segmentos mais sofridos.
Ronaldo e Rossana Lidóriohttp://www.ronaldo.lidorio.com.brFornecido por Joomla!Produzido em: 22 August, 2008, 23:23

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