Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Look up keyword
Like this
23Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
ARTIGO_Um_olhar_sobre_funções_e_significados_da_educação_musical

ARTIGO_Um_olhar_sobre_funções_e_significados_da_educação_musical

Ratings: (0)|Views: 620 |Likes:
Published by Viviane Beineke
Artigo que discute funções e significado das práticas musicais no ensino de música.
Artigo que discute funções e significado das práticas musicais no ensino de música.

More info:

Categories:Types, Speeches
Published by: Viviane Beineke on Mar 05, 2011
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

04/23/2013

pdf

text

original

 
 U
M
O
LHAR SOBRE AS
F
UNÇÕES E
S
IGNIFICADOS DAS
P
RÁTICAS
M
USICAIS NA
E
SCOLA
 
Viviane Beineke*R
ESUMO
:
 
O presente artigo tem o objetivo de discutir as funções e significados daspráticas musicais na escola e na sociedade, refletindo sobre algumas relações econtradições entre o que a música representa para as pessoas no seu cotidiano e a formacomo é ensinada. Acredita-se que a partir da reflexão sobre as relações entre música -sociedade, música - escola e música - educação podem ser vislumbrados algunscaminhos para a superação de uma concepção ingênua de educação musical, rompendocom o círculo vicioso da reprodução de normas e valores vigentes.
I
NTRODUÇÃO
 
O tema funções e significados das práticas musicais nos faz pensar sobre asrelações entre música, sociedade, cultura e educação; sobre as funções que a músicadesempenha na escola e sobre as formas como ela é ensinada e aprendida. Analisando amaneira como vivenciamos a música no nosso dia-a-dia e como é tratada no meioacadêmico, podemos vislumbrar algumas contradições.Para contribuir com essa reflexão, gostaria de evocar algumas imagens bastantecomuns a todos nós: um grupo de meninas ensaiando uma coreografia no recreio daescola; o som que vem de uma garagem onde um grupo de adolescentes está tocando;uma festa, um violão e música popular brasileira; a música que toca na danceteria; amúsica da novela; o recital de piano; a música no restaurante; o coral da comunidade.Ah, e a aula de música!Qual é a imagem que nos ocorre quando falamos em “aula de música”?Provavelmente cada um de nós está evocando suas próprias experiências com o ensino
Artigo publicado na Revista PresençaPedagógica, Belo Horizonte, v. 7, 2001,p. 56-65.
 
 
2
de música, lembrando do coral da escola, do qual não pôde participar porque eradesafinado; ou lembrando que tentou tocar um instrumento musical, mas que se sentiuincapaz para isso; ou talvez lembre das aulas de teoria e história da música, da 5ªSinfonia de Beethoven. Como essas experiências se relacionam com a música da qualparticipamos todo o dia?Para compreender essas questões é necessário discutir a natureza da música, assuas funções na sociedade, na nossa vida. Como afirma Elliott (1995), a importância daEducação Musical depende do valor da música na vida humana, isto é, sem um senso danatureza e relevância da música é impossível justificar um espaço para o ensino eaprendizagem musicais em qualquer sistema educacional.Precisamos tomar consciência sobre os seus usos na escola, sobre o seusignificado para os alunos e as implicações disso para o ensino. Devemos questionarporque tantas vezes o ensino de música está tão distante da música vivida e comopodemos construir outros processos para o ensino de música na escola fundamental.
A
 
M
ÚSICA COMO
P
RÁTICA
S
OCIAL
A música, por ser altamente atrativa, pelas suas possibilidades criativas e seupotencial imitativo, é uma atividade humana celebrada em todas as culturas (Swanwick,1979). Mas, apesar de todos os significados e representações da música em nossocotidiano, ainda persiste a idéia de que seus intérpretes e compositores pertencem a umaclasse especial, a classe daqueles que possuem o dom para a música. Segundo Regelski(1995), a associação da música com origens espirituais, persiste até hoje, sendo oscompositores vistos com uma aura de genialidade inspirada pelo divino e os virtuosesrelacionados a deuses na terra. Contrariando essa idéia, o autor afirma que “nós músicosrealmente não somos diferentes dos outros mortais. Assim como qualquerconhecimento, tanto prático como teórico, a música é uma criação e prática social”(Regelski, 1995, p. 95).
 
 
3
Já o etnomusicólogo John Blacking, partindo dos seus estudos sobre a música dopovo Venda, na África, questiona o seguinte:Se,
por exemplo, todos os membros de uma sociedade africana são capazesde tocar e ouvir música de forma inteligente sua própria música, e se essamúsica não escrita, quando analisada em seu contexto social e cultural,mostra uma gama de efeitos similares sobre as pessoas, e seus processosintelectuais e musicais são encontrados na tão falada “arte” musical daEuropa, nós devemos nos perguntar porque, aparentemente, as habilidadesmusicais gerais deveriam estar restritas a alguns poucos em sociedadessupostamente mais avançadas. (...) É necessário a maioria tornar-se “não-musical” para que alguns poucos tornem-se mais “musicais”? (Blacking,1973, p. 4).
Quais são os motivos dessa distância entre os saberes dos músicos e dos nãomúsicos? Quais os critérios para que se estabeleça o que conta ou não como sabermusical? Quem define qual música é mais complexa ou mais “musical”?Analisando um livro de História da Música, o sociólogo Christopher Small(1995) pergunta: por que a maior parte dele tem tão pouca relação com a sua própriaexperiência musical como ouvinte, executante ou compositor? Por que uma práticahumana tão concreta como a música é objeto de explanações tão abstratas ecomplicadas?Segundo Small (1995, p. 2), no mundo real, onde as pessoas fazem e ouvemmúsica, o que é central na experiência musical é a
performance
, o ato de fazer música.Na visão desse autor “o ponto para se começar a pensar sobre o significado da música esua função na vida humana não é em obras musicais de uma forma geral, mas na
performance
”. Dessa perspectiva, o foco se desloca da visão de música como umconjunto de obras musicais desvinculadas do seu contexto social para a visão de comoela se insere na sociedade. Quando, por exemplo, estudamos a obra dos “grandemestres” como algo com valor em si próprio, sem considerar o seu uso e efeitos naspessoas, estamos desvinculando a música da sua prática, daquilo que ela significa paraas pessoas que dela participam.Ver a música como um objeto isolado é desconsiderar que ela é construída sociale culturalmente, envolvendo todas as pessoas que participam do evento musical. Para

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->