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Jorge Barbosa
Resumo
JBESMGA, 2010
Disciplina:
PSICOLOGIA B
Temas:
Relações Interpessoais
Assuntos:
Processos fundamentais de cogniçãosocial; Processos de influência entreindivíduos; Processos de relação entreindivíduos e grupos.
Data:
Março 2011
Este texto é um resumo. Deve ser lido com atenção. Se algum termo ou ideia se revelar incompreensível, os alunos devemrecorrer ao Manual da disciplina ou aos textos de apoio para clarificação.
Factores Fundamentais da Cognição Social
 
A cognição apresenta uma dimensão social, na medida em que um grande número de pessoas partilha umasérie considerável de noções comuns.
 
A cognição social abarca um conjunto de processosde conhecimento e relacionação com os outros, dosquais se destacam as impressões, as expectativas, asatitudes e as representações.
 
As impressões sociais são noções criadas no contactocom as pessoas, e que nos fornecem um quadrointerpretativo para julgarmos o que elas são e comose comportam.
 
As impressões sociais facilitam a categorização daspessoas, ou seja, a sua inclusão em determinadasclasses ou categorias.
 
O conhecimento das pessoas e a sua categorizaçãoorganizam-se em torno de traços centrais, queconstituem uma espécie de directriz ou padrão de caracteres que dá sentido a outros que se lhe subordinam.
 
As expectativas são atitudes psicoafectivas que, em face de certos indícios, conduzem as pessoas aantecipações de determinadas ocorrências sociais.
 
Asch refere-se ao “efeito de primazia” para designar o papel das primeiras impressões que, à semelhança dostraços centrais, condicionam as cognições posteriores.
 
As atitude são predisposições adquiridas e relativamente estáveis que levam as pessoas a reagir de modo positivoou negativo perante objectos de natureza social.
 
As atitudes resultam de uma crença ou elemento intelectual que, em conjugação com o elemento emocional,gera um elemento comportamental que consiste numa predisposição ou intenção de fazer alguma coisa.
 
Festinger designa por dissonância cognitiva a situação de inconsistência psicológica verificada nos casos em queo elemento intelectual colide com o emocional, determinando um conflito de actuação.
 
Representações sociais são formas de conhecimento de objectos e fenómenos sociais complexos, elaboradascom objectivos práticos, e que contribuem para a constituição de uma realidade comum a várias pessoas.
 
Designam-se por sociais porque são forjadas na comunicação ou interacção entre pessoas, são partilhadas por elas e são uma espécie de programa de acção para a comunidade.
 
Na base das representações sociais situam-se dois processos: a objectivação e a ancoragem.
 
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A objectivação é a forma como se organizam os elementos da representação e o percurso que efectuam atéexprimirem uma realidade pensada ou tida como real.
 
A ancoragem consiste em invocar noções conhecidas, para se compreenderem melhor certos conceitos e se agir de acordo com eles.
 
No seu conjunto, a cognição social é um processo que se organiza com a socialização, tendo como principaisagentes a família, a escola, os pares, bem como todos os demais grupos em que o indivíduo se vai integrando.
 
Os meios de comunicação social constituem-se como agentes que, pelas suas características peculiares, entramem competição com os elementos educativos na formação e mudança de atitudes.
Processos de influência entre indivíduos
 
Os principais processos de influências interpessoais são a normalização, o conformismo e a obediência.
 
Tanto a nível individual como colectivo, os seres humanos manifestam tendência para organizar os dados daexperiência segundo normas sociais existentes ou a encontrar.
 
Normas sociais são escalas de referência que definem os comportamentos e as atitudes permitidos oucondenáveis numa determinada comunidade.
 
A normalização é o estabelecimento de normas sociais com base na influência recíproca dos elementos de umgrupos social, hesitantes relativamente a modos de pensar e agir.
 
A adaptação aos outros implica uma atitude socialconformista, o que quer dizer que a adaptaçãoimplica a aceitação das normas sociais vigentes.
 
Designa-se por conformismo a tendência das pessoaspara aceitar as normas, isto é, para aproximarem assuas atitudes e condutas das dos outros elementos dogrupo.
 
O grau de conformismo de uma pessoa depende defactores como a confiança em si próprio, aunanimidade de opiniões dos elementos do grupo e ocontacto visual.
 
A obediência é a tendência das pessoas para sesubmeterem a ordens ditadas por outrem e para ascumprir.
 
Os factores que interferem na obediência podemrelacionar-se com a pessoa que dá as ordens ou comaquela que as cumpre.
 
Em relação ao ordenante, a obediência é facilitadase for uma pessoa atraente, merecer credibilidade epossuir capacidades de liderança e de autoridade.
 
O desejo de agradar e de ser aceite são factores associados às pessoas que obedecem, contribuindo paraincrementar a tendência a obedecer.
 
A autoconfiança da pessoa que obedece contribui para diminuir essa tendência.
 
A organização social assenta numa boa dose de conformismo e de obediência por parte dos seus membrosconstituintes.
 
Contudo, inconformismo e desobediência não são necessariamente negativos, sendo tidos como factores deprogresso social, quando alteram costumes sem sentido ou quando são respostas a ordens injustas e inexequíveis.
 
O inconformismo considera-se ainda de modo positivo quando se reflecte em avanço científico-tecnológico erevoluciona de modo favorável o campo das ideias e da arte.
 
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Processos de relação entre indivíduos e grupos
 
Entre indivíduos e grupos desenham-se relações sociais de atracção, agressão e intimidade.
 
A atracção entre seres humanos é um processo que implica um conjunto de sentimentos positivos, que criam odesejo de aproximação entre eles.
 
Proximidade física, afinidades pessoais e culturais,boa aparência, desejo de afiliação e reciprocidadede sentimentos são factores que facilitam aatracção interpessoal.
 
Considera-se agressão qualquer comportamentofísico ou verbal realizado por um indivíduo com aintenção de provocar sofrimento, dor ou prejuízo apessoas, a objectos ou a si mesmo.
 
Além de poder ser desencadeada por outrassituações, a agressividade tem na aprendizagemsocial, na frustração e no efeito cumulativo decontrariedades os seus principais factores.
 
A intimidade é um estado de proximidadeemocional entre pessoas caracterizado por umacomunicação estabelecida com autenticidade esem qualquer intenção de manipular.
 
O amor é o caso de intimidade por excelência,podendo revestir-se de vários cambiantes: maternal,paternal, filial, fraternal, romântico, apaixonado,amistoso, amor ao próximo, etc.
 
Para além da afeição e do respeito, características próprias do gostar, o amor exige vinculação ou apego aooutro, preocupação e responsabilização por ele e ainda intimidade ou comunicação profunda e empática.
 
Kelley considera haver três tipos de amor: o passional, caracterizado pela necessidade do outro; o pragmático,pela confiança e tolerância; o altruísta, pela preocupação e cuidado.
 
Sternberg apresenta uma classificação de modelos de amor mais alargada, dependendo cada um deles dapresença ou ausência dos factores intimidade, paixão e compromisso.
 
Na relação entre indivíduos e grupos são vulgares os estereótipos, resultantes da categorização social, ospreconceitos, derivados da visão estereotipada da sociedade, e ainda os fenómenos de discriminação,manifestações visíveis dos preconceitos.
 
Os estereótipos são crenças rígidas e simplificadas acerca de pessoas ou de grupos, resultantes de umageneralização abusiva e muitas vezes inexacta e resistente a nova informação.
 
Os estereótipos fixam-se e mantêm-se nos grupos, dado serem “verdades” facilmente corroboradas, possuíremelevado poder cognitivo e preditivo e serem uma espécie de hábitos sociais na coesão do grupo e na integraçãodos indivíduos.
 
Preconceitos são atitudes favoráveis ou desfavoráveis em relação a uma pessoa, atribuindo-lhe caracteres dogrupo a que pertence, mas sem que se tenha informação suficiente a seu respeito.
 
Os preconceitos encontram-se normalmente carregados de hostilidade, que na prática se traduz em atitudesdiscriminatórias lançadas contra minorias, geradoras de instabilidade e de conflitos sociais.
 
Sherif considera que a origem dos conflitos sociais reside no antagonismo de interesses, hipótese bastanteplausível, em virtude de albergar outros conceitos, como os de privação, frustração, preconceito ou “bodeexpiatório”.
 
Os conflitos sociais não manifestam apenas aspectos negativos, podendo ser considerados como uma forma dedemarcar com nitidez as fronteiras grupais e de manter e reforçar a identidade dos grupos envolvidos.
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