infinitos obstáculos, transborda pelo mundo e, de puro sistema de conceitos, está setransformando em vida. O milagre, predito com exatidão, ainda que proibido, torna-serealidade: o milagre consiste em que um homem sozinho, pobre, cruciado de dores,votado à renúncia e esmagado sob o peso de um árduo trabalho, consiga sobrepujar tudo isso e lançar uma idéia ao mundo. É que, em geral, onde existe o que,hiimanamente, por inexplicável, se chama milagre, está Deus e, onde Deus está é possível chegar-se até aos fundamentos. Há quarenta anos luto com esta certeza e osfatos de cada dia mais a confirmam. Em breve surgirão os volumes undécimo eduodécimo; - aqui já estão lançadas as suas bases . Desta maneira, uma obracompletar-se-á pela trabalho penoso e íntimo de um homem, a fim de que o mundopossa. afinal, enxergar claro todos os problemas e, assim ser levado, unicamente pelavia da razão e do utilitarismo, a uma vida mais honesta e justa e a fim de que a fé sejademonstrada, fazendo-se a paz entre idéias e homens.Quis, por isso, interrogar, por meio de recente contato direto, os povos maisjovens das Américas; encontrei-os preparados para compreender melhor as nossasidéias do futuro do que a velha Europa. E, graças a isso, agora tampouco devemospreocupar-nos se a difusão destas idéias se faz aqui com mais lentidão e se as ediçõesem italiano se vão tornando cada vez mais lentas, em face das dificuldades semprecrescente do ambiente. Essas dificuldades locais não mais conseguirão conter adivulgação da Obra que se desenvolve no mundo. O importante é que tudo seja logoescrito e publicado, não importa onde. Outras gerações, depois, após outras provas,virão e compreenderão.Na sua última missiva, na primavera de 1951, Albert Einstein assim me escreviade Princeton. N. J., a propósito do oitavo volume da Obra Problemas do Futuro – quemais dizia respeito a sua especialidade:
I have studied part of your book and haveadmired the force of the language and the vast extension of your interest...” (“Estudeiparte do seu livro e admirei a força de expressão e a vasta extensão de seusobjetivos....”)
. Mas o presente volume está construído em outro terreno, a que podemoschamar teológico, além da ciência atual. Por isso é mais vasto do que o primeiro livro –
A Grande Síntese
– que ele encerra, como um seu momento, desenvolvendo-se em umcampo que a visão de
A Grande Síntese
encarando apenas o nosso universo atual, nãopodia atingir. Com o presente volume pode dizer-se estar exaurido o ciclo dos grandesconceitos básicos, atingindo-se a solução dos máximos problemas. Possivelmente depoisdeste esforço de racionalismo cerrado, o undécimo volume, por compensação, deveráassumir característica oposta, ou seja de vitória da vida no espírito."Através da vida tenha caminhado, caindo e levantando. Através dos meusescritas tenho caminhado por uma longa senda de fadiga e de fé. Quantas etapassuperei! O meu pensamento desenvolveu-se através de inúmeras conceitos e a minhapaixão amadureceu de tanto sofrer. Ao fim de tanta ansiedade de alma e de coração,não restará mais que uma palavra, a última de tantas que foram ditas: Cristo. Sobreesta palavra, que é a síntese suprema da conhecimento e do amor, eu me reclinarei satisfeito e feliz, para morrer. Satisfeita como quem, superando todas as ilusões.humanas, reencontrou a verdade absoluta. Feliz como quem, vencendo todas as doreshumanas, reencontrou a sua suprema alegria". (Do quarta volume:
Ascese Mística
-1939).Aventurar-se em um terreno teológico poderá parecer excessiva audácia. Mas,eu hão pude escolher o tema das visões, que apenas registrei. Ademais, era necessárioresolver tudo, também os problemas últimos, a fim de que o sistema se completasse.Afinal, por que o teológico deve ser um terreno proibido? Por que a indagação devefurtar-se aos cimos máximos e impor-se eternamente o mistério? Por que relegar aomuseu das coisas mortas certas problemas, apenas porque hoje se acredita na ciênciaque sabe fazer descobertas úteis e não é capaz de formular tais questões? Deveremos,então, cancelá-las de nossa mente? A pesquisa da verdade, feita com sinceridade, comfé e com respeito, não tem sentido de culpa. Possuímos inteligência para usá-la eesforçamo-nos honestamente para compreender, até ande for possível, tem mais valor do que a dormência passiva da crença. Além do mais, se o mundo e as religiõesprogrediram, isto se deve à paixão de conhecimento que almas sedentas e isoladascultivaram com o próprio risco e grande tormento.