Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
3Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
vagueza e ambiguidade

vagueza e ambiguidade

Ratings: (0)|Views: 575 |Likes:
Published by everaldoleal7747

More info:

Published by: everaldoleal7747 on Mar 26, 2011
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOCX, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

02/04/2013

pdf

text

original

 
1
A
CLAREZA DA LEI
 
Maria
A
riadna
 
da
Roch
a
R
ibeir 
o D
antas
 
Advogada
 
Licenciada em Pedagogia
 Especializada
em Direito Constitucional pela UNISUL ± Universidade do Sul de Santa Catarina
 
Sumário
:
 
I ± Int
rodução
:
 
apresentação e delimitação do tema
.
 
II ± Desenv
ol
v
im
ent
o
:
1
.
ALinguagem
:
 
conceito, dimensões e problemas, sua vagueza e ambiguidade.
2.
AInterpretação
:
 
abordagem jurídica, conceituação e espécies; a hermenêutica e suas escolas naesfera da ciência e filosofia do Direito.
3
.
A Clareza da Lei
:
 
as dificuldades do legislador e outrosóbices à perfeita compreensão das normas; métodos, processos ou momentos interpretativos;necessidade de sua utilização combinada.
III ± C
o
nc
lu
s
ão
:
 
a necessidade de contornar os óbicesrelativos à clareza da lei através de uma aplicação vivencial do Direito.
B
ibliografia
.
 
I ± INTRODUÇÃO
 Esta pequena abordagem sobre a clareza da lei não pretende esgotar todo o assunto relacionadocom tão vasto e profundo tema
.
Apenas, traçar algumas considerações gerais sobre os problemasque, de uma ou de outra maneira, interferem na compreensão dela
.
 Diante dessa pretensão, alguns aspectos que norteiam a linguagem, a interpretação, o social, ohistórico e o econômico, necessitarão ser analisados para fundamentar o tema escolhido ² aclareza da lei
.
 É ao que nos propomos
.
 
II ± DE
S
ENVOLVIMENTO
 1
.
A LINGUAGEMNeste item nossa atenção voltar-se-á ao conceito, dimensões e problemas da linguagem
.
 A linguagem é um conjunto articulado de signos, que tem como função transmitir umainformação, ou ainda, mais poeticamente falando, a linguagem é uma forma de vida
.
 Mas a transmissão de uma informação, função primordial da linguagem, enfrenta problemas deordem estrutural que irão gerar conflitos de interpretação
.
 As palavras possuem vários significados, que são determinados pelos costumes da comunidade,que pode até falar o mesmo idioma, mas dá significados diferentes a determinados termos
.
EmPortugal, a palavra rapariga serve para designar a pessoa jovem do sexo feminino, mas no nossopaís, a mesma palavra significa meretriz, mulher de ³vida fácil´
.
 Mesmo dentro de uma comunidade, por mais embrionária que seja, o significado das palavrasdepende de todo um sistema intercalado, que vai de alguma maneira interferir no contexto
.
A
 
2
 palavra manga tanto pode servir para designar uma fruta, uma parte de um vestuário como aterceira pessoa do verbo mangar ± é o que chamamos ambiguidade
.
 Quando utilizamos uma linguagem técnica, além dos vícios da linguagem natural ² da qual alinguagem técnica faz parte ², ainda acrescentamos outras inúmeras controvérsias
.
E éexatamente esta linguagem que o legislador utiliza para formular as leis
.
 Além do mais, não podemos esquecer que a linguagem pressupõe pelo menos dois indivíduos,que por sua vez podem ou não entender os vocábulos empregados dentro de uma linguagemtécnica
.
 Só para exemplificar um pouco, e até descontrair, vale neste momento relatar um caso ocorridoaqui em Natal, na Justiça do Trabalho
.
 Um reclamante, depois de ir inúmeras vezes a uma determinada Junta do interior, para ter notícias do seu processo, e receber sempre a mesma informação ² ³está concluso´ ², resolveuque só sairia da Junta quando deixassem ele falar ³com Cluso´
.
Ou seja, para aquele homemcomum, que desconhecia o vocábulo técnico concluso (processo com condição de ser analisadopelo juiz), o termo soava como duas palavras distintas que para ele significava que o processoestava com uma pessoa de nome Cluso
.
Diante do exemplo, verídico, fica confirmado que não étarefa fácil a transmissão clara das mensagens, ainda mais as técnico-jurídicas, o que faz avultar asuperação do postulado medieval ³
In claris cessat interpretatio´
, ressuscitado pela Escola daExegesse, e a relevância da interpretação
.
 Antes de entrar na segunda parte do desenvolvimento (a interpretação), é forçoso concluir que amaioria dos símbolos da linguagem é semanticamente vaga e ambígua, embaraçando a transmissãoclara das mensagens
.
 
2.
A INTERPRETAÇÃOJá havendo analisado, embora que sucintamente, a linguagem e seus problemas, passamos aapreciar a questão interpretativa, sob o ponto de vista mais especificamente jurídicoInterpretar é determinar ou redefinir o significado das palavras
.
A redefinição pode ser denotativa (pela extensão), para controlar a vagueza, ou conotativa (pela compreensão ouintenção), para controlar a ambiguidade
.
Se a palavra ou expressão tem um conceito ambíguo,como ³mulher honesta´ admitindo várias acepções, a interpretação histórica e sociológica cuidaráde descrever, conforme as circunstâncias atuais e presentes no meio em que o termo é empregado,as qualidades de comportamento de uma mulher, que caracterizem sua honestidade
.
Teremos entãouma definição conotativa
.
Mas se, por outro lado, temos uma palavra vaga, como ³emoção´,devemos, em princípio, interpretá-la de maneira extensiva
.
 Contudo, não podemos falar em interpretação sem antes conceituar o termo hermenêutica
.
Apalavra provém do grego
hermeneúein
, que deriva de Hermes, deus da mitologia grega,
 
3considerado o intérprete da vontade divina, porque era o deus mensageiro
.
É o procedimentoatravés do qual se interpreta alguma coisa, é a arte de traduzir e explicar 
.
 O mais remoto emprego do vocábulo hermenêutica encontramos no ³
ORGANON´
deAristóteles
.
 A partir do século XVI, quando se intensificou o interesse pela interpretação das SagradasEscrituras, é que a hermenêutica ganhou grande prestígio
.
 A hermenêutica afirma-se como disciplina filosófica em 1756, ano em que
Ge
org
F
ri
e
dri
chM
ai
e
r
 
escreve uma obra defendendo sua importância no campo da especulação
.
 Para o filósofo
M
ar
t
i
n He
id
e
gg
e
r
, a hermenêutica é sempre uma compreensão de sentido
:
 buscar o ser que me fala e o mundo a partir do qual ele me fala; descobrir atrás da linguagem osentido radical (de raiz), ou seja, o discurso
.
 A expressão hermenêutica jurídica é usada com diferentes extensões, ou acepções, pelos autores
.
 Com frequência, vê-se hermenêutica jurídica usada como sinônimo de interpretação da lei
.
 Outras vezes, é dado ao vocábulo um sentido amplo, que abrange a interpretação e a aplicação
.
 
C
arlo
s M
aximilia
n
o,
 
na sua obra
He
rm
enê
u
t
i
c
a
e Ap
li
c
ação
 
do
D
ir
e
i
t
o
 
distinguehermenêutica e interpretação
.
A hermenêutica seria a teoria científica da arte de interpretar 
.
 Conforme suas palavras, tem ela por objeto
³
o estudo e a sistematização dos processos aplicáveisara determinar o sentido e o alcance das expressões do Direito.´
 A interpretação, então, seria a aplicação da hermenêutica
.
 Além do trabalho citado ² clássico na matéria, em nosso país ², diversos outros compêndiosfazem essa diferença entre hermenêutica e interpretação, dizendo que a primeira é a ciência, ouquando menos, o estudo da segunda
.
Tal distinção, que se pode dizer corrente na doutrinamajoritária, perde significado, contudo, diante da praxe, entre os hermeneutas ou intérpretes,mesmo aqueles que conhecem e adotam tal critério distintivo, os quais muitas vezes utilizam umapalavra pela outra
.
 Em verdade, pode-se até considerá-las sinônimas (ainda que nenhuma sinonímia seja perfeita),porque o procedimento interpretativo integra-se na própria interpretação
.
Curiosamente, discutir sobre isso é interpretar o significado justamente das palavras hermenêutica e interpretação
...
 Voltando a
C
arlo
s M
aximilia
n
o
, vê-se que ele
 
observa ainda que
³
interpretar uma expressão de Direito não é simplesmente tornar claro o respectivo dizer,abstratamente falando; é, sobretudo, revelar o sentido apropriado para a vida real, e conducente

Activity (3)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 thousand reads
1 hundred reads
Fernando Mendes liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->