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Formulação do Problema

Formulação do Problema

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Capítulo sobre formulação do problema sobre o ponto de vista da Pesquisa Social.
Capítulo sobre formulação do problema sobre o ponto de vista da Pesquisa Social.

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Published by: Priscilla De Carvalho Nunes on Mar 31, 2011
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4. A Formulação do Problema
4.1
 
 
C
ONCEITUAÇÃO
 
Quando se diz que toda pesquisa tem início com algum tipo de problema, torna-seconveniente esclarecer o significado deste temo. Uma acepção bastante correnteidentifica problema com questão que dá margem a hesitação ou perplexidade, por difícilde explicar ou resolver. Outra acepção identifica problema com algo que provocadesequilíbrio, mal-estar, sofrimento ou constrangimento às pessoas. Contudo, na acepçãocientífica, problema é qualquer questão não solvida e que é objeto de discussão, emqualquer domínio do conhecimento.Assim, podem ser consideradas como problemas científicos as indagações: Qual acomposição da atmosfera de Vênus? Qual a causa da enxaqueca? Qual a origem dohomem americano? Qual a probabilidade de êxito das operações para transplante defígado?As questões seguintes, por sua vez, podem ser consideradas como problemas de âmbitodas ciências sociais: Será que a propaganda de cigarro pela TV induz ao hábito defumar? Em que medida a delinquência juvenil está relacionada à carência afetiva? Quala relação entre subdesenvolvimento e dependência econômica? Que fatoresdeterminam a deteriorização de uma área urbana? Quais as possíveis consequênciasculturais da abertura de uma estrada em território indígena? Qual a atitude dos alunosuniversirios em relação aos trabalhos em grupo? Como a população vê a inserção daIgreja nos movimentos sociais?Para entender o que é um problema científico, Kerlinger (1980, p. 33) propõe,primeiramente, que seja considerado aquilo que não é. Por exemplo: Como fazer paramelhorar os transportes urbanos? O que pode ser feito para se conseguir melhordistribuição de renda? O que pode ser feito para melhorar a situação dos pobres?Nenhum destes problemas é rigorosamente um problema científico, porque não podemser pesquisados segundo métodos científicos, pelo menos sob a forma em que sãopropostos.“Como melhorar os transportes urbanos” é um problema de “engenharia”. Da mesmaforma as questões da renda e dos pobres, segundo Kerlinger, são também questões de“engenharia”. A ciência pode fornecer sugestões e inferências acerca de possíveisrespostas, mas o responder diretamente a esses problemas. Eles o se referem a comosão as coisas, suas causas e consequências, mas indagam acerca de como fazer ascoisas.Também o são científicos estes problemas: Qual a melhor técnica psicoterápica? Ébom adotar jogos e simulações como técnicas didáticas? Os pais devem der palmadasnos filhos? São antes problemas de valor, assim como todos aqueles que indagam se umacoisa é boa, má, desejável, indesejável, certa ou errada, ou se é melhor ou pior que outra.São igualmente problemas de valor aqueles que indaguem se algo deve ou deveria serfeito.
 
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Embora não se possa afirmar que o cientista nada tem a ver com estes problemas, o certoé que a pesquisa científica não pode dar respostas a questões de “engenharia” e devalor, porque sua corrão ou incorrão não é passível de verificão empírica.A partir destas considerações pode-se dizer que é um problema testável cientificamentequando envolve variáveis que podem ser observadas ou manipuladas. As proposiçõesque se seguem podem ser tidas como testáveis: Em que medida a escolaridadedetermina a preferência político partidária? A desnutrição determina o rebaixamentointelectual? Técnicas de dimica de grupo facilitam a interação entre os alunos? Todosestes problemas envolvem variáveis suscetíveis de observação ou de manipulação. Éperfeitamente possível, por exemplo, verificar a preferência político-partidária dedeterminado grupo, bem como o seu nível de escolaridade, para depois determinar emque medida essas variáveis eso relacionadas entre si.
4.2
 
 
A
 
E
SCOLHA DO PROBLEMA DE PESQUISA
 
4.2.1 – Implicações na escolha do problema
No processo de investigação social, a primeira tarefa é escolher o problema a serpesquisado. Esta escolha, por sua vez, conduz a indagações: Por que pesquisar? Qual aimportância do fenômeno a ser pesquisado? Que pessoas ou grupos se beneficiarão comseus resultados?É claro que a preocupação em buscar respostas para indagações não é imune àsinfluências e contradições sociais. O pesquisados, desde a escolha do problema, recebeinfluência de seu meio cultural, social e econômico. A escolha do problema decorre degrupos, instituições, comunidades ou ideologias em que o pesquisador se move. Assim, naescolha do problema de pesquisa podem ser verificadas muitas implicações, tais comorelevância, atraência, oportunidade e comprometimento (Trujillo Ferrari, 1982, p. 188).
4.2.2 – A relevância do problema
A pesquisa social visa fornecer respostas tanto a problemas determinados por interesseintelectual, quanto por interesse prático. Interessa, pois, na formulação do problemadeterminar qual a sua relevância em termos científicos e práticos.Um problema será relevante em termos científicos à medida que conduzir à obtenção denovos conhecimentos. Para se assegurar disso, o pesquisador necessita fazer umlevantamento bibliográfico da área, entrando em contato com as pesquisas já realizadas,verificando quais os problemas que não foram pesquisados, quais os que não o foramadequadamente e quais os que vêm recebendo respostas contraditórias. Estelevantamento bibliográfico é muitas vezes demorado e pode constituir mesmo umapesquisa de cunho exploratório, cujo produto final será a recolocação do problema sobum novo prisma.A relevância prática do problema está nos benefícios que podem decorrer de suasolução. Muitas pesquisas são propostas por órgãos governamentais, associações declasse, empresas, instituições educacionais ou partidos políticos, visando a utilizaçãoprática de seus resultados. Assim, o problema será relevante à medida que as respostasobtidas trouxerem consequências favoráveis a quem o propôs.
 
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Ao se falar da relevância prática do problema, cabe considera-la também do ponto devista social. Neste sentido, várias questões podem ser formuladas: Qual a relevância doestudo para determinada sociedade? Quem se beneficiará com a resolução doproblema? Quais as consequências sociais do estudo?A relevância social de um problema está relacionada indubitavelmente aos valores dequem a julga. O que pode ser relevante para um pode não ser para outro. Entretanto,esta discussão torna-se importante à medida que ajuda a explicitar as direções possíveisde uma investigação e suas diferentes consequências.
4.2.3 – A oportunidade de pesquisa
Muitas vezes a escolha de um problema é determinada não por sua relevância, mas pelaoportunidade que oferecem determinadas instituições. Há entidades que oferecemfinanciamento para pesquisas em determinadas áreas. Outras, embora nãoproporcionando os meios financeiros, oferecem certas condições materiais para odesenvolvimento de pesquisas. Essas condições podem ser o acesso a determinadapopulação, o uso de documentos, ou a utilizão de instrumental para a coleta e análisedos dados. Em ambas as situações, o direcionamento da pesquisa será determinado maispelas circunstancias das organizações do que por seu interesse científico. Isto nãoimpede, porém, que pesquisas importantes possam ser desenvolvidas com estescondicionantes. O que se torna necessário é a suficiente habilidade do pesquisador nosentido de adequar as oportunidades oferecidas a objetivos adequados.
4.2.4 – O comprometimento na escolha do problema
A escolha do problema de pesquisa sempre implica algum tipo de comprometimento.Quando o pesquisador está integrado como técnico numa organização, tende adesenvolver as pesquisas que lhe são propostas pela direção ou por seus clientes. Mesmoque a escolha do problema seja de livre escolha do pesquisador, o comprometimentopode estar ligado aos programas ou à ideologia da organizão. Ainda nos caos em queo pesquisador desenvolve o seu trabalho de forma autônoma, com objetivosfundamentalmente científicos, existe um mínimo de comprometimento, pois os padrõesculturais, filosofias de vida e ideologias criam certo engajamento na seleção do problema.Um pesquisador pode, por exemplo, pesquisar o fenômeno da toxicomania, formulando oseguinte problema:“Qual a relação entre o vício em entorpecentes e a estrutura da personalidade dosviciados?”Outro pesquisador poderia formula o problema sob outro prisma:“Em que medida o vício em entorpecentes é influenciado pelo nível de frustração dosanseios sociais do indivíduo?”Fica claro que cada um dos pesquisadores se orienta numa direção diferente na buscade resposta para o problema. O primeiro pretende buscar a resposta no próprio indivíduo,e o segundo na sociedade. Refletem, portanto, dois modelos de concepção do homem.Fica claro, pois, que a ideologia do pesquisador pode influenciar significativamente naescolha do problema.

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