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Dispersos.

Dispersos.

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Published by: Manuel De Castro Nunes on Apr 02, 2011
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04/02/2011

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Dispersos
Não sou mais do que o meu rasto.Não, não sou mais do que o meu rasto.Para a frente está tudo por escrever.E então, quanto mais me afasto,sei que é no teu rasto que me vou perder.Não. De mim existem só pegadas.E ficaram para trás dos meus passos.E o que vês são as linhas apagadasdo que outrora foram os meus traços.E se na vida fui apenas um percalço,um murmúrio que te segredei ao ouvido,deixa-me ir agora no encalçodo teu rasto, que ando perdido.--------------------Vens do tempo das romãs e das amoras,dos girinos cintilantes nas ribeiras.E é por isso que quanto mais demorasmais sôfrego o beijo com que te abeiras.Do tempo das tranças, vestida de chita,vens do tempo que o tempo me roubou.Vens de longe onde o tempo me agitae és tudo aquilo que nunca mais voltouPorque vens agora se sei que te vais?Diz só que vens para te querer mais.-------------------É porque no Outono, quando as folhas tombam,ao abandono dos caprichos da brisa,rodopiando cativas dos sopros cálidos do Sul,as memórias vivas dos mortos me assombram,que sinto esta liberdade de abismos de azul,como se a saudade fora no ímpeto incisa.
 
 E porque me morreu com vós toda a glória,com que teceu no bastidor da vida,na obscuridade de um salão de ciprestes,ou no gineceu onde se fia a históriada claridade da luz de onde viestes,a remota razão de ser cumpridaesta missão de relembrar agoraas glórias que deixastes por cumprir dita-me a paixão que sem demora,das escórias,na bigorna, tempere o gládio do devir. E nem sequer ditastes no agoradesta brisa morna, a glória que há de vir. Porque, de tudo o que ardeu,quem vos resgata sou eu.------------------Aos amantes que tombaram entre as multidões.Sim, abraça-me agora de outra forma,menos terna, talvez, e mais selvagem,o amor não obedece à mesma normapor vezes basta a camaradagem.Marcha comigo com o peito exposto,deixamos de ser dois, somos milhões,ninguém distinguirá já o seu rostoquando o sangue jorrar em borbotões.Dá-me a tua mão, marcha a meu lado,
 
que o amor suspenda o calor do leitoe juntos seremos um só soldado.E quando então nos vararem o peito,que tombes no chão junto ao meu lado.E, assim, cada um vai a seu jeito.------------------------Passio E durou a minha paixãoo dobro dos passosdo que dias devassosa minha criação. E veio a mim Verónicaa limpar-me o rosto.E logo o estertor.Mais não diz a crónica.Senão que ao sol postome vieram depor. Onde os outros passos?Ai! Que já nem sei!São efémeros traçosque já apaguei. De Verónica o sorriso,do retrato a mortalha.

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