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Auxilio Reclusao Previdencia Social

Auxilio Reclusao Previdencia Social

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Tópicos jurídicos
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Sumário
Prolegômenos – 2. O auxílio-reclusão nosregimes próprios de previdência social dos servidorespúblicos – 3. O auxílio-reclusão nos regimes própriosde previdência social dos militares – 4. O auxílio-reclusão no regime geral de previdência social – 5. Oauxílio-reclusão no direito comparado.
Prolegômenos
A previdência social dos servidores públicose dos militares antecede a previdência social dostrabalhadores da iniciativa privada. Isso porque aproteção social dos servidores públicos e dos militares -historicamente mais organizados que os trabalhadoresda iniciativa privada - sempre oi considerada, dentro deuma política de pessoal, como benesse estatal a m decompensar algumas restrições impostas a eles e dessemodo atrair e manter bons quadros no serviço públicoe nas Forças Armadas. Nesse sentido, as aspiraçõesdos servidores públicos e militares por aumentos deremuneração e melhorias das carreiras desembocavam,muita vez, em beneícios previdenciários.Aliás, o pioneirismo da previdência social dosservidores públicos e dos militares se refete já no art.75 da Constituição Federal de 1891, a estabelecer que“a aposentadoria só poderá ser dada aos uncionáriospúblicos em caso de invalidez no serviço da nação”,enquanto a previdência social dos trabalhadores dainiciativa privada só ganhou envergadura constitucionalcom a Constituição Federal de 1934, cujo art. 121, §1º,alínea “h”, determinava a “instituição de previdência,mediante contribuição igual da União, do empregadore do empregado, a avor da velhice, da invalidez, damaternidade e nos casos de acidentes de trabalho oude morte”.Nesse passo, convém salientar que os regimespróprios de previdência social dos servidores públicose dos militares seguiram caminhos diversos daqueles
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Juiz Federal Substituto em Brasília-DF
O auxílio-reclusão na previdência social brasileira e estrangeira
Roberto Luis Luchi Demo*
trilhados pelo regime geral de previdência social,sendo os caminhos dos regimes próprios, por assimdizer, mais generosos, implicando um desequilíbriona despesa do Estado. A partir desta constatação,sobreveio a Emenda Constitucional 20/1998 -nominada Reorma da Previdência Social -, a m deaproximar aqueles caminhos e que bem demonstra aevolução da legislação previdenciária brasileira, assimcomo em diversos outros países, na direção de umsistema nacional único de proteção social. anto assimque a Lei 9.717/1998, uma das leis que regulamentama aludida emenda constitucional estabelece no seu art.5º que os regimes próprios de previdência social dosservidores públicos da União, dos Estados, do DistritoFederal e dos Municípios e dos militares dos Estados edo Distrito Federal não poderão conceder beneíciosdistintos dos previstos no regime geral de previdênciasocial, de que trata a Lei 8.213/1991, salvo disposiçãoem contrário da Constituição Federal.De outra parte, merece registro a iniciativa doConselho Nacional de Justiça que, sob a presidência doMinistro Gilmar Mendes, lançou luzes para o problemacrônico da situação dos presos no Brasil, especialmentea permanência em presídios daqueles que, nos termosda legislação, já deveriam ter sido beneciados com aliberdade ou com progressão de regime, situação quecorresponde a cerca de 30% da população carcerária.Nesse sentido, o Conselho Nacional de Justiçaimplementou um conjunto de medidas voltadaspara a inserção social dos presos, a humanização docárcere, a modernização das varas de execução penale a inormatização dos presídios. Um exemplo dessasmedidas é a realização de mutirões carcerários com arevisão de processos em curso nas varas de execuçãocriminal.Esse o contexto e considerando que um dosaspectos previdenciários da prisão, qual seja, o auxílio-reclusão ganhou evidência com a recente decisãodo Supremo ribunal Federal no RE 486.413 e noRE 587.365, ambos relatados pelo Ministro RicardoLewandowski na assentada do dia 25 de março de2009, quando o Plenário pôs termo à discussão sobreo parâmetro de concessão ser a renda do seguradopreso ou de seus dependentes, tenho como alvissareira
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uma abordagem do auxílio-reclusão nos regimespróprios de previdência social dos servidores públicose dos militares para, em seguida, aproundar o examedos seus contornos jurídicos no regime geral deprevidência social. Essa metodologia se justica até paraestimular um estudo conjunto dos diversos regimesde previdência e, partindo de uma visão holística oupanorâmica, aerir suas divergências e convergênciasao longo do tempo e vericar suas atuais semelhanças edierenças de maneira crítica
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. Outrossim, não poderiaencerrar o presente trabalho sem tecer algumasconsiderações sobre o equivalente ao auxílio-reclusãono direito comparado, o que aço no último capítulo.
2. O auxílio-reclusão nos regimes própriosde previdência social dos servidores públicos
Cada ente ederativo pode instituir um regimepróprio de previdência social para seus servidorespúblicos, que deverá obedecer às regras geraisdispostas no art. 40 da Constituição Federal de 1988 ena Lei 9.717/98. Especicamente em relação ao auxílio-reclusão, há de se observar também o art. 13 da EmendaConstitucional 20/1998, que limita este beneícioprevidenciário aos dependentes dos segurados de baixarenda. Embora não se trate de obrigação, mas de meraaculdade, a União, todos os Estados, o Distrito Federale 2.186 Municípios instituíram regimes próprios deprevidência social
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.No âmbito da União, o regime próprio dosservidores públicos é atualmente regulado pela Lei8.112/1990, cujo art. 229 estabelece que o auxílio-
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Até porque já não se pode mais considerar a previdência socialdos servidores públicos e dos militares como matéria exclusivade direito administrativo. Nesse sentido, não é raro encontrar,nos atuais manuais de direito previdenciário, capítulos tratandodos regimes próprios de previdência social. Do mesmo modo, osatuais manuais de direito administrativo dedicam algumas páginaspara explicar conceitos clássicos do direito previdenciário, comocaráter contributivo, equilíbrio nanceiro e atuarial e previdênciacomplementar. E essa imbricação inclusive oi considerada peloPlenário do Supremo ribunal Federal no reerido julgamento doRE 486.413 e do RE 587.365, cuja discussão da matéria, a envolver oauxílio-reclusão no regime geral de previdência social, somente oiencerrada quando o Ministro Carlos Britto invocou e leu o art. 229da Lei 8.112/1990, ou seja, o auxílio-reclusão no regime própriodos servidores públicos ederais.
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De se observar, entretanto, que os regimes próprios de 276Municípios se encontram em extinção. odos esses dadosconstam do Anuário da Previdência Social de 2007, disponível emwww.mps.gov.br.
reclusão é devido à amília do servidor ativo, nosseguintes valores: [i] dois terços da remuneração,quando aastado por motivo de prisão, em fagrante oupreventiva, determinada pela autoridade competente,ou seja, no caso de prisão processual, enquantoperdurar a prisão; e [ii] metade da remuneração,durante o aastamento, em virtude de condenação,por sentença denitiva, a pena que não determine aperda de cargo, ou seja, no caso de prisão penal. Noprimeiro caso, vale dizer, no caso da prisão processual,o servidor terá direito à integralização da remuneração,desde que absolvido. O pagamento do auxílio-reclusãocessa a partir do dia imediato àquele em que o servidoror posto em liberdade, ainda que condicional. Nocaso de prisão de servidor aposentado, sua amílianão terá direito a auxílio-reclusão, já que o servidorcontinuará recebendo normalmente seus proventosda inatividade.Passemos em revista agora os regimes própriosde alguns Estados.Da região sul, cite-se a Lei 12.398/1998, que cria oSistema de Seguridade Funcional do Estado do Paranáe nomina o auxílio-reclusão de pensão por prisão dosegurado, que será concedida, nos termos do art. 59,ao conjunto de dependentes do segurado recolhidoà prisão, que não receba remuneração, vencimentosou proventos de inatividade. A pensão decorrente deprisão consistirá em renda mensal equivalente a doisterços da remuneração, vencimentos ou proventosdo segurado e subsistirá enquanto perdurar o seurecolhimento à prisão. A pensão decorrente de prisãoserá devida a contar da data em que or requeridapelos dependentes do segurado, que deverão instruirseu pedido com certidão do eetivo recolhimento dosegurado à prisão, sendo obrigatória, para a manutençãodo beneício, a apresentação periódica de declaração depermanência na situação de preso. O direito à pensãodecorrente de prisão extinguir-se-á no dia imediatoàquele em que o segurado or posto em liberdade,ainda que condicional. Se, cumulativamente comcondenação penal, o segurado sorer perda da unçãopública, a pensão decorrente de prisão será devida até oterceiro mês subsequente ao da sua libertação. No casode alecimento do segurado enquanto preso, a pensãodecorrente de prisão será convertida em pensão pormorte, salvo na hipótese de perda da unção pública emvirtude da condenação penal, caso em que o beneícioserá pago até o terceiro mês seguinte ao do óbito do
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segurado. A uga da prisão, por parte do segurado,implicará a suspensão da pensão.Na região sudeste, a Lei 285/1979 dispõe sobreo regime previdenciário dos servidores públicos doEstado do Rio de Janeiro e estabelece, no seu art. 43,que, quando o segurado perder a condição de servidorem virtude de condenação em processo criminal, serápago auxílio-reclusão aos seus dependentes, desde quenão disponham de meios para prover sua mantença. Jáno seu art. 44 registra que o auxílio-reclusão será devido,após 24 contribuições mensais, desde que o seguradodetento ou recluso não perceba qualquer espécie deremuneração nem esteja no gozo de beneícios deoutra instituição previdenciária. O auxilio-reclusãoserá pago durante o cumprimento da pena e cessaimediatamente no dia em que o ex-segurado or postoem liberdade. O auxílio-reclusão só será pago a partirdo mês em que or requerido, aplicando-se-lhe, no mais,as disposições que regulam a pensão, exceto quanto àprescrição que, no caso, se consumará no prazo apenasde um ano a contar do mês em que a prestação ordevida e não reclamada. O simples pagamento doauxílio-reclusão aos dependentes do segurado não lhegarante a conservação do vínculo previdenciário apóso cumprimento da pena, se ele para isso não diligenciarsobre os meios de conservá-lo, mas transorma oauxílio em pensão do mesmo valor, se o alecimentoocorrer na prisão.Da região nordeste, de se mencionar a LeiComplementar 28/2000, que cria o Sistema dePrevidência Social dos Servidores do Estado dePernambuco e estabelece, no seu art. 52, que oauxílio-reclusão consistirá numa importância mensalconcedida aos dependentes do segurado recolhido àprisão que, por este motivo, não perceber remuneraçãodos cores públicos. Até que a lei discipline o acessoao auxílio-reclusão, este beneício somente seráconcedido aos dependentes do segurado caso a últimaremuneração mensal deste seja igual ou inerior aR$ 376,60, corrigidos pelos índices aplicados aosbeneícios do Regime Geral de Previdência Social. Oauxílio-reclusão será rateado em cotas-partes iguaisentre os dependentes do segurado. O auxílio-reclusãoserá devido a contar da data em que o segurado presodeixar de perceber remuneração dos cores públicos,sendo mantido enquanto durar a prisão. Será mantidoo auxílio-reclusão enquanto o segurado permanecerdetento ou recluso e suspender-se-á a concessãoquando da liberdade condicional, prisão em regimeaberto, soltura ou uga. Na hipótese de uga do seguradosuspender-se-á o beneício, sendo restabelecido a partirda data da recaptura ou da reapresentação à prisão,nada sendo devido aos seus dependentes enquantoestiver o segurado evadido e pelo período da uga. Casoo segurado venha a ser ressarcido, em decorrênciada sua prisão, com o pagamento da remuneraçãocorrespondente ao período em que esteve preso, eseus dependentes tenham recebido auxílio-reclusãocorrespondente ao mesmo período, o valor pago deveráser restituído pelo segurado ou por seus dependentes,aplicando-se os mesmos juros e índices de correçãoaplicados à remuneração ressarcida. Aplicar-se-ãoao auxílio-reclusão, no que couber, as disposiçõesatinentes à pensão por morte. Se o segurado presovier a alecer na prisão, o beneício será transormadoem pensão, aplicando-se, no que couber, as normasrelativas a esse beneício.Em termos de Municípios, registro, na regiãonorte, a Lei 7.984/1999, que dispõe sobre o plano deseguridade social dos servidores do Município de Beléme estabelece, no seu art. 73, que o auxílio-reclusão serádevido, nas mesmas condições da pensão por morteaos dependentes do segurado, independentementede cumprimento de carência, conorme previsão daConstituição Federal, quando: [i] aastado por motivode prisão, em fagrante ou preventiva, determinadapela autoridade competente; e [ii] em virtude decondenação, por sentença denitiva, a pena que nãodetermine a perda do cargo. O pagamento do auxílio-reclusão cessará a partir do dia imediato àquele em queo servidor or posto em liberdade ainda que condicional.No caso de alecimento do servidor detento ou recluso,o auxílio-reclusão que estiver sendo pago aos seusdependentes será automaticamente convertido empensão. A cada três meses os dependentes têm de azera prova da detenção ou reclusão.Da região centro-oeste, menciono a Lei8.095/2005, que dispõe sobre o Regime Própriode Previdência Social dos Servidores Públicos doMunicípio de Goiânia e cujo art. 80 registra que oauxílio-reclusão consistirá numa importância mensalconcedida aos dependentes do segurado recolhido àprisão que, por este motivo, não perceber remuneraçãodos cores públicos. O auxílio-reclusão será rateado emquotas-partes iguais entre os dependentes do segurado.O auxílio-reclusão será devido a contar da data em que
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