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A Corrosão do Caráter

A Corrosão do Caráter

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Published by: Renato Paredes Araújo on Apr 09, 2011
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A Corrosão do CaráterA Corrosão do Caráter: Conseqüências Pessoais do Trabalho no Novo Capitalismo. P/Rosany Mary S. Souza e Sandro R. FalcãoNeste livro, organizado em oito capítulos e um apêndice, escritos em linguagem acessível ecom uma interessante análise sociológica das transformações do mundo do trabalho, RichardSennett oferece-nos uma instigante reflexão sobre as influências do capitalismo flexível nouniverso das relações trabalhistas e suas repercussões no caráter humano, convidando-nos apromover uma análise sobre as conseqüências sociais advindas destas inovações vividas nasociedade. Na primeira parte do livro o autor mostra como o capitalismo contemporâneo, aflexibilização do mundo do trabalho, a lógica hiper-competitiva e os padrões atuais de"sucesso", corroem a escala de valores e qualquer forma de disciplina ética, mesmo para ospadrões do próprio capitalismo. Ele argumenta como este regime econômico e social vive umnovo momento, caracterizado por uma natureza flexível, que ataca as formas "engessadas" daburocracia, as conseqüências da rotina e os sentidos e significados do trabalho; produzindouma situação de angústia nas pessoas, que não tem conhecimento dos riscos que estãocorrendo e onde irão chegar, colocando à prova o próprio senso de caráter pessoal.Pode-se observar que Sennett dá enfoque a esta situação em citação a seguir: caráter é (...) ovalor ético que atribuímos aos nossos próprios desejos e às nossas relações com os outros, ouse preferirmos... São os traços pessoais a que damos valor em nós mesmos, e pelos quaisbuscamos que os outros nos valorizem (p. 10).Segundo o autor, o capitalismo flexível afeta o caráter pessoal, principalmente porque nãopropõe condições para construção de uma história linear de vida, sustentada na experiência,mostra também, ao utilizar o recurso metodológico de narrações de histórias de vidas, como oassalariado apesar de desenvolver uma atividade rotineira, consegue construir uma vidaplanejada, onde conseguiu acumular condições para tornar realidade seus objetivos baseadano uso disciplinado do tempo com expectativas em longo prazo. Evidente que, no caso do Rico(personagem apresentado por Sennett, no Capítulo I, do livro comentado), um "discípulo" docapitalismo flexível, os laços sociais não se processam em longo prazo, em decorrência de umadinâmica de incertezas e de mudanças contínuas de emprego e de lugares, comportamentoque dificulta as pessoas, conhecer os vizinhos, estabelecer vínculos de amizade (presencial), emanter laços com a própria família, impedindo um equilíbrio emocional no que tange a esteaspecto.
 
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iante das mudanças no mundo do trabalho, muito bem colocadas pelo autor,... Como sepodem buscar objetivos de longo prazo numa sociedade de curto prazo? Como se podemmanter relações duráveis? há um convite ao leitor a refletir sobre este grande desafio que aspessoas na situação atual precisam enfrentar.O capitalismo flexível, devido a sua dimensão no tempo (curto prazo), elimina vínculos sociais,o crescimento e a maturação interior, corrompe o caráter e as experiências, também asinstituições familiares são prejudicadas, porque faz incorporar nos indivíduos falsos estigmas,como conservadorismos culturais, para amenizar a falta de coerência existente em suaspróprias vidas. É um "ficar sem rumo" sem controle, confirmado pelas crises das instituiçõesburguesas e das relações interpessoais.No capitalismo flexível, baseado na fragmentação, no individualismo metodológico, na seleçãonatural de
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arwin, em que os mais fortes sucumbem aos mais fracos os indivíduos valem-se do"salve-se quem puder", no Estado Mínimo que reduz o âmbito público e exacerba o privado,onde passamos a ser controlados e manipulados pelo "deus" mercado, e aquele que seapresenta pela fome de mudança, jamais permite que se façam as coisas do mesmo jeito porlongos períodos de tempo, através do denominado "capital impaciente"!O autor parece considerar que a sociedade busca resolver o problema da rotina no trabalhocom uma nova estruturação do tempo, com instituições mais flexíveis, criando formas novasde poder e controle, sendo este um segundo elemento central de sua problematização.Esta flexibilidade do tempo requer também, uma flexibilização do caráter, demonstrada pelaausência de apego temporal em longo prazo e pela tolerância com a fragmentação. O curtoprazo minimiza a obrigação formal, a confiança, o compromisso mútuo, características de umaera de estabilidade, e o pior, alavanca a falta de compromisso ético, moral, dos consumidores(nova terminologia designada aos indivíduos) capitalistas. O curto prazo também prejudica osentido de vida linear, cumulativa e narrativa, a relativa estabilidade. Para Sennett, o longoprazo torna-se uma prática disfuncional, "o setor de força de trabalho que mais rápido cresce[...] é o [...] temporário. O mercado acredita que o rápido retorno é mais bem gerado pela ágilmudança institucional (p.22). A pós-modernidade consegue desestruturar o único recurso quea plebe tinha de graça, ou seja, o tempo. Seria interessante se Sennett tivesse citado Nietzschequando ele antecipava o espírito da nova era..." tem-se vergonha do repouso, a meditaçãomais demorada causa remorso. "Reflete-se com o relógio na mão, da mesma forma como sealmoça, com os olhos fixos no pregão da bolsa...".
 
Em função desta flexibilidade do tempo que requer maleabilidade de caráter, caracterizada,pela tolerância com a fragmentação, impelida sempre pela motivação de ascensão social, outão somente pela sobrevivência, são lentamente corroídos laços de amizade e de família, jáque falta tempo para outras valorações, como o lazer entre amigos e até mesmo no lar, ondeos ensinamentos sobre moral e ética, eram costumeiramente passados dos genitores paraseus filhos, carecendo de tempo comum para tal fim. Percebe-se certa alienação, que érefletida pela ausência de limites, de orientação, dos pais para com seus filhos, deixando-os àmercê dos seus próprios conceitos e atitudes em formação.Rejeitam-se também, estilos de vida oriundos das classes proletariados; o casamento entrepessoas de classes sociais diferentes; aumentando as ideologias, ou chamados,conservadorismos culturais, em que se odeiam as parasitas sociais, os excluídos (negros,homossexuais, pobres), os quais são muitas vezes correlacionados à ausência de coerência desuas próprias vidas, das incertezas aleatórias que querem se defender, ou seja, da erosão dasqualidades de caráter, lealdade, compromisso, propósitos profissionais, pessoais e familiares.O capitalismo flexível ainda passa a idéia, e isso é bem colocado pelo autor no primeirocapítulo, que o pequeno empresário ou microempresário, terá que exercer diversas funções aomesmo tempo, se quiser continuar "sobrevivendo" em sua economia local, enquanto que nasgrandes corporações, que geram tendências de mercado, o regime baseia-se não mais empirâmides de poder, mas sim em redes; arquipélagos de atividades relacionadas, que afrouxamos laços sociais e valorizam a lealdade institucional, adaptando-se sempre as novas tendências,caprichos ou idéias dos que pagam pelos seus produtos, já que eles mesmos tornam-seprodutos dessas instituições estigmatizadas como fetiches de mercadorias, enfatizando apotencial forma de lucrar em menor espaço de tempo, associados a reduzidíssimos desviospadrões de perda. No final do primeiro capítulo do livro, o autor diz que "talvez a corrosão docaráter seja uma conseqüência inevitável" (p.33), enfocando uma visão fatalista, esquecendo-se que cresce um processo de conscientização mundial, facilitado pela globalização, quedifunde ideologias de caráter ético, que refletem sobre esta realidade, às vezes comindignação, o que pode no futuro gerar uma nova revolução no modo de trabalho, baseada emvalores fundamentais, como a dignidade da pessoa humana, buscando concretizá-la através deações dominantes e, não apenas marginais e específicas.Um ponto claro na discussão de Sennett é que embora o trabalho flexível tente romper com arotina e a burocracia, ele não conseguiu ainda superar o trabalho fordista, pelo contrário,tornou precárias as relações de trabalho, assim como, a ética do trabalho em equipe, nãosuperou a ética da rotina; as duas convivem em uma relação dialética. Percebe-se, entretanto,que o autor coloca os dois lados da rotina, um, baseado em uma posição frutífera e positiva,fincado na obra de
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iderot, a "Enciclopédia" e o lado destrutivo, pela obra de Adam Smith  ARiqueza das Nações, como no Fordismo e Taylorismo. Além disso, é ressaltada a escravidão,que antes era baseada na combinação de abrigo e subordinação à vontade do "amo", para ser

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