Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more ➡
Download
Standard view
Full view
of .
Add note
Save to My Library
Sync to mobile
Look up keyword
Like this
1Activity
×
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Suposições Visuais

Suposições Visuais

Ratings: (0)|Views: 173|Likes:

More info:

Published by: Thiago Favaretto Tazinafo on Apr 13, 2011
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, DOC, TXT or read online from Scribd
See More
See less

04/13/2011

pdf

text

original

 
Universidade de São PauloFaculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão PretoDepartamento de Psicologia e EducaçãoPsicologia Cognitiva – Prof. Dr. César Alexis Galera
Suposições Visuais
Trabalho de Conclusão de DisciplinaThiago Favaretto Tazinafo – no. USP: 3461150endereço eletrônico:thitazinafo@gmail.com08/12/05
 
O leitor já deve ter sentido que uma das maneiras mais ricas de seaprender é justamente ensinando. É quando se ensina que, eventualmente, dá-seconta de que seu conhecimento sobre o assunto em questão não é completo epreciso como se supunha.Com o perdão pela analogia prosaica, mas foi nesse tipo de situação emque se encontraram os pioneiros da inteligência artificial quando se deram contade que o avanço nas ciências da computação dependeria de um feedback daneurociência. Em outras palavras, é preciso investigar melhor o cérebro sequisermos construir máquinas cada vez mais inteligentes. Por outro lado, essareflexão se desdobra na contemplação de um horizonte igualmente profícuo:explicar a cognição humana por meio de modelos matemáticos – verdadeirosalgoritmos que sejam
suficientes
. Tal é a via de mão dupla em que serelacionam as ciências cognitivas e computacionais.Num âmbito biológico, entretanto, essas explicações suficientes nãobastam. Esses modelos cognitivos matemáticos – ou seja, modeloscomputacionais de mente – requerem plausibilidade biológica; devem, portanto,ser apreciados à luz do pensamento neo-darwiniano. É justamente nisso queconsiste a psicologia evolucionista: construir modelos computacionais da menteconsistentes com a teoria da evolução, isto é, biologicamente plausíveis.Somos seres basicamente visuais. Porque enxergamos desde o nascer – mastambém principalmente porque o processo visual ocorre num nível não cognitivo,“low-level” – não nos distanciamos o suficiente, no cotidiano, para estranhar avisão, refletir sobre a espantosa complexidade dos cálculos que o córtex visualexecuta alheio a nossa consciência. Realizamos cálculos de gradientes, detecçãode bordas, e percepção de fundo que não são trivialmente implementáveis numalgoritmo.O cômputo que o córtex visual executa é um procedimento de engenhariareversa. Na formação de imagens na retina, o problema é relativamente simples: oinput é o estímulo luminoso externo e o output é uma representação 2-D – aimagem retiniana de um espaço ou cenário tridimensional. Evidentemente,portanto, há perda de informação nesse procedimento. Já a percepção visualocorre de modo inverso: o input é a imagem retiniana e o output é umareconstrução visual do cenário. Portanto, os dados de saída contêm maisinformação que os de entrada!Pensando por esse lado, a ótica reversa é um problema impossível. Comoanalogia, pensemos numa multiplicação de números reais. Dados, digamos, trêsnúmeros reais, pode-se facilmente obter o produto desses três números. Seconsiderarmos, de modo inverso, que dispomos de um número e nos é requisitadodeterminar quais três números reais multiplicados entre si o gerou, o problema setorna impossível porque há infinitas soluções. Grosso modo, é esse tipo de
 
problema que o córtex visual resolve. Sendo assim, parece razoável supor que océrebro disponha de informações prévias que possibilitem uma solução unívoca.Concluindo, portanto, que o cérebro completa os dados com as informaçõesfaltantes, damos abertura à abordagem evolucionista da cognição.Em filmes como “O Exterminador do Futuro” e “Robocop” algumas cenasmostram imagens em primeira pessoa do ponto de vista dos robôs, ou seja, cenasque nos revelam como seria o mundo do ponto de vista dos protagonistascibernéticos dos filmes: imagens em vermelho, como em “O Exterminador...” ouparecidas como as de uma câmera amadora, como em “Robocop”. Em ambos,diretrizes, cálculos e processos de tomada de decisão ocupam os cantos da tela,revelando aos telespectadores em que estão pensando as máquinas naquelemomento. Essa linguagem inocente e didática, tão conveniente ao cinema deentretenimento, carrega uma dose tão excessiva de antropocentrismo que chega aser desinformadora e enganadora. Não sou rabugento e cientificista a ponto deesperar compromisso cientifico no cinema comercial que eu próprio tantoaprecio – mesmo porque a tal “ficção cientifica” desapareceria quase que por completo. Entretanto, a simplificação hollywoodiana não-raro mina e seca oprecioso senso critico.Quero mesmo, no entanto, tratar da visão e não de cinema. Numa projeçãomais realista, o que uma dessas máquinas inteligentes veria seria algo como umadisposição de centenas de números de três ou quatro dígitos por todo o seucampo visual. Cada um desses números correspondem a uma determinadafreqüência e intensidade luminosa.Como ensinar ao Exterminador do Futuro diferenciar um pedaço de carvãode um floco de neve? Primeiramente, determinamos que o floco de neve tembrilho maior que o carvão. Entretanto, um pedaço de carvão ao sol pode ter maisbrilho que um floco de neve dentro de casa. Como nós o fazemos? Oprocedimento de reconhecimento de padrões e objetos é contextualizado. Paraesse exemplo visual a psicologia cognitiva propõe o seguinte modelo: primeiro,obtém-se o brilho médio da cena inteira; depois, calcula-se ponto-a-ponto adiferença de brilho com relação à média. Os maiores valores são interpretadoscomo objetos brancos, os menores valores são objetos negros e valoresintermediários situam-se ao longo de uma escala de tons de cinza. Partindo-se dopressuposto de que a luz-ambiente é uniformemente distribuída, tanto em termosde freqüência quanto à intensidade luminosa, esse modelo matemático ésatisfatório. Tal é a suposição visual que viabiliza nossa percepção.Se, por um lado, partir de suposições visuais tão gerais habilita-nos adiscriminar o ambiente natural com razoável competência, isso implica umaespecialização perceptória com relação a nosso mundo às custas de

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->